Seleção Hypeness

Viva essepê! Roteiros inusitados pelas cinco zonas de São Paulo

por: Brunella Nunes

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Qual é a boa de hoje? Taí uma pergunta eterna, com resposta sem sempre empolgante. Se você mora em Sampa ou vai passear por aqui, esqueça Parque do Ibirapuera ou Theatro Municipal por alguns minutos. A cidade é tão absolutamente diversa que fica apertada dentro dos roteiros convencionais de “paradas obrigatórias”. Deixe-se levar por outros encantos da babilônia na nossa lista de lugares inusitados pelas cinco zonas de São Paulo, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, sem esquecer o amado Centrão.

É um dilema fazer escolhas quando as opções são infinitas. Que atire a primeira pedra quem nunca apelou para o Google na hora de sair e simplesmente ficou a ver letrinhas, com zero direcionamento para encontrar algo que realmente valha a saída e vários links abertos a troco de nada. Informação demais cansa, né? Quando a gente quer uma coisinha mais alternativa, bem longe daquilo que todo mundo já falou 500 vezes, pior ainda!

Pois bem. Cá estou eu novamente com a missão de te tirar de casa, pra um rolê diferentão, daqueles que você pode falar: “desde quando existe isso aqui, gente?!”. Bora lá!

Centro

Rolê ao ar livre: a região central consegue ter uma praças agradáveis e amplas, como é o caso da Dom José Gaspar. Mas fugindo do óbvio e indo lá para o lado do Brás, chegamos ao Parque Municipal Benemérito José Brás, que foi implantado à pedido da população. Não é dos mais arborizados, mas tem boa infraestrutura, com áreas ajardinadas, quadras poliesportivas, aparelhos de ginástica, playground, pista de cooper e caminhada, área de eventos e apresentações culturais, entre outros.

Rolê cultural: houve um tempo, em que a escola Liceu de Artes e Ofícios, fundada em 1873, ficou marcada pelos grandes talentos que revelava nas artes e no design, como Victor Brecheret; Alberto Santos Dumont; Adoniran Barbosa. Ganhou muita notoriedade, se modernizou e segue na linha de ensino técnico gratuito. Acontece que além da sala de aula, há um centro cultural aberto ao público. Depois de sofrer as duras penas de um incêndio, em 2014, voltou a funcionar com espaço expositivo, palestras e oficinas. Abre de terça a sábado, das 12h às 17h.

Rolê histórico: sabia que o Edifício Sampaio Moreira foi o primeiro arranha-céu de São Paulo? Depois de ficar sete anos em obras de restauração, o prédio de 50 metros de altura na rua Líbero Badaró reabriu como nova sede da Secretaria Municipal de Cultura e vai reabrir, de forma inédita, para o público em visitações guiadas. Vai dar para ver de pertinho os detalhes da construção de 1924 e aproveitar a vista maravilhosa da cobertura. Não vá embora sem dar uma espiada na Mercearia Godinho, que é anexada ao local, mas chegou primeiro: está ali desde 1890.

Rolê gastronômico: a Vila Buarque é o puro creme do hype agora. Mas alguns lugares fogem do apelo visual e tampouco precisa dele, porque a comida é simplesmente muito boa! É o caso do Majâz, um lugar simples e jeitoso que serve uma ótima comida caseira palestina. Chegam na mesa porções generosas de pastinhas homus com sabor (manjericão e beterraba!), pão pita, falafel, mansaf (carne com iogurte e arroz árabe) e outras delícias do Oriente Médio. Tem opções vegetarianas e vegans também.

Zona Sul

Rolê ao ar livre: os parques da Zona Sul mais próxima do centro da cidade já são bem queridinhos pelos paulistanos. Andando pelas bordas, seguindo os passos da Represa Billings, você chega na Área de Proteção Ambiental Bororé-Colônia e, consequentemente, ao Parque Shangrilá. A iniciativa visa exatamente a preservação desse cantinho tão valioso em SP, na região do Grajaú, que merece mais destaque! O espaço verde conta com playground, quadra de areia, viveiro, nascentes, horta e trilhas monitoradas.

Rolê cultural: o trecho entre Bixiga e Bela Vista é uma maravilha para andar a pé, porque tem várias coisas pra você olhar. E é ali que está o Teatro Oficina Uzyna Uzona, um espaço incrível projetado por Lina Bo Bardi e que foi alvo de uma treta recente entre Silvio Santos e Zé Celso, idealizador do grupo teatral. Diferente da experiência palco e plateia, o local tem estrutura horizontal, mudando completamente a experiência de assistir a uma peça.



Rolê histórico:
ali no Campo Belo estão as duas casas de João Batista Vilanova Artigas, personagem emblemático da nossa sociedade, ativista, arquiteto e um dos criadores da chamada “escola paulista de arquitetura”. Construída em 1942, exibe características marcantes do modernismo brasileiro, seguindo irregularidade num espaço e racionalidade no outro, além de utilizar itens considerados populares e econômicos. A atração pode ser visitada aos finais de semana, mediante agendamento prévio.Acompanhar de perto seu processo criativo certamente é inspirador!

Foto por Nelson Kon

Rolê gastronômico: missão quase impossível escolher apenas uma opção na região, mas partindo do princípio de lugares inusitados, vamos lá! Numa travessa do fervo da Rua Augusta, você pode avistar umas luzes coloridinhas na calçada e tudo bem, pode até passar batido. Mas é subindo as escadas numa portinha, que você chega não apenas nas outras luzes coloridas do peculiar Up Bar & Cozinha, mas num dos terraços mais delicinhas dessa cidade. Vai lá curtir essa magia toda entre neons e luminárias asiáticas.

