Diversidade

Gerente que pediu expulsão de empresário de agência é afastado da Caixa

por: Redação Hypeness


A Caixa Econômica Federal confirmou o afastamento do gerente-geral da agência da praça do Relógio São Pedro, em Salvador. A unidade do banco foi palco de um caso de racismo envolvendo o gerente e o empresário Crispim Terral, de 34 anos, que depois de reclamar da espera de mais de quatro horas por atendimento, tomou um mata-leão de um policial militar e foi detido.

A ação foi gravada pela filha de 15 anos de Terral – dono de uma rede de farmácias no Recôncavo Baiano. Em nota, a Caixa disse que além do afastamento do funcionário, abriu sindicância interna para apurar o caso e confirmou a realização de um treinamento com toda a rede para reforçar a polícia de relacionamento com clientes.

“A Caixa prima pelo respeito à diversidade de raça, origem, etnia, gênero, cor, idade, classe social ou qualquer tipo de diferença entre as pessoas”. O banco reafirmou compromisso com o “atendimento com zelo, presteza e prontidão aos clientes e usuários, de forma justa e equitativa”.

Crispim recebeu apoio de todos os lados. Racismo é crime!

O afastamento do gerente é dividido entre os mais de 50 manifestantes que escoltaram Crispim até o interior da agência e a pressão exercida pelos veículos de comunicação. Em nota anterior, a Caixa chegou a dizer que não havia identificado “por parte de nenhum dos seus empregados ou colaboradores, qualquer atitude de cunho discriminatório”.

“Não faz acordo com esse tipo de gente”, foi a frase dita pelo gerente-geral da agência antes de ordenar que um policial militar (branco) retirasse o homem do banco. O empresário de 34 anos não tem dúvida, foi vítima de racismo.

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“Ele então acabou chamando a polícia depois que eu me recusei a sair da mesa dele. Após uma hora, os policiais chegaram no local e, à princípio, não fui maltratado. Eles quiseram me conduzir à delegacia junto com o gerente geral, mas ele afirmou que só iria se ‘esse tipo de gente’ saísse algemada. Só quem sofre o racismo, sente a dor”, contou ao Correio da Bahia.


dois meses, o cliente da Caixa Econômica Federal tenta sem sucesso receber um comprovante de pagamento de dois cheques. Ele explica que o banco retirou de R$ 2.056 de forma indevida de sua conta.

Terral afirma ter sido tratado com indiferença pelos funcionários da Caixa e que ficou mais de quatro horas sentado na mesa do gerente de sua conta. Procurou o gerente-geral da agência para questionar a falta de atendimento. Recebeu a polícia como resposta.

Crispim relata que os policiais o trataram com educação e pediram que ele e o gerente fossem até a delegacia resolver o problema. O gerente se recusou. No vídeo gravado pela filha de Crispim, é possível ver o gerente-geral dizendo que só iria à delegacia se o cliente fosse algemado e que “não negociaria com esse tipo de gente”.

Os policiais, então, deram uma ‘gravata’ (quando a pessoa é imobilizada pelo pescoço) seguida de um mata-leão e o levaram para fora da agência.

“Em nenhum momento eu fui mal-educado, grosseiro ou deselegante dentro daquela a agência bancária, mas fui tratado como um bandido”, protestou Crispim.

Crime de racismo

O Ministério Público da Bahia está no caso. A promotora Lívia Vaz – coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação, disse ter visto o vídeo. Ela pretende ouvir todos os envolvidos depois do Carnaval.

“Tem um momento no vídeo em que se fala ‘gente desse tipo’, então no mínimo houve um constrangimento legal, mas eu preciso entender todo o contexto. Se houve um crime, que crime e que tipo de responsabilização que cabe”, diz ela, responsável pela vara de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

E a polícia? Para a PM da Bahia, a força se justificou pela recusa de Crispim em deixar a agência.

“Houve a necessidade de empregar a força proporcional para fazer cumprir a ordem legal exarada, mesmo após diversas tentativas de conduzi-lo sem o emprego da força. Ele não foi algemado. O vídeo divulgado mostra uma condução técnica dos policiais militares na ação e também observa-se uma edição suprimindo parte do ocorrido”.

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Foto: Reprodução


Redação Hypeness
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