Sustentabilidade

Vazamento em Brumadinho é o maior no mundo com barragens desde Mariana

por: Redação Hypeness

Com o passar dos dias, novas informações dão a dimensão real do tamanho do desastre provocado pelo rompimento de uma barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho.

O derramamento de minério na cidade 60 quilômetros distante da capital Belo Horizonte já é considerado um dos 10 maiores do mundo nos últimos 30 anos. Ainda é cedo para dizer, mas há projeções de que o desastre humano e ambiental em Brumadinho perca apenas para outro, o de Mariana, provocado também pelo rompimento de uma barragem controlada pela Samarco em 2015.

Mais uma tragédia humana e ambiental no caminho do Brasil

Em quatro dias de operação, o Corpo de Bombeiros fala em pelo menos 3 milhões de metros cúbicos espalhados pelo município mineiro. Em comparação com Mariana, a quantidade de metais e outros elementos tóxicos é menor. Mariana e principalmente Bento Rodrigues, foram atingidas por mais 43,7 milhões de metros cúbicos, em um evento sem precedentes na história da humanidade.

No entanto, caso tais perspectivas se confirmem, Brumadinho pode ocupar o topo de um ranking preocupante e que ceifa vidas. Até o momento são 60 mortos e 292 desaparecidos e 192 resgatados em meio ao mar de lama.

Para se ter ideia do tamanho do crime ambiental e humano, de outros 67 estouros em barragens de mineração no mundo todo em 30 anos, apenas sete registraram níveis maiores de vazamento.

Bom e barato

Especialistas em construção de barragens não se surpreenderam com o acontecido no complexo da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais. A barragem 1, que rompeu na sexta-feira (25), era operada a partir de um sistema chamado “a montante”, que deposita dejetos em camadas, em um vale.

São 60 pessoas mortas e quase 300 desaparecidas

O método é utilizado com frequência por baratear os custos. Ele faz com que o aumento de volume de material provoque o alteamento da barragem. O produto dispensado é formado por ferro sílica e água. Na visão de especialistas, a estocagem de água eleva os riscos de um possível rompimento.

“É sempre um risco maior com mais água. As barragens que costumam dar problemas são geralmente as de montante. Há uma vantagem econômica, mas um impacto ambiental maior, porque você vai estocar água. Vai estocando grandes volumes de água.” explicou ao blog da jornalista Julia Duailibi Maurício Ehrlich, professor do programa de engenharia civil da Coppe/UFRJ, especialista em geotecnia.

O país não aprendeu nada com Mariana

Pesquisadores e acadêmicos apontam a existência de tecnologias modernas e redutoras de riscos. Contudo, são sistemas mais caros, mas que podem evitar a perda de vidas e crises ambientais do tamanho da provocada pela Vale. Tais tecnologias tornam o rejeito mais seco por meio de um filtro capaz de separá-lo da água. Só que é preciso gastar mais.

Depois da morte de 19 pessoas em Mariana, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais discutiu o endurecimento da legislação sobre a segurança das barragens, incluindo a proibição do “a montante”. Sem sucesso. O lobby das mineradoras foi mais forte e a proposta não andou.

A cidade foi inundada por produtos tóxicos na sexta-feira (25)

O Ministro do Desenvolvimento Regional admitiu que a política de leis precisa ser revista. Rodrigo Canuto admitiu a urgência do aceleramento do processo legislativo. 

“A política nacional de segurança de barragens foi editada em 2010. É uma lei que precisa de revisão. Após o acidente de Mariana, vários projetos foram apresentados, a gente ainda não conseguiu finalizar a alteração dessa lei, mas ela é essencial. Foi consenso aqui entre os técnicos que isso precisa ser feito”, disse o ministro durante reunião com técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA).

Mineradoras como a Vale, presidida por Fabio Schvartsman, usam meios baratos de mineração

A Vale anunciou a suspensão do pagamento de dividendos e bônus para grupos de executivos. A empresa teve mais de 11 bilhões bloqueados para garantir o pagamento de indenização às famílias das vítimas do desastre em Brumadinho. Os pedidos foram protocolados pela Justiça de Minas Gerais, da Advocacia Geral do Estado e do Ministério Público. O Brasil possui 790 barragens de minério, 175 controladas pela Vale.

Em 2017, o secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, Germano Luiz Gomes Vieira, deu sinal verde para norma que alterou o critério de risco de algumas barragens. Com isso, foram afrouxadas etapas de licenciamento ambiental.

Secretário do Meio Ambiente de Minas afrouxou etapas para obtenção de licenças

A própria Vale se beneficiou da assinatura de Gomes Vieira e teve condições melhores de acelerar o licenciamento para alterações na barragem da Mina do Córrego o Feijão. O secretário foi nomeado pelo então governador, Fernando Pimentel (PT), e assinou a Deliberação Normativa 2017 duas semanas depois.

O trabalho do Repórter Brasil mostra que, em alguns casos, a norma permite o rebaixamento do potencial de risco das barragens, podendo levar à redução do processo de licenciamento para apenas uma etapa. Antes eram três fases de aprovação para a obtenção das licenças.

O órgão ambiental do governo de Minas declara que a escolha de Germano Luiz Gomes Vieira, que permaneceu para a gestão do governador Romeu Zema (Partido Novo), atende requisitos técnicos e de interesse público.

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Fotos de 1 5: EBC/foto 6: Reprodução


Redação Hypeness
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