Matéria Especial Hypeness

Ataque virtual à cachorra com deficiência mostra por que precisamos falar sobre eles | Adotar é Hype #4

por: Pedro Drable

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Uma das características mais admiráveis dos cachorros é a capacidade de superação. Por mais que sofram traumas, maus tratos ou até violências inimagináveis, muitos animais surpreendem seus novos tutores se recuperando de forma incrível, e criando meios para conviver com suas limitações sem nunca perder a alegria.

É exatamente o caso da Penélope, uma vira-lata que foi encontrada com a pata traseira decepada (provavelmente fruto da maldade ou do descaso humano), e precisou ter o membro amputado. Hoje, Penélope é uma cachorra saudável, cheia de energia e tão amável com seres humanos que acabou se transformando em cão de apoio terapêutico no Projeto Pelo Próximo, que leva animais para socializar com crianças e idosos em hospitais, casas de acolhimento e outros ambientes onde um pouco de carinho e alegria fazem toda a diferença.

Ainda que Penélope e sua tutora, Patricia Calainho, tenham encontrado um caminho para transformar essa história em inspiração, nem todo mundo enxerga as coisas dessa maneira. Por isso, no fim de fevereiro, Patrícia e Penélope foram alvo de uma agressão virtual que mostra exatamente a importância de falar sobre animais com deficiência.

Tudo começou com um email recebido pela Patrícia por conta de um vídeo no perfil @3patasdepenelope no Instagram. Os nomes e contato da agressora (que daqui em diante será chamada de Senhora) foram cobertos.

A troca continua, mas aqui já há bastante a se comentar. Para início de conversa, obviamente a Senhora não consegue absorver a natureza e importância do trabalho que Patrícia e Penélope se dedicam a fazer.

O objetivo do perfil no Instagram é justamente ajudar no processo de naturalização da diferença. Quando uma criança tem um contato positivo com um animal que é saudável, brincalhão e que teve uma pata amputada, sua cabeça se expande para entender que outros animais e outras pessoas com algum traço físico diferente (seja uma deficiência ou uma variação, como manchas na pele) também devem ser tratados sem preconceitos.

Assim como a Penélope é um cachorro como outros cachorros, um amigo cadeirante é uma pessoa como outra pessoa, e assim por diante. A Penélope inspira pessoas que têm alguma deficiência e recuperar a autoestima e alegria, ao mesmo tempo em que ensina para os outros que uma deficiência não faz de nenhum ser vivo um ser inferior.

Mas não é isso que pensa a Senhora. De acordo com a sua visão limitada, a pata amputada da Penélope devia ser escondida nas fotos. De acordo com sua maneira de pensar, seria melhor sacrificar a cachorra do que “largar o bicho desse jeito”.

Desse jeito aqui?

Basta uma passada rápida no perfil para notar o quanto Penélope é ativa, amada e forte. E foi isso que Patrícia tentou explicar na sua longa e didática resposta.

Mas é claro, a Senhora continuou sem entender, e, em sua última réplica, deixou no ar uma ameaça, citando “amigos influentes no Rio de Janeiro”.

A Senhora é mais um caso de pessoa esnobe, que acredita piamente na sua condição financeira como algo que a coloque em um patamar de “importância” na sociedade. O que realmente entristece nesse relato é o destino da tal criança de oito anos. Infelizmente, é provável que essa criança vá ser criada em um ambiente abastado, onde deve sobrar dinheiro e faltar compaixão. Na resposta, é nítida a falta de empatia da Senhora, que segue descrevendo os registros da vida feliz de Penélope como “imagem repugnante”, e torna a dizer que teria sido melhor matar um cachorro a dar ao animal a oportunidade de uma vida repleta de amor.

 

Penélope e Patrícia seguem no seu trabalho de tocar quantos corações e mentes forem possíveis pela causa dos animais e pessoas com deficiência, ainda que alguns, como o da Senhora, estejam fora do alcance. Mas no Hypeness a gente acredita firmemente que o mundo pode sim mudar com a união de pessoas que querem fazer diferença. Então, no resto da coluna, vamos abrir espaço para que a própria Patrícia fale do seu trabalho e da maravilhosa Penélope.

1. Como a Penélope chegou na sua família?

Sempre pensamos em adotar um animal especial. Sabe aqueles que ficam no último lugar da fila dos “inadotáveis” ? São os que mais nos encantam por tudo que já passaram na vida. Cada olhar traz muita vontade de viver e recomeçar. Entrei em contato com protetores buscando uma mocinha com deficiência e chegamos até Penélope e seu  jeitão super alegre.

