Ciência

Nossos ancestrais faziam funerais e dividiam mesma comida com cachorros, aponta estudo

19 • 02 • 2019 às 10:29
Atualizada em 16 • 08 • 2021 às 17:17
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

A devoção que votamos aos nossos amigos de quatro patas, às vezes igual ou maior do que a que oferecemos a outros humanos, definitivamente não é um hábito recente, ao menos na região da Península Ibérica. Descobertas de pesquisadores da Universidade Autònoma de Barcelona (UAB) e da Universidade de Barcelona (UB), na Espanha, indicam que a civilização neolítica da região nordeste da Península Ibérica costumavam realizar cerimônias fúnebres de sacrifício e enterro de cães.

Restos mortais de um cão neolítico encontrados nos arredores de Barcelona

O estudo foi publicado no Journal of Archaelogical Science: Reports, e a dimensão dos casos descobertos confirma que as pessoas à época mantinham relações próximas com os animais, às vezes dividindo a mesma dieta. O trabalho analisou os restos mortais de 26 cães, com idades entre um mês e seis anos de idade, em estruturas funerárias de quatro locais da região de Barcelona. Os animais foram encontrados em sepulturas próximas ou junto de seres humanos. Ser enterrado com um animal, eventualmente sacrificado, era, portanto, como um ritual de proximidade.

Um antigo esqueleto canino

Testes comprovaram que os animais dividiam a mesma dieta com seus amigos humanos. A presença de cachorros em cemitérios não é comum no período pré-histórico, tratando-se de uma prática um tanto singular da região. A pesquisa sugere que os animais tinham funções importantes, como cuidar de rebanhos e assentamentos – relação vital que os aproximou ainda mais das famílias, até a hora da morte.

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