Arte

Após 40 anos, Martinho da Vila desanima: ‘Cansado de cantar que a vida vai melhorar’

por: Redação Hypeness


Martinho da Vila está desanimado e nós precisamos nos preocupar. “Estou cansado de cantar que a vida vai melhorar”. A declaração foi feita à coluna de Marina Caruso, no jornal O Globo.

Pudera, o sambista carioca canta há 40 anos que “a vida vai melhorar”. Martinho, com 81 anos completos no último dia 12, disse que não perdeu o otimismo, mas “é difícil imaginar que vá mesmo melhorar”, admite.

Cantor, escritor e tema do desfile da escola de samba Unidos do Peruche no Carnaval de São Paulo em 2018, Martinho da Vila demonstra desânimo com o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e lamenta a prisão de Lula (PT).  

Martinho desanimou, mas não desistiu

“É uma injustiça muito grande. Não precisa ser lulista para lembrar que com ele o Brasil tava lá em cima, era outro país. Uma pessoa dessa estar presa por um fato miúdo, e sem prova… Acho que ele não vai sair tão cedo. O Bolsonaro falou, ele vai mofar na cadeia”, refletiu.

Embora cansado, Da Vila ainda acredita em futuro melhor para o povo sofrido do Brasil. “O pessimista já perdeu a guerra”. A alegria de viver reflete na ótima relação com os seis filhos. Mart’nália, por exemplo, é assumidamente lésbica. Nenhum problema para Martinho.

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“Não teve um papo sério, nada disso. Quando vi, ela tava noutra, achei normal”.

O cantor de clássicos como Ex-Amor não tem medo de se envolver em assuntos tidos como ‘polêmicos’. Martinho é enfático ao endossar a criminalização da homofobia, que está em discussão no Supremo Tribunal Federal.

Com Mart’nália é só amor

“Tem que criminalizar. A natureza fez o gay, tem que entender. O discurso do Bolsonaro estimula a violência. Até a forma de ele falar. Você ouve a discussão com o ministro, não parece um presidente, mas dois caras discutindo na rua”, pontua.

Sobre racismo, divide a sabedoria de um homem negro octogenário e que sabe muito bem das, como diria Jorge Aragão, coisas de pele. Do alto da vida bem vivida, ele enxerga com surpresa a polemização do racismo e homofobia.  

“Antes, muita coisa era por baixo do pano, as pessoas não tinham espaço para falar. Quem faz piada racista diz que não é racista, mas é. A mesma coisa o homofóbico. Acho incrível, no tempo de hoje, esse assunto ainda existir”.

Concorde ou não, Martinho da Vila é um dos grandes nomes da cultura brasileira. São 15 livros escritos e diploma de Relações Internacionais aos 79 anos. “Queria ficar mais gabaritado”.

Martinho como tem que ser, feliz no Carnaval da Vila Isabel

Ao lado de Dona Ivone Lara, Cartola, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, entre outros, o artista de Vila Isabel representa como poucos a sabedoria de um brasileiro que vai devagar, devagarinho, mas presta atenção em tudo.

“Fazer 80 é gozado, é festa. Mas quando você faz 81… é uma idade! Devo ter mais uns 15 anos. Dá pra escrever 15 livros, 15 sambas-enredo, gravar 15 discos… Minha mãe morreu com 96. Não tenho medo da morte. É uma coisa certa”.

Leia a entrevista completa aqui.


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Fotos: Reprodução/Instagram


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