2. E de onde surgiu a inspiração para tornar a Penélope um cão de apoio terapêutico?

Minha avó vivia há alguns anos em Home Care (internação domiciliar). Enfermagem, equipamentos, etc. Foi quem me ensinou a amar animais. Já tinha adotado o Snoopy há 1 ano e apesar da minha avó ter 3 gatos, sentia que quando o levava para visitá-la, a ajudava imensamente. Depois chegou Penélope e era uma festa quando chegava com os dois. Renovavam os sorrisos dela, inclusive a vontade de viver, apesar de seu quadro de saúde.

3. Qualquer cachorro pode exercer essa função?

Não. Foi exatamente o que aconteceu com Snoopy e Penélope quando os inscrevi na seleção para cães de terapia do Projeto Pêlo Próximo. Apesar de muito dócil, Snoopy tem traumas e é muito inseguro fora de casa. Não passou. Brinco que ele foi cão de terapia “exclusivo” da minha avó. Já Penélope é cheia de energia, mas ela sente quando está em atendimento e fica muito tranquila.

Para ser cão de terapia do projeto o animal precisa ter mais de 1 ano, ser extremamente dócil e castrado. E acima de tudo, se sentir bem nos atendimentos, pois seu bem estar é prioridade.

4. Como você descreve a reação das crianças e idosos impactados pelas visitas da Penélope?

Na maioria das vezes, demoram a perceber que Penélope não tem 4 patas e depois de algum tempo, se encantam por ela viver com a mesma alegria que qualquer animal. Perguntam como foi que ela perdeu a patinha e percebem tudo que ela superou com o amor de uma família. Recebo mensagens de várias famílias. Uma das crianças resolveu fazer um piquenique no play para convidar a nova vizinha de 7 anos, que é cadeirante, para brincar com outros amigos. Outra mãe mandou foto de uma pelúcia de cachorro que rasgou na altura da pata e que a pedido da filha, ao invés de descartar, era para costurar e “deixar igual à Penélope, com 3 patas”. Familiares dos idosos relatam que eles estão até caprichando mais na fisioterapia e melhoraram muito a autoestima. Ficamos muito felizes quando uma instituição pediu que seus alunos escolhessem a atividade que mais gostaram no ano passado para tentarem repetir esse ano: Visita da Penélope! E de quebra, as crianças pediram para ir com ela visitar um asilo!

5. E que tipo de inspiração o contato com ela traz para essas crianças no seu desenvolvimento?

Superação! Não existem incapacidades e sim possibilidades. Muitas vezes, as crianças não convivem com pessoas ou animais com deficiência e imaginam barreiras que não existem quando temos empatia com as diferenças. Com uma abordagem lúdica, tendo Penélope como agente facilitador, tentamos sensibilizar o público infantojuvenil com exemplos e caminhos para perceber que as diferenças não são defeitos e com atitudes que possam incentivar a compaixão e o respeito pelo próximo. Também procuramos plantar sementes sobre a Posse Responsável e incentivar a adoção de animais.

6. Caso um colégio queira receber a Penélope, como faz?

Basta entrar em contato conosco pelas nossas redes sociais ou e-mail (trespatasdepenelope@gmail.com)

A nossa visita não tem nenhum custo para a escola e alinhamos com a coordenação pedagógica temas sobre bem estar animal, diferenças, diversidade, empatia, respeito, etc. Fazemos um paralelo entre os desafios que pessoas e animais enfrentam para o acolhimento de suas diferenças. Escolas do mundo inteiro estão aproveitando os benefícios dessa parceria homem e animal no desenvolvimento de seus alunos.

7. E o que você aconselha para pais que queiram criar seus filhos de uma maneira mais inclusiva em relação a animais e pessoas com deficiência?

Primeiramente, diálogo. As crianças não nascem com o preconceito, mas crescem com curiosidades e precisam de incentivo para perceber que as diferenças fazem parte da vida.

Nossas visitas começam com a exibição de um curta que foi nossa inspiração: The Present (O Presente).

 

 

Assistam esse curta com seus filhos, família, amigos! Também existe material incrível na internet sobre pessoas e animais que enfrentam o desafio da inclusão e superam a cada dia seus limites. São inúmeros exemplos que inspiram e renovam nossos corações. A educação e o exemplo positivo são a base para construção de um mundo melhor para nossos filhos e todos os seres vivos.

Se você quer saber mais dessa cachorra incrível, siga a Penélope no Instagram em @3patasdepenelope. E se quer encontrar um animalzinho para adotar, olha quantos bichinhos maravilhosos estão esperando um lar aqui pelo #AdotarÉHype.

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Reprodução (Instagram)


Pedro Drable
Pedro Drable é publicitário e engajado na causa de animais de rua desde que adotou uma cadelinha chamada Dory. A história de superação dessa cadela sobrevivente de cinomose e seu dia a dia cheio de humor podem ser acompanhados pelo instagram @dorydalata. No mesmo Instagram, o publicitário lançou a Dalata, uma marca para amantes de pets que reverte um terço dos lucros para ajudar abrigos, protetores independentes e animais em risco.

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