Debate

Cerveja portuguesa diz que vai ‘conquistar a África’ e recebe chuva de críticas

por: Redação Hypeness

Os efeitos da colonização portuguesa em países africanos é sentido até os dias de hoje. O período das Grandes Navegações está na prateleira das ações mais selvagens que se tem notícia.

No entanto, a escravização do negro, o furto de riquezas e as inúmeras mortes causadas nos navios negreiros parece ser café pequeno para uma marca de cerveja de Portugal.

“Os portugueses são conquistadores. Gostam de deixar marca por onde passam”, diz o anúncio publicado pela Quinas no Facebook anunciando a chegada dos produtos na África do Sul.

Chamar de insensibilidade é pouco

A postura causou espanto pela falta de sensibilidade com o passado de dor provocado pela agressividade o instinto de domínio de Portugal. Durante séculos, países como Angola, Moçambique e outras nações do Oeste Africano sofreram com o Imperialismo. O processo de dominação abalou politicamente e economicamente os países de África.

Em 1482, uma dúzia de navios portugueses ancoraram no oeste africano. A missão dada pelo rei dom João 2º era construir uma fortaleza militar e defender os interesses econômicos de Portugal na região.

Não demorou muito e os primeiros grupos de negros foram empilhados em navios. A maioria saiu da então Costa do Ouro, hoje Gana, com um destino: Brasil. A viagem nas águas Atlânticas foi cercada de horror. Homens e mulheres jogados ao mar. Chibatadas. Corpos de gente morta ao lado dos vivos. Pouca comida. Quase nada de água.

Resistência, sempre!

Na chegada, muito trabalho. Catequização católica para que eles esquecessem suas religiões nativas. Orixá é coisa do demônio. Bruxaria, diziam os capitães portugueses. A crueldade reinou. Em África e no Brasil.

Estima-se que em três séculos, navios de Portugal e do Brasil fizeram mais de 11,4 mil viagens com escravizados. Cerca de 9,2 mil ancoraram na costa brasileira. Os dados são do projeto The Trans-Atlantic Slave Trade Database.

“Os portugueses são os primeiros a iniciar o comércio de escravos no Atlântico. Durante algumas décadas, são praticamente só eles que fazem esse tipo de comércio. Não é propriamente um pioneirismo honroso, mas é um fato”, diz à BBC o historiador Arlindo Manuel Caldeira, pesquisador da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e autor do livro Escravos e Traficantes no Império Português.

Os seguidores não acreditaram na seriedade da propaganda

A ferida está aberta não só em África, mas no Brasil. Basta dar uma olhada para a realidade dos negros brasileiros 131 anos depois da abolição da escravidão. Aqui, o processo cruel comandado pelos portugueses durou 300 anos.

Apenas na travessia para a costa da Bahia, perto de 200 mil escravizados morreram. Para o Rio de Janeiro, outros 200 mil perderam a vida. As informações são do mesmo The Trans-Atlantic Slave Trade Database.

Para a Quinas, os horrores deste período nefasto da humanidade não importam. “Falamos do presente e do futuro e não do passado”, pontua a marca em resposta aos inúmeros críticos. Os portugueses são “conquistadores”, dizem eles. 

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Fotos: fotos 1, 3, 4, 5 e 6: Reprodução/foto 2: EBC


Redação Hypeness
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