Debate

A controversa história da ‘filha’ de Damares expõe a vulnerabilidade do povos indígenas

por: Redação Hypeness

A revista Época publicou uma reportagem questionando a legitimidade do processo de adoção feito por Damares Alves. Há cerca de 15 anos atrás, a pastora evangélica adotou a índia Kajutiti Lulu Kamayurá, membra da aldeia Kamayurá, reserva no norte de Mato Grosso.

Lulu nasceu em maio de 1998 e segundo os kamayurás e a avó paterna, responsável pela criação da índia, a menina foi levada sem autorização. Ela deixou a aldeia dizendo que iria fazer um tratamento dentário na cidade e nunca mais voltou. O relato da velha senhora, Tanumakaru, de pele marcada pela passagem do tempo, afirma que Damares Alves e Márcia Suzuki, amiga e braço direito da ministra do governo bolsonaro, se apresentaram como missionárias preocupadas com a saúde bucal da criança.

Durante todo esse tempo, a adoção nunca foi formalizada. “Chorei, e Lulu estava chorando também por deixar a avó. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?”, questiona Tanumakaru.

Damares Alves manteve silêncio sobre o processo de adoção

Damares Alves se coloca como “cuidadora” de Lulu e afasta a hipótese de sequestro. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos se manifestou por meio de nota e sublinhou a existência de um “vínculo socioafetivo” com Kajutiti Lulu Kamayurá.

“Lulu não foi arrancada dos braços dos familiares. Ela saiu com total anuência de todos e acompanhada de tios, primos e irmãos para tratamento ortodôntico, de processo de desnutrição e desidratação. Também veio a Brasília estudar”.

Damares, no entanto, manteve silêncio sobre o processo de adoção.

“Lulu não é pessoa pública. É maior de idade. Não foi sequestrada. Saiu da aldeia com familiares, foi e é cuidada por Damares com anuência destes. Nenhum suposto interesse público no caso deveria ser motivo para a violação do direito a uma vida privada, sem tamanha exposição”, encerra a nota emitida pelo ministério.

Para Lulu foi “amor à primeira vista”

A jovem concedeu entrevista ao UOL e pareceu preocupada com os questionamentos da reportagem. Para Lulu foi “amor à primeira vista”. A índia continua, “ela se apaixonou por mim e depois eu por ela. O resto é tudo mentira”.

Lulu tem 20 anos e passa a maior parte do tempo desenvolvendo ações missionárias pelo Brasil. Ela teria conhecido Damares Alves quando ficou hospedada em uma casa da organização de Márcia Suzuki. A índia ressalta que tudo ocorreu com autorização dos pais.

Ela prefere ser esquecida e afirma que Damares está triste com a repercussão. Lulu revela ter voltado ao Xingu quando fez 15 anos.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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