Debate

A poderosa resposta de Elza Soares à festa da diretora da Vogue

por: Redação Hypeness

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A foto racista no aniversário de Donata Meirelles foi o assunto mais comentado do fim de semana. A diretora da revista Vogue aparece sentada em uma cadeira ao lado de duas mulheres negras vestidas de baianas.

A composição de uma mulher branca cortejada por duas negras remeteu ao que há de pior na história brasileira, a escravidão. Além do incômodo gerado pela imagem, o silêncio de celebridades como Caetano Veloso – que tocou no aniversário de Donata, chamou a atenção.

Elza Soares não se calou. A “mulher do fim do mundo” reafirmou o papel de combate ao racismo em postagem contundente no Instagram. “Gentem, sou negra e celebro com orgulho a minha raça desde quando não era ‘elegante’ ser negro nesse país”, escreve.

“Protesto pelos direitos da minha raça”

Sentada em um trono, Elza destacou a luta pela o direito de existir de pessoas negras em um país tão racista quanto o Brasil. As décadas de experiência da artista mostram como costumes escravocratas permanecem enraizados na sociedade.

“Quando preto não usava o elevador dos ‘patrões’. Quando pretos motorneiros dos bondes eram substituídos por brancos em festividades com a presença de autoridades de pele branca. Da época em que jogadores de um clube carioca passavam pó de arroz no rosto para entrarem em campo, já que não “pegava bem” ter a pele escura. Desde que os garçons de um famoso hotel carioca não atendiam pretos no restaurante. Éramos invisíveis”.

A própria carreira de Elza Soares é preenchida com tais marcadores. Carioca do “planeta fome”, desta forma a cantora se autodeclarou no programa de calouros de Ary Barroso na década de 1950. A artista cortou um dobrado para se manter viva cuidar dos filhos. Realidade comum entre mulheres negras brasileiras.

Elza falou de forma contundente

“Celebro minha raça desde o tempo em que gravadoras não davam coquetel de lançamento para os ‘discos dos pretos’. Celebro minha origem ancestral desde que “música de preto” era definição de estilo musical. Grito pelo meu povo desde a época em que se um homem famoso se separasse de sua mulher para ficar com uma negra, essa ganhava o ‘título’ de vagabunda, mas não acontecia se próxima tivesse a pele ‘clara’”.

O desabafo em forma de alerta de Elza Soares mostra como a exploração da mão de obra e dos corpos negros ainda é uma cicatriz aberta no coração Brasil. Seja pela ausência destes corpos em espaços de poder e abundância dos mesmos em cemitérios e penitenciárias, ou pela atitude de figuras como Donata Meirelles.

O trono para quem lhe é de direito

“Sou bisneta de escrava, neta de escrava forra e minha mãe conhecia na fonte as histórias sobre o flagelo do povo negro. Protesto pelos direitos da minha raça desde que preta não entrava na sala das sinhás. Gentem, essas feridas todas eu carreguei na alma e trago as cicatrizes. A maioria do povo negro brasileiro. Feridas que não se curaram e são cutucadas para mantê-las abertas demonstrando que “lugar de preto é nessa Senzala moderna”, disfarçada, à espreita, como se vigiasse nosso povo. Povo que descende em sua maioria dos negros que colonizaram e construíram o nosso país”.

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Gentem, sou negra e celebro com orgulho a minha raça desde quando não era “elegante” ser negro nesse país. Quando preto não usava o elevador dos “patrões”. Quando pretos motorneiros dos bondes eram substituídos por brancos em festividades com a presença de autoridades de pele branca. Da época em que jogadores de um clube carioca passavam pô de arroz no rosto para entrarem em campo, já que não “pegava bem” ter a pele escura. Desde que os garçons de um famoso hotel carioca não atendiam pretos no restaurante. Éramos invisíveis. Celebro minha raça desde o tempo em que gravadoras não davam coquetel de lançamento para os “discos dos pretos”. Celebro minha origem ancestral desde que “música de preto” era definição de estilo musical. Grito pelo meu povo desde a época em que se um homem famoso se separasse de sua mulher para ficar com uma negra, essa ganhava o “título” de vagabunda, mas não acontecia se próxima tivesse a pele “clara”. Sou bisneta de escrava, neta de escrava forra e minha mãe conhecia na fonte as histórias sobre o flagelo do povo negro. Protesto pelos direitos da minha raça desde que preta não entrava na sala das sinhás. Gentem, essas feridas todas eu carreguei na alma e trago as cicatrizes. A maioria do povo negro brasileiro. Feridas que não se curaram e são cutucadas para mantê-las abertas demonstrando que “lugar de preto é nessa Senzala moderna”, disfarçada, à espreita, como se vigiasse nosso povo. Povo que descende em sua maioria dos negros que colonizaram e construíram o nosso país. Hoje li sobre mais uma “cutucada” na ferida aberta do Brasil Colônia. Não faço juízo de valor sobre quem errou ou se teve intenção de errar. Faço um alerta! Quer ser elegante? Pense no quanto pode machucar o próximo, sua memória, os flagelos do seu povo, ao escolher um tema para “enfeitar” um momento feliz da vida. Felicidade às custas do constrangimento do próximo, seja ele de qual raça for, não é felicidade, é dor. O limite é tênue. Elegância é ponderar, por mais inocente que sua ação pareça. A carne mais barata do mercado FOI a carne negra e agora NÃO é mais. Gritaremos isso pra quem não compreendeu ainda. Escravizar, nem de brincadeira. Seguimos em luta ✊🏾

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Fotos: Reprodução


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