Seleção Hypeness

12 filmes que comprovam que os anos 1990 foram a era de ouro da ficção científica

por: Vitor Paiva

A tecnologia hoje faz de tal forma parte de nossas vidas que não é exagero afirmar que em muitos sentidos já vivemos nos cenários que os filmes de ficção científica do passado imaginavam. Não é por acaso que o futuro retratado em De Volta Para o Futuro 2 já aconteceu, segundo o filme, há quatro anos: hoje vivemos conectados e virtualmente automatizados como personagens de um sci-fi da vida real. Nos anos 1990, porém, as coisas ainda eram bem diferentes, assim como era diferente a nossa imaginação.

Já se vão quase 30 anos do início da década em que a tecnologia digital e a internet surgiram, engatinhando ainda como ferramentas ao mesmo tempo impressionantes e ainda então um tanto inúteis. Mas Hollywood e o cinema nos anos 1990 trabalharam com louvor para retratar e ajudar a criar esse futuro tecnológico nas telas, e com isso algumas pérolas da ficção científica nasceram e se imortalizaram em nosso imaginário à essa época.

Entre dinossauros, invasões alienígenas, ameaças apocalípticas, robôs e viagens no tempo, o cinema de ficção científica viveu uma fase dourada nos anos 1990, com imensos sucessos de público e crítica – e alguns poucos gloriosos fracassos que mesmo assim permanecem em nossos corações. Para celebrar hoje o retrato do futuro que nosso passado eternizou, separamos aqui os 12 melhores sci-fis do cinema dos anos 1990.

1. ‘Exterminador do Futuro 2’ (1991)

A lista começa de cara com um dos melhores e mais impactantes filmes de ficção científica da década. O Exterminador do Futuro 2 conseguiu um feito raro: ao lado de outros clássicos como O Poderoso Chefão 2 e O Império Contra-Ataca, ser uma sequência melhor do que o filme original. A história do robô que volta do futuro para impedir que um outro robô, também do futuro, mate o líder por vir John Connor revolucionou os efeitos especiais da época, faturando 4 Oscars e se tornando o melhor filme da saga.

2. ‘Jurassic Park’ (1993)

O início da década estava realmente reservado aos maiores clássicos do gênero de então, e Jurassic Park permanece excitante e emocionante até hoje. Poucos diretores conseguiram captar nossos imaginários mais profundos e infantis quanto Spielberg, e trazer os dinossauros de volta à vida no mundo contemporâneo é literalmente um sonho para toda criança. A realidade de tal sonho, porém, é muito mais brutal e violenta do que nossa simpática imaginação – e é aí que o sonho se transforma em uma aventura mortal. O filme foi uma verdadeira revolução em efeitos especiais, além de um sucesso comercial até então sem precedentes.

3. ‘Tank Girl’ (1995)

Apesar de ter sido um fracasso comercial, poucos filmes encapsulam melhor o espírito, o charme e as singularidades dos anos 1990 na ficção científica quanto Tank Girl. Baseado em uma HQ igualmente estilosa, o filme traz a estética pop dos videoclipes da época (com destaque para a trilha sonora alternativa com nomes como Bjork, Portishead, Hole e Veruca Salt) para contar a história de uma heroína destemida, estilosa, vibrante e louca que luta contra a destruição ambiental em um cenário desértico em que a água se tornou raridade. Feminista, ecológico e radical, o fracasso comercial de Tank Girl não importa: trata-se de um filme profundamente divertido.

4. ‘Os 12 Macacos’ (1996)

Apesar de se basear em uma premissa mil vezes requentada – de uma pessoa enviada ao passado de um futuro apocalíptico para tentar impedir um terrível destino -, Os 12 Macacos é um dos mais interessantes – e loucos – filmes do gênero à época. O cenário em que um vírus praticamente dizimou a humanidade e que a viagem no tempo que visava corrigir tal tragédia bagunça a realidade (e a cabeça do espectador) serviu de pano de fundo para duas das melhores e mais intensas performances da carreira tanto de Bruce Willis quanto de Brad Pitt – igualmente dois ícones dos anos 1990.

5. ‘Independence Day’ (1996)

Os excessos do velho discurso nacionalista norte-americano que pautam tantos filmes de aventura de Hollywood em Independence Day são compensados por uma aventura realmente excitante a respeito de uma invasão alienígena em larga escala na Terra – e pelo charme de Will Smith, que carrega o filme. Independence Day foi o maior sucesso comercial do ano, e até então o segundo maior em todos os tempos. O avanço nos efeitos especiais fez desse filme um marco na estética de desastres imensos em filmes de Hollywood.

