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Freira fingiu estar morta para fugir de convento no século 14 em busca de ‘luxúria carnal’

por: Vitor Paiva

Se hoje lêssemos a história da freira Joan em um convento na cidade de York, na Inglaterra, em meados do século 14, contada pela pena de William Shakespeare como uma de suas peças, provavelmente pensaríamos se tratar de algo que só existiria na imensa imaginação do bardo inglês. A incrível narrativa da freira que forjou a própria morte para fugir do convento foi descoberta, porém, não em uma peça, mas sim em uma série de cartas escritas pelo arcebispo William Melton, em 1318, na qual a autoridade pede ajuda ao reitor de Berveley por conta do “escandaloso rumor” envolvendo Joan.

Representação de freiras da época

A freira, segundo conta o arcebispo, teria encenado a própria morte a fim de abandonar o serviço de Deus e os limites do convento para encontrar, nas palavras de Melton, a “luxúria carnal”. O relato suspeita de que Joan teria contado com a ajuda de outras freiras para usar “algo como uma mortalha e a encheu de terra” e, enquanto seu corpo com “aparência de manequim” era enterrado, Joan teria fugido do convento. Segundo a historiadora Sarah Rees Jones, a interpretação sobre os motivos especulados da fuga podem ser muitas.

Sarah Rees Jones junto de outro pesquisador diante do livro de registros

“Isso pode significar não mais (em termos modernos) do que desfrutar dos prazeres materiais de viver no mundo secular (abandonando seu voto de pobreza), ou pode significar entrar em um relacionamento sexual (abandonando seu voto de castidade)”, escreveu Jones ao site Live Science. Segundo a historiadora, são diversas as histórias de freiras à época que abandonaram o hábito para se casar ou simplesmente receber uma herança.

Detalhe do livro de registros

Foi Jones quem descobriu a história de Joan enquanto estudava os registros dos Arcebispos de York, relatando seus trabalhos entre 1304 e 1405. Melton é o mesmo arcebispo que liderou um exército de padres e cidadãos na batalha que defendeu York contra a invasão escocesa em 1319. Segundo a historiadora, os registros são um documento importante do período, que compreende, por exemplo, a Peste Negra, que dizimou a Europa entre 1347 e 1351.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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