Debate

Morte de jovem torturado por colegas com mangueira no ânus segue impune após 2 anos

por: Redação Hypeness

Faz dois anos que Wesner Oliveira, de 17 anos, foi morto após ter uma mangueira de ar-comprimido de lava-jato introduzida no ânus. Segundo o Catraca Livre, ninguém foi julgado ou sofreu algum tipo de penalidade pelo crime ocorrido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Wesner foi vítima de uma prática comum, mas ainda relativizada por muita gente: o bullying. Os suspeitos pela morte do garoto são o dono do lava-jato, Thiago Demarco Sena, de 26 anos, e o funcionário, Willian Henrique Larrea. Sequer julgados ou presos.

Viu? Bullying é coisa séria e não tem nada a ver com politicamente correto. O Hypeness não cansa de debater o tema e alertar para os efeitos nocivos ao psicológico e vida de crianças e adultos.

A morte de Wesner mostra, bullying é coisa séria!

Em Brasília, as câmeras de segurança de um condomínio flagraram um casal de adultos (isso mesmo) segurando um menino para que ele fosse agredido pelo filho. Os pais ficaram revoltados, porque o filho foi driblado em uma partida de futebol.

Algumas situações são ainda mais drásticas. Jamel Myles, de 9 anos, cometeu suicídio depois de ser vítima de abusos e intimidações de colegas. O pequeno estudava na Escola Fundamental Joe Shoemaker, nos Estados Unidos. O bullying começou quando ele se assumiu gay.

O Reino Unido instaurou força-tarefa para combater o bullying. O país britânico foi pra cima de terapias que pregam a cura gay. O governo conversou com 108 mil lésbicas, gays, transexuais e bissexuais para a construção de ações educativas, como o combate ao bullying nas escolas. Cerca de 4,5 milhões de libras foram investidas para melhorar o sistema de registros policiais de crimes de ódio.

Os acusados dizem que estavam ‘brincando’

Voltando ao Brasil, os acusados pela morte de Wesner se defendem. O advogado da dupla, Francisco Guedes Neto, afirma que tudo não passou de “uma brincadeira”.

Brincadeira? Wesner permaneceu 11 dias internado. Morreu de parada cardíaca em 14 de fevereiro de 2017. O jovem não resistiu aos ferimentos no intestino, tinha uma lesão no esôfago e sofreu hemorragia.  

Pouco antes de morrer, Wesner afastou a ideia de ‘brincadeira’. “Isso não é brincadeira! Não era brincadeira. Eu não ia querer essa brincadeira nunca. Pegaram eu (sic) de surpresa. E o Thiago agarrou minhas duas pernas, segurou. Eu gritei. Mandei parar, mas não pararam. O Thiago que ligou o compressor e colocou a mangueira em mim”.

Psicólogos refutam falas como a do dono e do funcionário do lava-jato. Bullying não é brincadeira, é coisa séria. Guilherme Schelb – Procurador Regional da República do Distrito Federal e autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil, tratou dos riscos ao site da Nova Escola.

“O fato de ter consequências trágicas – como mortes e suicídios – e a impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema”.

O Hypeness destacou a criação da página Bullying não é brincadeira, com textos de especialistas orientando sobre como lidar com os casos. A responsável é Valeria Rezende da Silva, que por 20 anos não soube como atuar contra o método.

Em seu site, Valeria chama a atenção para o desenvolvimento emocional dos filhos e cobra dos pais interesse em saber com quem suas crias se relacionam.

“Se pensa muito pouco no desenvolvimento emocional e social dos filhos. A escola é, sem dúvida, o ambiente em que ocorrem as maiores interações sociais de crianças e jovens. E, no entanto, valorizamos pouco o clima emocional do lugar onde nossos filhos passarão maior parte de seu dia e que eu considero fundamental para o desenvolvimento global das crianças e jovens”.

O processo está no Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul há seis meses. São dois anos de impunidade. O Ministério Público aguarda o julgamento do parecer juntado ao processo.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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