Debate

Estudantes respondem ministro com campanha para denunciar escolas sucateadas

Redação Hypeness - 27/02/2019

O ministro da Educação orientou os diretores de escolas a filmarem alunos enquanto eles, perfilados, cantam o Hino Nacional. Junto ao ofício, Ricardo Vélez Rodríguez enviou o slogan de campanha de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) – ‘Brasil acima de tudo. Deus acima de todos’, que deveria ser repetido pelos estudantes.

A União Brasileira dos Estudantes (Ubes) lançou uma campanha nas redes sociais para que alunos e professores apontassem problemas nos colégios da ordem de banheiros sem condições de uso, salas sem refrigeração e por aí vai. O vídeo sugere ainda que os professores enviem registros dos contracheques.

O conteúdo deve ser postado na internet acompanhado da hashtag #MinhaEscolaDeVerdade e encaminhado ao e-mail do MEC. Pedro Gorki, presidente da Ubes, justificou a ação na página da organização no Facebook.

O ministro da Educação acumula polêmicas

“Vamos mostrar os verdadeiros problemas na sala de aula, que é a goteira no teto da nossa sala, que é a sala de aula sem professor, porque não pagam salário, que é a quadra e a biblioteca fechadas porque não têm manutenção, que é o chão rachado da nossa escola, que é a nossa escola sem merenda”.

Os vídeos, sonorizados com o Hino Nacional, começaram a ser mandados e ressaltam conhecidas condições precárias das escolas públicas brasileiras. Em São Paulo – maior e mais rica cidade do Brasil, infiltrações inundam salas de aula e atingem a lousa na Escola Estadual Maria Alves, na zona sul da cidade.

Já no Espírito Santo, o teto de uma quadra e carteiras estão avariados na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Jaracaibe. A campanha ganhou endosso do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e viralizou nas redes sociais.

Ministro recua

A proposta do governo federal não foi bem recebida. Críticos ressaltaram a falta de consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que veta a filmagem de menores de idade sem autorização de pais ou responsáveis. O jornal gaúcho Zero Hora publicou um artigo de opinião criticando o movimento e lembrando da Constituição.

“Queremos cantar o Hino Nacional pelo orgulho que sentimos do nosso país, pelos valores que evoca, mas não porque temos de obedecer ao ministro da Educação. Não podemos permitir que a escola seja apequenada e tenha de se perfilar diante do ministro, filmar a atividade como prova de que cumprimos nosso dever. Lembramos também que a escola particular tem autonomia e liberdade para executar seu projeto pedagógico, previstas em Constituição, e isso deve ser respeitado”.

Ricardo Vélez confirmou que a mensagem foi alterada e reencaminhada às escolas sem o slogan de campanha do presidente da República. “Eu percebi o erro e tirei essa frase. Tirei a parte correspondente a filmar sem autorização dos pais”, declarou o ministro colombiano, ressaltando que só vai publicar algo com a permissão dos pais.

Vélez, que há pouco se desculpou por afirmar que brasileiro é “canibal” no exterior, diz que as imagens serão selecionadas “para eventual uso institucional”.

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Foto: EBC


Redação Hypeness
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