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‘Ô leva eu! Eva! Eva!’: Pegamos carona com o Beleza Rara para entender como se faz um bloco

por: Rafael Oliver

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A época mais esperada do ano chegou. É Carnaval,momento de se divertir com toda responsabilidade. Os bloquinhos de rua já estão a mil arrastando multidões em diversas partes do país.

Na cidade de São Paulo, a festa nas ruas cresceu tanto que  já superou a do Rio de Janeiro, se tornando a maior do Brasil.  Esse ano, a capital paulista espera receber aproximadamente 5 milhões de pessoas até o dia 10 de março. O número de blocos registrados também cresceu muito: mais de 500 fizeram inscrição. Esse procedimento é apenas o primeiro passo de uma série de obrigações que um bloco de rua deve cumprir.

Não é nada fácil organizar uma festa e se responsabilizar por milhares de pessoas que estão ali presentes. Para mostrar melhor esse trabalho e sentir a sensação de estar ali em cima do trio, pegamos uma carona com quem mais entende do assunto: a Banda Eva, que em 1980 criava em Salvador o bloco que daria origem a uma das bandas de axé de maior reconhecimento do país, revelando talentos como a rainha Ivete Sangalo e Saulo Fernandes.

Tradicional na capital baiana, o bloco Beleza Rara está apenas no seu terceiro ano no carnaval de São Paulo. Mas toda a experiência adquirida em décadas, faz a diferença na hora de dar o show. Felipe Pezzoni, atual vocalista, não escondia a empolgação: “Aqui em São Paulo é incrível, está crescendo muito. O primeiro ano foram umas 200 mil pessoas. Ano passado dobrou. Esse ano a gente acha que vai dobrar de novo”.

Ele também nos contou como é a experiência de conduzir um espetáculo desse porte e comentou a diferença entre o trio e o palco: “São duas situações completamente diferentes. No palco você enfatiza outras coisas como performance… Uma coisa mais programada. O trio não… O trio é essa grande festa, feita pro povo se divertir, pra se jogar e pra ser feliz. É mais divertido. Eu amo muito isso”.

Felipe Pezzoni, vocalista desde 2013

O cantor foi o último a chegar, próximo ao horário do desfile, que começou às 14h. Mas desde cedinho já tinha uma galera ralando pra garantir que tudo saísse como o previsto. “Muita gente empenhada pra poder fazer esse trio andar como deve andar, tudo direitinho. Eles são muito importantes”, disse Pezzoni.  Técnicos de som, equipe de montagem, eletricistas, bombeiros, socorristas. Todos trabalhando ao mesmo tempo, dentro e ao redor do trio.

Claudio Feijão, roadie fixo da banda, foi um dos que chegou logo no começo para garantir que todos os instrumentos e equipamentos de som funcionassem perfeitamente. “Sou responsável por toda a montagem, checagem de som. Além disso, temos que dar o suporte durante todo o percurso: trocar uma corda de guitarra, trocar uma pele [de percussão ou bateria] e outras coisinhas que aparecem. Já estamos acostumados. Fazemos isso há alguns anos, já é natural”, explicou Feijão.

Conversamos também com Gabriel Torloni, produtor-geral do bloco, que nos explicou como acontece todo o processo, desde o planejamento: “Começamos com a contratação do trio, contratação dos músicos, segurança, bar. Temos que pensar em todo o operacional. São centenas de pessoas envolvidas pra isso acontecer aqui hoje. Tudo começou em julho do ano passado. Em setembro começamos a legalização com a prefeitura. E assim que terminar o carnaval, já começamos a trabalhar para o do próximo ano”.

A equipe de segurança também merece destaque. Dá um trabalhão manter o espaço exigido entre o trio e o público, para garantir a segurança de todos. Muitos tentam pular a corda e chegar mais perto da banda. Sidney Alves era um dos responsáveis pela tarefa mais difícil de todo o desfile.  “A gente faz um trabalho preventivo de segurança pra garantir que o público não se machuque, pro carro não atingir eles. E também temos que ficar de olho nos penetras que querem subir no carro. É tranquilo, é suave.” disse rindo.

A equipe não acaba aí.  Outras dezenas de pessoas que estavam trabalhando no trio, com serviço de bar, técnicos de percurso e assessoria também não pararam um minuto. Além disso, seis fotógrafos circulavam pelo espaço. Por fim, 10 pessoas da agência VHCOM, responsável pelo bloco, monitoravam tudo o tempo todo. É gente demais para fazer uma festa desse tamanho funcionar.

São diversas obrigações que um bloco de rua deve ter para realizar o desfile.  Os responsáveis pela ocupação do espaço público, devem garantir  a integridade e mobilidade dos foliões e minimizar ao máximo o impacto causado à cidade. O bloco também fica responsável por definir um plano de segurança, resgate, isolamento, orientação de público e equipe de produção. Em 2019 foi autorizado que as agremiações para mais de 4 mil foliões poderiam solicitar apoio técnico, que inclui o acompanhamento de ambulância.  No final, tudo é avaliado e aprovado pelos órgãos da prefeitura.

A experiência da equipe fez com que tudo saísse como previsto. O desfile do Beleza Rara foi incrível, como deveria ser. O ritmo baiano fez o público chacoalhar como se estivesse em Salvador. Era uma energia incrível. No geral, o respeito e a alegria prevaleceram. Em terra, a diversão era total. Lá de cima, a experiência é fantástica e única. Te dá uma perspectiva ainda maior do espetáculo. Lá é possível ver quanta gente está envolvida com o show, no mesmo ritmo, na mesma sintonia. Dá orgulho ver a nossa tradição mais viva do que nunca. Dá esperança ver que a nossa cultura é valiosa demais para ser deixada de lado.

Confira os vídeos dessa cobertura em nosso Instagram durante o Carnaval. Para saber quando o Beleza Rara vai estar nas ruas, dê uma olhadinha aqui.

 

 

 

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Fotos: Flash Bang

Agradecimentos: Banda Eva, Bloco Beleza Rara, Felipe Pezzoni, Iná Martins e VHCOM.


Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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