Seleção Hypeness

O poder da mentira usado para o ódio: 11 quadrinhos com muito a dizer sobre autoritarismo

por: Caio Delcolli

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A democracia está em crise. Nos últimos anos, líderes autoritários e demagógicos têm sido eleitos mundo afora, dos mais distintos matizes políticos, de Donald Trump até Nicolás Maduro. Todos eles, à esquerda e à direita, têm deixado o mundo atento a seus histrionismos e desmandos.

Uma excelente maneira de conhecer essas experiências políticas e os efeitos que elas têm na vida íntima de indivíduos e suas famílias, as marcas que ficam na memória, a disseminação de medo e ódio como modus operandi é por meio dos quadrinhos.

Will Eisner, Art Spiegelman, mas, claro, os X-Men de Chris Claremont são grandíssimos expoentes das denúncias contra o autoritarismo por meio da oitava arte.

Na Seleção Hypeness de hoje, seguem alguns dos clássicos mais conhecidos do gênero, mas também indicações que talvez você não conheça.

Bora dar um passeio pelo o que há de mais rico na biblioteca de histórias em quadrinhos que retratam autocracia, violência e autoritarismo?

Boa viagem, amigos.

1. ‘A Morte de Stálin’, de Fabien Nury e Thierry Robin

De repente, Josef Stálin infarta e, pimba, cai morto no chão. Após mais de 30 anos como o todo-poderoso da União Soviética, já não pertence mais ao ditador o controle do reinado de medo que seu governo impôs ao país — e o cargo de primeiro-ministro do Partido Socialista começa a ser disputado minuto a minuto entre seus aliados. Nesta história — cuja adaptação para o cinema está disponível no Amazon Prime Video — a disputa por poder é retratada na forma de uma sátira política, em que nenhum dos personagens escapa ileso do humor corrosivo de Fabien Nury (texto) e Thierry Robin (arte).

Editora: Três Estrelas
Páginas: 152
Preço: R$ 49,90

2. ‘Maus’, de Art Spiegelman

Neste quadrinho autobiográfico e vencedor do Pulitzer, Art Spiegelman aborda seu complicado relacionamento com o pai, Vladek, um judeu polonês que sobreviveu a Auschwitz durante o Holocausto. Vladek conta ao filho como foi o período no campo de concentração e Art, por sua vez, tenta digerir o sombrio relato do pai, enquanto passa a entender Vladek com um novo olhar. Em Maus, os judeus são retratados como ratos e, os nazistas, como gatos; americanos e poloneses não-judeus são cachorros e porcos, respectivamente. A obra, desenhada toda em preto e branco, é conhecida também por abordar o trauma que a perseguição nazista causou em suas vítimas. Obrigatório.

Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas: 296
Preço: R$ 59,90

3. ‘X-Men: Deus Ama, o Homem Mata’, de Chris Claremont e Brent Anderson

O televangelista e ex-militar William Stryker tem uma campanha pública de ódio contra os mutantes: ele acredita que os portadores do gene X são uma maldição satânica para destruir a humanidade. Após um debate na TV com Charles Xavier, os capangas de Stryker o raptam para forçá-lo a usar seus poderes telepáticos em uma máquina, com o objetivo de matar todos os mutantes da Terra. Os X-Men e Magneto se unem para resgatar Xavier e impedir o genocídio. Lançado originalmente em 1982, “Deus Ama e o Homem Mata” serviu de inspiração para o enredo de X-Men 2, filme lançado em 2003.

Editora: Panini
Páginas: 104
Preço: R$ 22,90

4. ‘X-Men: Dias de um Futuro Esquecido’, de Chris Claremont e John Byrne

Em um futuro distópico, repleto de escombros e medo, os mutantes são perseguidos por Sentinelas, robôs gigantescos que rastreiam quem tem o gene X no DNA. Presos em campos de concentração, eles se unem para voltar no tempo e evitar o acontecimento que inicia o programa Sentinela: a telepata Rachel Summers envia a mente de Kitty Pride para o corpo da garota no passado, com a missão de impedir que Mística assassine o senador Robert Kelly, um ultraconservador que prega ódio aos mutantes. O quadrinho, lançado em 1981, foi adaptado para o cinema em 2014.

Editora: Panini
Páginas: 184
Preço: R$ 68

5. ‘O Complô: A História Secreta dos Protocolos dos Sábios do Sião’, de Will Eisner

Qual é um dos melhores instrumentos para espalhar medo e ódio? Se você pensou em mentiras, acertou — e é este o tema que Will Eisner (1917–2005) aborda em O Complô. Nesta HQ de não ficção, o texto antissemita “Os Protocolos dos Sábios de Sião” é criado por Mathieu Golovinski, um espião da Rússia czarista infiltrado na França, e sugere que judeus conspiram para dominar a economia mundial e estão por trás de revoltas no país governado por Nicolau II. Mesmo contestado por fatos, anos depois o texto é usado por nazistas como justificativa para colocarem seus planos em circulação. Eisner, ele próprio judeu e autor de quadrinhos prestigiados, como “The Spirit”, “Nova York” e “Coração da Tempestade”, investiga em “O Complô” o poder da mentira usado a favor do ódio, em uma narrativa que abrange mais de um século de História. Trata-se da última obra do autor, que decidiu concebê-la após saber que meios de comunicação divulgavam o texto de Golovinski — algo feito até hoje em dia na internet.

