Debate

Vale recusou tecnologia de monitoramento de barragem em tempo real, diz jornal

por: Redação Hypeness

Publicidade Anuncie

A Vale recusou pelo menos duas ofertas de monitoramento em tempo real de barragens. A Folha de São Paulo noticiou que uma startup carioca manteve contatos com diretores da empresa de mineração pelo menos três vezes entre 2016 e 2018.

O acordo seria um complemento importante ao trabalho de inspeção quinzenal adotado pela Vale. A tecnologia oferecida combina satélites, drones e sensores capazes de monitorar as barragens por imagens, emitindo alertas em tempo real.

“A configuração de alta resolução do radar pode ser usada para detectar mudanças de pequena escala antes delas serem vistas a olho nu”, diz ao jornal paulista o Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Foram pelo menos três encontros

Engenheiros apontam a liquefação como uma das principais hipóteses para o rompimento da barragem controlada pela Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O fenômeno é causado pelo acúmulo de água na estrutura em um método classificado com alteamento. Trata-se da sobreposição de rejeitos, que aumentam as chances de rompimento, como aconteceu também na barragem controlada por Samarco e Vale em Mariana no ano de 2015.

O sistema oferecido à Vale atua a partir de micro-ondas capazes de perceber qualquer tipo de alteração nas barragens. As movimentações apontam qualquer alteração nos arredores das estruturas. Menos riscos e uma capacidade maior de reação.

Publicidade

Com o controle total da vida da barragem – considerada um corpo vivo, é possível traçar esquemas certeiros de evacuação de funcionários e da comunidade. O que não aconteceu em Brumadinho.

Mais de 130 pessoas morreram com o rompimento da barragem da Vale

Além da dispensa do monitoramento em tempo real, a Vale não utilizou as sirenes de alerta da maneira devida. A informação foi confirmada pelo próprio presidente da empresa de mineração, que admitiu que os objetos foram “engolfados” pela lama de rejeitos tóxicos.

“A sirene que ia tocar foi engolfada pela queda da barragem antes que ela pudesse tocar”, declarou aos jornalistas Fabio Schvartsman, diretor-presidente da Vale.

A tecnologia é oferecida na sede da Vale desde 2016. A Folha diz que representantes de negócios conseguiram reuniões com funcionários na área de Vale na sede da Fundação Renova, no Rio de Janeiro. Wilson Brumer, então conselheiro da fundação criada para monitorar tais estruturas, estaria preocupado com o monitoramento das barragens. Ele apenas informou que não integra o conselho da Renova.

O presidente da Vale disse que sirenes de alerta foram “engolfadas” pela lama

A Vale declarou que todas as barragens são monitoradas a cada 15 dias e algumas com sistemas de vídeo.

Em tempo, Lauro Jardim escreveu no jornal O Globo que a Justiça determinou o fechamento da mina de Brucutu. Ela fica em São Gonçalo do Rio Baixo e a maior em operação no estado mineiro.

“A Justiça atendeu a uma ação impetrada pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais. Na liminar concedida, a Vale é instada a parar de lançar rejeitos na adutora de Brucutu até que preste uma série de esclarecimentos e informações ao MP”, escreveu.

O desastre humano e natural em Brumadinho matou até o momento 134 pessoas. Outras 199 permanecem desaparecidas e 120 corpos já foram identificados.  

Publicidade Anuncie

Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: Divulgação/foto 3: EBC


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.


X
Próxima notícia Hypeness:
Sharon Stone fala sobre assédio no cinema: ‘Diretor queria que sentasse em seu colo’