Ciência

Nova teoria da evolução diz que nossos ancestrais se domesticaram matando os mais violentos

por: Vitor Paiva

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Partindo de uma das mais bonitas definições do que seria a antropologia – filosofia a partir de dados – o primatologista inglês Richard Wrangham parte em seu novo livro para se debruçar sobre uma grande questão dentro da evolução humana, de como nossos ancestrais primatas foram aos poucos se desdobram em animais colaborativos e sociais: a violência. Em The Goodness Paradox: The Strange Relationship Between Virtue and Violence in Human Evolution (Em tradução livre “O Paradoxo da Bondade: A Estranha Relação Entre Virtude e Violência na Evolução Humana”) Wrangham estuda como o controle das reações violentas foi determinante para nosso processo evolutivo.

“Reduzir a ‘agressividade reativa’ possui um papel fundamental na inteligência, cooperação e no aprendizado social como uma chave para compreender a emergência e o sucesso de nossa espécie”, ele escreve. A ideia é que aprender a conviver, pensar junto e colaborar – reduzindo reações violentas à proximidade ou ao convívio, ajudou o ser humano a se refinar e se adaptar às intempéries dos contextos. E para isso, grupos de hominídeos, segundo Wrangham, chegavam a matar outros primatas que não conseguissem controlar sua violência – a fim de manter os grupos equilibrados.

Richard Wrangham

Trata-se, segundo o primatologista, de um processo de auto-domesticação – conforme explicado em um detalhado artigo no The Atlantic. De certa forma, foi o processo de intimidade e até mesmo amizade que ajudou os proto-seres humanos a se organizarem, vencerem inimigos e perigos e resistirem às tortuosidades do processo evolutivo – e, para isso, controlar os impulsos violentos e trabalhar em conjunto, para um bem geral, foi decisão fundamental.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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