Editora: Quadrinhos na Cia
Páginas: 160
Preço: R$ 52,90

6. ‘V de Vingança’, de Alan Moore e David Lloyd

“V de Vingança” tem como pano de fundo um futuro em que o Reino Unido é governado por neofascistas, após bom pedaço da Terra ter sido destruído por uma guerra nuclear. O terrorista V, que se veste de preto e usa uma máscara de Guy Fawkes — um dos principais personagens da Conspiração da Pólvora de 5 de novembro de 1605 —, persegue membros do governo para assassiná-los, enquanto planeja explodir o parlamento. O caminho dele cruza com o da adolescente Evey, a quem V protege e inspira a seguir seus passos em uma campanha popular que defende a troca da democracia pelo anarquismo. Em 2006, foi lançada a adaptação do quadrinho para um filme com Natalie Portman.

Editora: Panini
Páginas: 304
Preço: R$ 90

7. ‘O Perfuraneve’, de Jacques Lob, Jean Marc-Rochette e Benjamin Legrand

Um desastre climático causa uma nova era do gelo no planeta e o trem Perfuraneve transporta os últimos humanos ainda vivos, avançando pela imensidão branca em que a Terra se transformou. Nos vagões da frente moram os mais ricos e, nos de trás, os mais pobres, que vivem em condições desumanas. A tensão dentro do trem ultrapassa o limite do suportável quando se descobre que os ricos planejam deixar para trás os vagões dos pobres para o trem, já dando sinais de desgaste, conseguir continuar com a viagem. “O Perfuraneve” é considerada uma das principais narrativas dos quadrinhos europeus. Sua adaptação para cinema foi lançada em 2013; atualmente, uma série baseada na obra está em produção para o canal TNT.

Editora: Aleph
Páginas: 280
Preço: R$ 66,90

8. ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’, de Frank Miller

Neste clássico das HQs de super-heróis, o cultuado roteirista e desenhista Frank Miller imagina um período distópico em que o Batman está velho, amargurado e exausto, mas decide voltar à ativa como vigilante de Gotham para combater uma gangue criminosa. Isso chama a atenção do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, que contata Superman e pede que este pare o Homem-Morcego. “O Cavaleiro das Trevas” comenta as medidas extremas de Batman no combate ao crime, o sensacionalismo em veículos de comunicação e retrata Reagan como um presidente caricato e pateta. A edição definitiva da Panini também traz a sequência desta história.

Editora: Panini
Páginas: 516
Preço: R$ 94

9. ‘Saga’, de Brian K. Vaughan e Fiona Stapples

Um dos quadrinhos mais celebrados dos últimos anos, “Saga” conta a história de dois alienígenas que se apaixonam, têm uma filha e fogem juntos de seus respectivos planetas, pois ambos estão em guerra há anos. A fuga movimenta uma turba de caçadores de recompensa  e fantasmas — e mostra de dentro as fissuras de ambos os governos e o conflito bélico em toda a sua complexidade.

Editora: Devir
Páginas: 168
Preço: R$ 59,90

10. ‘Watchmen’, de Alan Moore e Dave Gibbons

“Quem vigia os vigilantes?”, pergunta uma sociedade em que super-heróis perdem a credibilidade: eles estão aposentados ou trabalham a serviço do governo. No entanto, um grupo deles se vê obrigado a se unir após um desses super-heróis ser assassinado em circunstâncias misteriosas. Ambientado em um futuro em que os EUA vencem a Guerra do Vietnã, estão perto de iniciar uma terceira guerra mundial com a União Soviética e Richard Nixon ainda é presidente, Watchmen é outro marco dos quadrinhos, um clássico definitivo que até hoje cativa leitores e inspira quadrinistas. Uma adaptação para cinema foi lançada em 2009. E a série da HBO está vindo ainda neste ano.

Editora: Panini
Páginas: 460
Preço: R$ 110

11. ‘Kaputt’, de Curzio Malaparte e Guazzelli

Curzio Malaparte foi jornalista durante a Segunda Guerra Mundial e cobriu o conflito para o jornal Corriere della Sera. Ele escreveu seis contos semi-ficcionais lançados no livro best-seller Kaputt em 1944, uma importante peça da literatura italiana, em que explora diferentes aspectos da guerra, como racismo, xenofobia e a desumanização dos indivíduos. O quadrinista brasileiro Eloar Guazzelli adaptou o livro de Malaparte para este quadrinho homônimo.

Editora: WMF Martins Fontes
Páginas: 184
Preço: R$ 59

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