Entrevista Hypeness

Edi Rock homenageia Marielle em novo som e clipe: ‘Ela me influenciou. Ela que puxou o bonde’

por: Vinícius Lima

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No Morro do Turano, favela do Rio de Janeiro, Edi Rock e Xande de Pilares gravaram o clipe de “Corre Neguin”, um samba-rap que segundo Edi, “de certa forma, foi inspirado por Marielle Franco”. O clipe dirigido por Rafael Souza, da Usina Films, foi lançado nesta sexta-feira (22).

O Hypeness pode conferir os bastidores da gravação e bater um papo com o integrante do Racionais MC’s que está prestes a lançar seu próximo disco solo.

“Quando eu recebi a notícia sobre a morte da Marielle, a imagem que me veio foi a de um Beija Flor caindo”, diz Edi Rock. O verso em que faz referência a ex-vereadora do PSOL-RJ assassinada no ano passado, é cantado por Xande de Pilares, que diz “no Morro dos aflitos, cai um beija-flor”. “Ela me influenciou, ela que puxou o bonde”, comenta num segundo papo que teve com o Hypeness, no dia do lançamento do clipe que aconteceu no Itaú Cinema, na última terça-feira (19). Promovido pela Tidal, plataforma de Streaming onde o clipe foi lançado em primeira mão, o evento contou com jornalistas, músicos, amigos do artista, além de assinantes premium do aplicativo.

“Eu fui um desses neguinho que tinha que correr, né. Corri aqui. Nesse lugar, cada passo é uma história”, fala Xande de Pilares sobre o morro do Turano, local onde foi gravado o clipe e onde ele foi criado. E o sambista completa: “Para mim, é uma dupla alegria esse trabalho. Estou alegre porque aqui foi onde cresci e porque sou fã do Edi Rock”.

No dia da gravação, Edi Rock trocou uma ideia, com exclusividade, para o Hypeness.  O artista fala sobre a música nova, o próximo disco e sobre suas raízes e as raízes do Brasil.

Nas próximas linhas, você confere o que de melhor rolou. 

Hypeness: Fala Edi, tudo bem?
Edi Rock: Tudo ótimo. Trabalhando, fazendo um som, fazendo o que acredito. Todo músico quer isso. Então, tá tudo ótimo.

Sobre o que fala a música e o clipe “Corre Neguin”?
ER: O clipe fala sobre a vivência de um menino de periferia igual a todos, é a vida que acontece com vários. Fala do sonho de vencer, de querer ser alguém, espero passar essa esperança no clipe por meio das imagens, a esperança de querer ser alguém na vida. Quando você é pobre, tem poucas opções. É isso que todos querem e é isso que tentei passar

E no seu corre, na sua trajetória, o que mais te marcou?
Na minha? Foram várias fases. 30 anos de rap e o que mais me marca é a superação. Você faz o que você ama, mas não quer repetir. Então, tem que ter sempre a superação. Isso é muito eu, é minha marca. Coloco isso em todas as minhas músicas. Neste trabalho novo não é diferente. Aprendi a fazer rap dessa forma, sendo mensageiro, passando mensagem de esperança

O que te mantinha nessa esperança sem desistir?
O amor pela música, eu amo o que faço, gosto mais do que minha própria vida, ela é minha alma, meu espírito. Só que eu tenho que me cuidar, se não fodeu.

Nessas últimas músicas, com o Pedrinho e com a Simone Brown, vi muito sua história ali.
Sim, sempre procuro falar do meu começo, mas não vou só falar disso. O começo foi um tijolo, agora quero construir mais uma laje, mais tijolo. Nunca esquecendo do começo, mas não preso nele.

O que mudou desse começo pra hoje?
Eu vivo pensando nisso, no que mudou, mas acho que só fiquei mais velho. A intenção é a mesma, o sonho é o mesmo quero que as pessoas curtam e gostem. Sempre que via o Thaíde, os Irmãos Metralha, eu via e queria fazer aquilo. Acho que essa é a meta de um músico, né, fazer as pessoas gostar.

O que você fala para a molecada que quer ‘virar’ na música e não tem um cenário tão favorável?
Você acha que não é favorável? Eu acho que é. No Brasil tem tudo, várias inspirações, várias veias, várias vertentes. Dá pra fazer o que quiser, qualquer ritmo, Ainda mais hoje com a tecnologia. Os moleques fazem funk tomando banho. É só querer, precisa nem saber. Querer e se empenhar, fazer com amor. Acho que é isso que as pessoas não entendem. Música é sentimento e sentimento não dá para entender. Brasil tem inspiração de sobra, calor, sol, praia, misturado com sofrimento, luta, guerra. Tudo isso junto dá muita arte.

Por que não precisa saber?
Nem precisa saber, só por causa da tecnologia. Olha o funk… Quantos são músicos formados? Isso é foda, é bom! Não tem escola, sai rimando já desde moleque. Aprende na internet e é da hora porque faz por diversão, essa é a intenção da música: entreter, divertir.

Nesses trabalhos novos, além de falar da sua história, o que mais te importa dizer?
Quero falar de raízes, das raízes minhas e das raízes brasileiras. O Xande representa o samba, o Pedrinho representa o funk e vão ter outros representando outras raízes.

Pode falar mais?
Tem reggae com o Alexandre Carlo (Natiruts), tem sertanejo com a Marília Mendonça, tem outros rappers. Todos brasileiros, todos raízes e todos meus ídolos. Sou fã de todos.

Ao falar da sua história, você fala de várias outras coisas né?
Não sei fazer de outra forma, todo lugar deixo minha mensagem. Aprendi assim. Quando falo da minha história, falo de amor, falo de alegria, de tristeza. As pessoas se identificam e retribuem, seja em palavras, gestos ou, como hoje em dia, em likes.

Como foi essa parceria com o Xande?
Geralmente vejo a base primeiro, aí já saio criando. Sempre quis fazer um samba e aí o primeiro nome que veio foi o do Xande. A gente se conheceu pessoalmente no Esquenta, ele me tratou muito bem e rolou uma sintonia muito grande porque acho que os dois tem as mesmas raízes, tanto é que a gente faz um dueto, não é uma simples participação.

O disco já tem nome?
Ainda não tem nome, mas vai ser relacionado a raízes. Raízes do rap, do povo brasileiro, do brasil. Raízes musicais, emocionais, culturais e espirituais.

O que é mais rico do povo brasileiro?
A fé. O brasileiro é religioso, né. O brasileiro é um povo que acredita no amanhã. No meu entender, é o que se destaca, essa vontade de sempre superar, viver entre guerra e paz, viver sempre com um governo pisando neles e eles sempre acreditando que é possível, que dá para mudar. Isso é a fé. Essa é a raiz.

Eu, o fã e repórter, e o Edi Rock na premier do clipe em São Paulo

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Divulgação / Tidal


Vinícius Lima
Gosta muito de São Paulo e das histórias das pessoas que vivem nessa cidade. Por isso, criou o "SP Invisível". Histórias mudam nosso coração e nossas ideias, assim como faz com ele todos os dias. Sempre mudando.

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