Sustentabilidade

UERJ comprova contaminação de Abrolhos por resíduos da Samarco

por: Redação Hypeness

O rompimento da Barragem do Fundão em Mariana (MG) foi uma catástrofe humana e ambiental. Os rejeitos sólidos da empresa controlada pela Samarco e a Vale tiraram a vida de 18 pessoas, deixaram um desaparecido, destruíram o distrito de Bento Rodrigues e acabaram com a vida do Rio Doce.

Não foi só isso, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) conduziu um estudo comprovando que os corais do Parque Nacional dos Abrolhos, na Bahia, sofreram impactos significativos por causa da contaminação com os rejeitos da Samarco.

Desde 2015, pesquisadores analisam os caminhos percorridos pela lama tóxica. Os minérios da Samarco atingiram o Oceano Atlântico, como mostra um relatório de quase 50 páginas produzido por funcionários da UERJ, até chegar em Abrolhos, 250 quilômetros distante da foz do Rio Doce. A vida marinha do local foi afetada por zinco e cobre.

Um dos corais contaminados em Abrolhos

“Através de técnicas químicas, constatamos que, no meio do crescimento dos corais, houve um pico enorme de metais pesados, que coincide exatamente com a cronologia da chegada da pluma de sedimentos da Samarco. São metais muito tóxicos e os corais são muito sensíveis a eles”, relata o coordenador do estudo, o pesquisador Heitor Evangelista, do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais da Uerj.

O desastre sem precedentes vai causar impactos inéditos ao ecossistema da região. Abrolhos é o recife mais importante do Hemisfério Sul, com um terço de toda a biodiversidade marinha global conhecida.

O relatório sobre a contaminação dos corais foi enviado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente. A contaminação será levada em conta nos autos da multa ambiental aplicada à Samarco.

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O estrago é tanto, que Heitor alerta para a necessidade de novos estudos para entender e mensurar os efeitos ao meio ambiente.

“A gente sabe de outros trabalhos que essa contaminação pode ter efeito na taxa de crescimento, no processo relacionados a bioerosão e implicações na parte reprodutiva. Mas só um acompanhamento dirá [o que vai acontecer] porque a gente nunca teve uma situação igual para ter um paralelo. Além disso, muitos corais de Abrolhos são endêmicos do Atlântico, ou seja, não há em outros lugares, e não sabemos como eles respondem a essas questões”, pontua.  

Os impactos ao meio ambiente são inéditos

O Parque Nacional Marítimo de Abrolhos é o primeiro criado no país, em 1983. Lá vivem mais de 1.300 espécies, 45 delas ameaçadas. Por causa da riqueza ambiental única, a região foi visitada por Charles Darwin em 1832.

A empreitada foi realizada em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

“Até agora não havia nada provando um sinal claro da pluma da mineradora em Abrolhos. Esse trabalho é conclusivo nesse sentido”, destaca o pesquisador. 

Multas e recursos

Você leu aqui no Hypeness que, desde o crime ambiental de Mariana, a Samarco pagou um total de ZERO multas dos mais de 350 milhões de reais dos 25 autos de infração impostos pelo Ibama.

De acordo com reportagem publicada no jornal O Globo, a mineradora que tem a Vale como uma de suas acionistas, dificulta ao máximo o andamento do processo entrando com uma série de recursos. O Ibama diz que a empresa recorreu de todos os autos de infração, mesmo depois de confirmá-los no âmbito administrativo. Para o Ibama, a companhia insiste em “afastar sua responsabilidade pelo desastre”.

Para Ibama, Samarco tenta se eximir da culpa

O governo de Minas Gerais e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) aplicaram outras 31 infrações, somando R$ 370 milhões. Apenas 6%, R$ 41 milhões foram pagos. A multa de R$ 112,7 milhões foi parcelada em 60 vezes e apenas 17 parcelas quitadas.

Sobre o Ibama, a Samarco afirma em nota que “há aspectos jurídicos em análise”. A empresa destaca que até dezembro de 2018, destinou R$ 5,2 bilhões em ações de reparação dos impactos causados pelo rompimento da Barragem do Fundão e que já pagou R$ 45 milhões de multas aplicadas pela Semad.

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Fotos: fotos 1 e 2: Divulgação/foto 2: EBC


Redação Hypeness
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