6. ‘MIB – Homens de Preto’ (1997)

Por motivos que superam nossa compreensão, o ano de 1997 representa metade dessa lista – e talvez nenhum outro filme do ano supere em charme, graça e diversão o já clássico Men In Black – Homens de Preto. Baseado em uma história em quadrinhos, a história dos dois agentes de um departamento secreto responsável por monitorar e policiar as atividades alienígenas na Terra tornou-se um imenso sucesso, ajudando a transformar Will Smith na maior estrela de Hollywood daquela geração.

7. ‘Contato’ (1997)

Baseado no romance de mesmo nome escrito pelo grande astrofísico Carl Sagan, Contato não é um dos maiores sucessos do ano – mas é um dos filmes mais interessantes. Com Jodie Foster como protagonista, o filme conta a história de uma radioastrônoma que recebe sinais de rádio alienígenas com instruções para a construção de uma máquina, que poderá a levar em uma viagem como num teletransporte espacial. Com debates religiosos e um emocionante turning point ao final, Contato merece ser revisto mais de 20 anos depois.

8. ‘Gattaca’ (1997)

Apesar de ter sido um relativo fracasso de bilheteria, o filme Gattaca, também de 1997, viria a ganhar caráter cult com o tempo, pela complexidade de seus temas, as tantas camadas contundentes que retrata, e por ter sido eleito oficialmente pela própria NASA em 2011 como o filme mais cientificamente plausível. Tratando de tecnologias reprodutivas e alterações genéticas, Gattaca também fala sobre luta de classes, preconceito, eugenia e superação na busca por um sonho, contra tudo e todos.

9. ‘O Quinto Elemento’ (1997)

Parceria franco-americana, O Quinto Elemento é passado no século XXIII, em um cenário no qual um taxista e antigo major das forças especiais encontra uma jovem em seu carro e, com ela, a responsabilidade pela sobrevivência da Terra. Para proteger o planeta contra uma entidade cósmica do mal, os dois precisam recuperar quatro pedras místicas. Até então o mais caro filme europeu já feito, O Quinto Elemento alcançou sucesso de bilheteria mas dividiu opiniões: alguns o acharam o melhor filme do ano, outros o pior já feito. Só mesmo retornando a esse clássico para, 22 anos depois, reencontrar também sua opinião.

10. ‘O Cubo’ (1997)

O último filme desse prolífico ano de 1997 a constar é um dos menos famosos – mas talvez seja o mais interessante de todo o ano e até mesmo de toda a lista. O Cubo conta a história de um grupo de pessoas que subitamente despertam presas em um labirinto de salas interconectadas, repletas de armadilhas que as levaram à morte. Em princípio é simplesmente impossível desvendar o segredo e se libertar do cubo, mas essa se torna a missão do grupo. Trata-se de um filme tão angustiante quanto interessante, que ganhou notoriedade cult e que de certa forma antecipa um gênero para filmes como Jogos Mortais.

11. ‘Impacto Profundo’ (1998)

Dirigido por uma mulher, Mimi Leder, e com um discurso antimilitarista em um cenário apocalíptico de uma Terra ameaçada por um cometa, o filme também traz o mérito de, apesar de seu aspecto fantasioso, respeitar premissas científicas. Eclipsado pelo sucesso de Armagedon, lançado há mesma época e com uma prerrogativa parecida, Impacto Profundo não foi bem recebido pela crítica, mas aos poucos ganhou sucesso cult, com um sentido emocional e profundo do que se espera de um filme do gênero.

12. ‘Matrix’ (1999)

A lista (e a década) se encerra com talvez o mais impactante, influente e debatido filme de ficção científica dos anos 1990. Matrix, para além de vencer quatro Oscars e revolucionar os efeitos especiais no cinema, com sua premissa sobre uma vida “real” e outra dentro da Matrix, tornou-se um ponto de partida para debates filosóficos dentro e fora do universo cinematográfico. O gênero pode ser dividido em “antes e depois” de Matrix, que abriu com profundidade e estética exemplares uma linha de filmes de estilo jamais antes realizados na grande tela.

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© fotos: divulgação/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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