Zona Leste

Rolê ao ar livre: ali na Vila Prudente tem uma joia paulistana: o Parque Ecológico Professora Lydia Natalizio Diogo. Em seus 60 mil m², além de uma bela área verde, tem playground, pista de cooper e caminhada, viveiro, equipamentos de alongamento e ginástica de baixo impacto e um jardim japonês com direito a lago, cascata e carpas. Além disso, tem aulas de Tai-Chi aos domingos. Separe a câmera para muitas selfies!

Rolê cultural: infelizmente, a ZL enfrenta muitos problemas na ala cultural, por desinteresse e descaso do Poder Público. Manter um espaço aberto é, por si só, um ato de resistência. É o caso do Largo do Rosário, na região da Penha, que sedia diversas manifestações culturais, tendo como pano de fundo a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, erguida em 1802 pela antiga Irmandade dos Homens Pretos, composta por pessoas escravas em situação de liberdade. É um forte ponto de influência da cultura negra de SP, com festejos bonitos de se ver. O largo também recebe as vibrantes apresentações do Circo Teatro Palombar.

Rolê histórico: faz 100 anos que a Vila Maria Zélia existe e tem gente que nunca nem ouviu falar. Entre o Tatuapé e o Belenzinho está a primeira vila operária do Brasil, que era como uma mini cidade. Tombado desde 1922, infelizmente tem mais ruínas do que lugares preservados, mas vale muito o passeio! Cenários bucólicos de um tempo que teima em resistir.

Rolê gastronômico: a atmosfera descontraída e o clima de estar na casa de alguém querido para jantar é o que leva pessoas de várias regiões de São Paulo até o Borgo, na Mooca. O chef e anfitrião Matheus Zanchini cria pratos gourmet da cozinha italiana, alterados de acordo com ingredientes sazonais. Espaguete na tinta de lula com frutos do mar se destaca no menu.

Zona Norte

Rolê ao ar livre: a ZN tem o privilégio de abrigar nada mais, nada menos do que o maior parque municipal de São Paulo. Para os lados de Perus, que faz divisa com a Zona Oeste, o Parque Anhanguera ocupa a área de 9.500.000 m², onde antigamente funcionava o sítio Santa Fé. Porém, o público tem “apenas” 400.000 m² para desfrutar, pois o restante é preservado. Conta com imensos bosques, ciclovia, quadras, quiosques, playgrounds, orquidário e um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres.

Rolê cultural: dentro do belo parque do Horto Florestal está o Museu Florestal Octávio Vecchi, que ocupa um casarão antigo. Inaugurado em 1930, conta com um acervo todo em madeira, extraída diretamente do parque. Do piso aos lustres, tudo o que se vê provem das árvores. É uma maneira de aproximar as pessoas da botânica e suas maravilhas. Cada mínimo detalhe foi projetado e desenhado pelo cientista português que dá nome ao local.

Rolê histórico: já ouviu falar no Sítio Morrinhos? No meio do conjunto arquitetônico que passa pelos séculos 18, 19 e 20 funciona o Centro de Arqueologia de São Paulo. A propriedade rural no Jardim São Bento, onde viveu a família Baruel, está rodeado de árvores ornamentais e frutíferas. Reabriu ao público em 2008 e tem entrada franca.

Rolê gastronômico: no meio das casas do Jardim França está um restaurante romântico que já é um tanto disputado na região. Com ambiente intimista e uma varandinha agradável, o Vila Bistrô Parolari serve pratos com toques contemporâneos das cozinhas franco-italianas. Lagosta ao champanhe, bacalhau tailandês e lasanha artesanal de vegetais estão entre as opções. Faça reserva antes de ir.

Zona Oeste

Rolê ao ar livre: o Parque Colina de São Francisco é para quem quer se refugiar do sol escaldante da cidade ou de qualquer outra coisa, porque fica um tanto escondido. Rodeado de árvores enormes, tem bastante ar puro entre suas passarelas, além de pista de caminhada, paraciclo, miniplaygrounds, praça de jogos e piquenique. É bem cuidado, pois conta também com o trabalho extra dos moradores, que realiza mutirões de limpeza.

Rolê cultural: se você curte produções audiovisuais ou quer conhecê-las mais de perto, então precisa ir até a Associação Cultural Videobrasil, ou simplesmente Galpão VB. O edifício na Vila Leopoldina reúne obras da América Latina, África, Leste Europeu, Ásia e Oriente Médio, clássicos da videoarte, produções próprias e uma vasta coleção de publicações sobre arte (são mais de 3.200 títulos). Além disso, promove oficinas, debates, exposições e uma bienal de arte contemporânea.

Rolê histórico: o Museu Histórico Professor Carlos da Silva Lacaz, em Pinheiros, é uma das poucas opções históricas abertas ao público nos entornos da região. O lindo edifício, inaugurado em 1977 e revitalizado em 2008, é dedicado à trajetória da medicina, contanto com exposições temáticas que vão se renovando ao longo do tempo.

Rolê gastronômico: a Zona Oeste tem tanta opção, mas tanta opção nessa categoria, que fica difícil escolher uma. Saindo do burburinho entre Pinheiros e Vila Madalena, te propomos uma ida ao bairro do Limão, onde fica o Piazza Zini. O restaurante italiano é pra lá de charmoso, com enoteca, empório, gelateria e outros dois plus: um museu do macarrão, que exibe maquinário antigo de fazer massas, vindos diretamente de Milão; e um telhado verde, ou melhor, uma horta orgânica recheada de ingredientes fresquinhos que vão para o prato!

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Fotos: divulgação/Prefeitura e Governo de SP


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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