Debate

Agredido a socos por aluno de 14 anos, professor desiste da carreira ‘Não quero mais dar aula’

por: Redação Hypeness

Mais um caso de agressão. Mais um professor traumatizado. “Não quero mais dar aula”, lamenta Paulo Rafael Procópio, de 62 anos. Ele ficou com o rosto ensanguentado depois de ser agredido dentro da sala de aula em Lins, no interior de São Paulo.

São 20 anos de vida dedicada ao magistério. Paulo foi atacado por um aluno de 14 anos. O educador se diz assustado com a violência. Paulo Procópio leciona história e geografia há três anos na escola estadual Octacílio Sant’anna. Já podia se aposentar, mas seguiu trabalhando.

“Estou horrorizado. A gente sempre ouvia falar em casos de violência dentro de salas de aula, mas confesso que nunca imaginei passar por isso. Já estava decepcionado com a falta de respeito dos alunos, mas essa agressão foi demais”, declarou ao G1.

Paulo já está aposentado, mas seguiu dando aulas

Outro caso de agressão foi registrado em Lins. Um professor de 41 anos e um cuidador de 23 foram agredidos e ameaçados por um aluno de 12. Segundo o Boletim de Ocorrência, o estudante estaria irritado porque não tinha caneta.

A Polícia Civil assegurou o encaminhamento dos dois eventos para a Vara da Infância e Juventude. A Secretaria Estadual de Educação se manifestou por meio de nota. O órgão informa que “realiza trabalho junto a crianças em situação de vulnerabilidade social para coibir situações de violência nas escolas”.

Problemas e soluções

O cenário da educação no Brasil é preocupante. Não é de hoje que, além de serem mal remunerados, professores convivem com a falta de condições e ameaças que dificultam o trabalho cotidiano.

O Hypeness mostrou nesta matéria que somados, racismo e falta de investimentos fazem do Brasil o país mais violento do mundo para professores.

A educação sobrevive com iniciativas corajosas de pequenos grupos

“A longa exposição à situações de desvalorização causa efeitos múltiplos de dor, angústia, insegurança, auto-censura, rigidez, alienação, negação da própria natureza e outros, deixando marca profundas na psique”, aponta estudo comandado pelo Instituto AMA Psique Negritude sobre os efeitos psicossociais do racismo.

Diante da inércia do Estado, a união de estudantes e professores comprometidos com a educação faz a diferença. Uma escola de Boston resolveu substituir seguranças por professores de educação artística para diminuir a violência. Como mostrou o Hypeness, os alunos recebem aulas de teatro, música e dança.

O movimento March For Our Lives (Marcha Pelas Nossas Vidas) revelou o protagonismo de uma jovem estudante de 11 anos. Naomi Wadler discursou contra a presença de armas nas escolas e comoveu todos ao pedir um minuto de silêncio em memória de jovens negros mortos diariamente dentro e fora de instituições de ensino norte-americanas.

Mais de 200 pessoas perderam sua vida em tiroteios em escolas nos EUA

Desde 1999, mostra o jornal Washington Post, mais de 200 pessoas perderam suas vidas em escolas dos Estados Unidos. 187 mil estudantes de 193 escolas já presenciaram tiroteios.

Por isso, a criação de uma rotina de afeto ♥ em uma escola do Texas é fundamental para amenizar os efeitos da violência. Todos os dias ao chegar na sala de aula, os estudantes do jardim de infância apertam as mãos uns dos outros. O ritual afetivo é iniciativa da professora Ashley Coston Taylor.

“Quando vejo a direção que o mundo está seguindo, isso me lembra de que o que eu estou fazendo irá fazer a diferença”, escreveu no Facebook.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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