Arte

Gilberto Gil e Jorge Ben Jor voltam a gravar juntos, 44 anos depois de disco histórico

por: Vitor Paiva

Dois dos maiores artistas da música brasileira em todos os tempos, Jorge Ben Jor e Gilberto Gil representam não só um triunfo de nossa canção como também de nosso violão – à sua maneira, cada um reinventou o uso do instrumento, tornando-o mais moderno, visceral, rítmico e plural. Ninguém toca violão como tocam Gil e Jorge – e foi por isso que os dois se reuniram em 1975 para fazer um dos mais interessantes discos da época, “Gil & Jorge: Ogum, Xangô”. Agora, 44 anos depois, em fevereiro de 2019, a dupla volta a se reunir em estúdio, para reeditar essa incrível parceria. As informações são da Noize.

Arte do disco de 1975

Reza a lenda que o disco de 1975 nasceu na casa de André Midani, então presidente da Philips, numa recepção preparada para receber Eric Clapton e Cat Stevens. Estava na festa a nata da música brasileira, e naturalmente alguns violões surgiram. No início, Clapton e Stevens ainda tentaram participar da jam session conduzida por Jorge Ben e Gilberto Gil – rapidamente, porém, os dois músicos ingleses desistiram, e passaram a somente observar aquele momento mágico de diálogo rítmico e melódico entre os dois artistas e seus instrumentos. Ao fim, Midani decretou que os dois entrassem em estúdio o mais rápido possível, para registrarem aquele furioso encontro.

Foto postada por Flora Gil sobre a reunião

“Gil & Jorge: Ogum, Xangô” é um disco ao mesmo tempo experimental e simples, quase minimalista, registrando o improviso de dois gigantes ao redor de 9 faixas de longa duração. Além dos violões fazem-se presente um baixo e percussões, mas é o encontro a quatro mãos de Jorge Ben e Gilberto Gil que faz o disco explodir. E agora a dupla de amigos e gênios volta aos estúdios, para uma participação no disco Obatalá – Uma homenagem à Mãe Carmen, disco idealizado por Flora Gil em tributo aos 90 anos da ialorixá baiana Mãe Carmen do Gantois.

Outra foto postada do encontro

Gil e Jorge já haviam gravado juntos no ano passado, em uma faixa do disco Giro, de Roberta Sá, no qual a cantora gravou canções de Gil. Além dessa histórica reunião, Obatalá trará também a participação de Alcione, Gal Costa, Daniela Mercury, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Margareth Menezes e Zeca Pagodinho, entre outros. O disco traz cantos africanos, muitos no idioma Iorubá, e Gil e Jorge saudaram em Obatalá – que já nasce histórico, antes mesmo da primeira audição.

Gil e Jorge nos palcos

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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