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Aprovação de Bolsonaro cai 15 pontos com pior início de governo desde Collor, diz Ibope

por: Redação Hypeness

Jair Bolsonaro (PSL) registrou a pior avaliação em primeiro mandato das últimas décadas. Em pouco mais de três meses, o presidente caiu 15 pontos e atingiu a marca de 34%, segundo o Ibope.

O presidente da República está atrás de Fernando Henrique Cardoso (que teve 41% no primeiro mandato), Luiz Inácio Lula da Silva (com 51% de aprovação no primeiro pleito) e Dilma Rousseff (com 56%). Bolsonaro empata com Fernando Collor, que tinha 34% de aprovação em três meses de governo.

Bolsonaro caiu sensivelmente em dois meses

A popularidade de Jair Bolsonaro só esteve à frente de Dilma e FHC, ambos desgastados depois de cumprir um ciclo de quatro anos. Bolsonaro perdeu três de cada dez apoiadores de seu governo em dois meses. Números reais, a parcela de bom e ótimo caiu de 49% em janeiro para 39% em fevereiro, chegando aos 34% de março.

Ainda segundo o Ibope, o presidente tem gordura, pois somente 24% consideram o governo ruim ou péssimo. A faixa de regular é de 34% e outros 8% não conseguiram avaliar.

O nível de confiança de Jair Bolsonaro também registrou certo desgaste. Ao subir a rampa do Palácio do Planalto, ele tinha 62% de confiança da população. Agora, cerca de 49% dizem confirmar no militar da reserva. A desconfiança subiu de 30% para 44%.

A participação ativa dos filhos no governo é motivo de incômodo

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos, para mais ou para menos. O nível de confiança de 95%. Foram ouvidas 2.002 pessoas entre 16 e 19 de março.

Afinal, o que aconteceu?

O Ibope não buscou as razões que levaram ao critério de avaliação dos brasileiros. Contudo, sites jornalísticos e de pesquisa apontam um tripé como responsável pelo escorregão.

Pegou mal a notícia de que um dos acusados pela Polícia Civil do assassinato de Marielle Franco mora no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro. Tem mais, a luta contra a corrupção foi a principal bandeira de governo, ou seja, denúncias de corrupção envolvendo Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, repercutiram negativamente. Para completar, o senador do PSL empregou em seu gabinete familiares de ex-militares relacionados com grupos paramilitares do Rio de Janeiro. Por fim, a postura ‘sincerona’ de Jair Bolsonaro no Twitter, especialmente durante o Carnaval, recebeu duras críticas.

Collor teve aprovação idêntica

A viagem do presidente aos Estados Unidos não foi tema da pesquisa divulgada pelo Ibope. Sorte de Bolsonaro, pois ele disse que “maioria dos imigrantes [brasileiros nos EUA] não têm boas intenções”. O mandatário pediu desculpas e admitiu que se “equivocou”. Jair Bolsonaro venceu de braçada nos Estados Unidos e a concordância com políticas anti-imigratórias de Donald Trump surpreende seus eleitores no país da América do Norte.

No site Meio, o jornalista Paulo César Pereira classifica como erro a insistência do presidente em manter o clima de eleição e as críticas constantes aos opositores do governo. Ele compara a postura com a da ex-presidente Dilma.

Ainda não se sabe o que de concreto o governo trouxe dos EUA

“Uma das origens da crise que fulminou a ex-presidente Dilma estava na incompreensão da petista em relação ao resultado de sua reeleição. Após derrotar Aécio Neves pela menor margem vista em nossa história, Dilma entendeu que a população lhe dera salvo conduto para dobrar a aposta em seu estilo. Tratava-se do oposto. Desde que foi eleito, Bolsonaro adotou postura semelhante. Em nenhum momento fez acenos aos derrotados e seguiu com ataques a inimigos reais e imaginários, todos que não partilham integralmente de sua visão de mundo. Sua chegada ao Planalto não foi consequência de um alinhamento da sociedade com o discurso extremista. Pelo contrário. A principal razão para sua eleição foi a rejeição da sociedade a dar mais um mandato ao PT. Em vez de olhar para o resultado com humildade e buscar um caminho que unisse o país após quatro longos anos de crise política, suas manifestações são direcionadas para os militantes mais aguerridos da direita. Nessa trilha, Bolsonaro abriu mão inclusive de organizar uma base parlamentar que dê sustentação às reformas. A pesquisa Ibope divulgada ontem mostra que a estratégia está dando errado.”

Por hora, o governo se cerca da base evangélica, onde é avaliado positivamente por 61% das pessoas e os mais ricos, com 49% aprovação.

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Fotos: foto 1: NBR/foto 2: Reprodução/foto 3: Divulgação/foto 4: Reuters/Kevin Lamarque/EBC


Redação Hypeness
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