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O maior superpoder no cinema é levar a representatividade às telas

por: Redação Hypeness

Nos anos 80, filmes de blaxploitation eram praticamente as únicas oportunidades para atores negros em Hollywood. Super-heróis eram brancos, altos e, de preferência, homens. Representatividade era uma palavra que definitivamente ainda não tinha entrado no vocabulário dos cinemas.

Nunca foi preciso ser um gênio para perceber essa falta de diversidade nas telas. Para quem não vê facilmente a discrepância, um estudo realizado pela Universidade de Southern, na Califórnia, comprova a falta de espaço enfrentada pelos negros na mídia: nos cem títulos de maior bilheteria nos cinemas em 2016, os brancos representavam 70,8% dos papéis com falas, enquanto atores negros eram apenas 13,6% destes.

O que vemos nas telas se reflete também na autoimagem do público, como mostra uma pesquisa de 2011 sobre a influência da televisão na autoestima de crianças. O estudo entrevistou 396 jovens americanos e chegou a uma conclusão impactante. Enquanto os meninos brancos viam sua autoestima aumentar após serem expostos a programas televisivos, crianças negras de ambos os sexos e meninas brancas passavam a ter uma imagem mais negativa sobre si após horas em frente à tela.

Flash forward para 2018, Pantera Negra se torna a terceira maior bilheteria do cinema americano. O sucesso só é superado pelos longas Avatar e Star Wars: O Despertar da Força. Tudo bem que o personagem T’Challa, o Pantera Negra, da Marvel, já existe desde 1962, criado para os quadrinhos pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby, mas o destaque que ele vem ganhando não está [literalmente] no gibi.

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Heróis negros nos quadrinhos e nas telas

Embora seja constantemente apontado como o primeiro filme de super-heróis negros no cinema, isso não é exatamente verdade, como lembra o Diário de Pernambuco. Em 1997, os filmes Aço (estrelado por Shaquille O’Neal) e Spawn (com Michael Jai White no papel principal) traziam protagonistas negros, assim como o que ocorreu em Blade: O Caçador de Vampiros (1998, em que Wesley Snipes interpreta o herói). Lá em 2004, já tinha até mesmo filme de heroína (ou anti-heroína?) negra: tem como esquecer de Halle Berry no papel de Mulher-Gato?

Reprodução Blade: O Caçador de Vampiros

Apesar disso, nenhuma das produções anteriores conseguiu chegar perto do sucesso e da complexidade de Pantera Negra. Não se trata apenas de um filme com um super-herói negro, rei de um povo riquíssimo na África e repleto de superpoderes. É também sobre ser o filme de herói com o maior elenco afro-descendente até então, com uma saudável inversão aos padrões de Hollywood. Os atores brancos da produção podem ser contados nos dedos – e isso é ótimo!

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Os quadrinhos apostam há muito no poder dos personagens negros. É o caso de John Stewart (1971), substituto de Hal Jordan como Lanterna Verde; Luke Cage, como um herói de aluguel suburbano em pleno 1972; Tempestade que mostra todo seu GRL-BLK-PWR ao lado dos X-Men desde 1975 (e que vai estrelar nos cinemas em junho deste ano); Raio Negro, o primeiro personagem negro da DC a ganhar uma revista própria e que já tem até uma série para chamar de sua. A mais recente adição dessa lista é Riri Williams, uma jovem negra de 15 anos que impressionou o Homem de Ferro Tony Stark ao conseguir reproduzir sua armadura e é treinada pelo herói para substituí-lo.

Outro herói negro saiu das páginas das HQs para fazer sua estreia nos cinemas recentemente: Miles Morales é o sucessor de Peter Parker e protagoniza o Homem-Aranha: No Aranhaverso, animação que teve sua estreia no Brasil em 10 de janeiro.

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Veja T’Challa mostrando que representatividade importa em Pantera Negra e Os Vingadores, disponíveis no Telecine Play.

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Créditos sob as imagens


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