Ciência

O alcoolismo altera o DNA para que as pessoas sintam mais vontade de beber

27 • 02 • 2019 às 12:08 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Não é preciso se pendurar em muitos copos para perceber como o álcool altera nosso estado e consciência. Em grandes quantidades, porém, o consumo de bebidas alcoólicas pode provocar alterações mais graves e extremas – até mesmo em nosso DNA. Um estudo recente concluiu que beber em excesso pode provocar mudanças em nosso código genético, que nos levam a querer beber ainda mais.

Publicado no periódico Alcoholism: Clinical & Experimental Research, o estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Rutgers, nos EUA, baseando-se nos genes de três tipos de consumidores de álcool: os moderados, os excessivos (que bebem constantemente) e os chamados “binge drinkers”, que bebem uma grande quantidade em um curto período. O resultado da pesquisa apontou que, sob a influência do álcool, os dois últimos grupos haviam tido seus genes alterados.

O processo se chama metilação, que altera o relógio biológico, as respostas ao estresse e a vulnerabilidade ao álcool – e quanto mais estressadas, mais essas pessoas buscam o próprio consumo de álcool. Dessa forma, quanto mais se bebe, mais se quer beber. A pesquisa ilumina um pouco o motivo pelo qual o alcoolismo é um vício tão poderoso – e poderá ajudar ao desenvolvimento de testes capazes de prevenir a tendência e a vulnerabilidade de cada um diante do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

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