Desafio Hypeness

Como meu corpo e minha mente reagiram a um encontro às cegas

por: Rafael Oliver

Todo mundo tem seu momento de tensão. E para cada pessoa, essa tensão aparece em um momento diferente. Para alguns, pode ser no trabalho, na faculdade, na hora de falar em público, no trânsito… No meu caso, o momento de maior tensão é quando eu estou numa situação que está fora do meu controle, quando enfrento algo novo ou quando estou esperando algum tipo de resposta.

Daí, já sabe: suadeira na palma das mãos, nas axilas, atrás dos joelhos. É ansiedade que chama, né? No meu caso, some ansiedade a uma predisposição natural – e desagradável – a suar mais que um crossfiteiro.

A ansiedade sempre fez parte da minha vida. A única coisa que alguém ansioso pode fazer é aprender a lidar com o sentimento e, dessa forma, diminuir o sofrimento naqueles momentos mais tensos. (Caro amigo leitor, se souber como fazer isso, por favor me escreva).

Justamente por essas minhas características, acabei escolhido para participar de um Desafio Hypeness para lá de especial: participar de um encontro às cegas com alguém que nunca tive qualquer tipo de contato e descrever toda minha experiência.

O que segue nas próximas linhas é justamente o saldo dessa viagem psicológica. Desde o início, contando como tudo foi planejado, minha preparação, os sentimentos, os medos, até o encontro em si e como tudo rolou.

Bora dançar no escuro comigo?

1. Já dizia Ringo Starr: ‘A little help from my friends’

Pra tudo isso acontecer, contei com a ajuda de um amigo, que armou o date com uma garota que até então nunca tinha visto na vida. Em menos de 48 horas eu teria que me preparar para o encontro, escolher o lugar e começar a pensar em como me comportar naquela situação desconhecida. E aí, começam as dúvidas: Será que aquela noite seria um fracasso total? Será que eu seria surpreendido? Será que eu iria conseguir surpreender ela?

Gabriel, o amigo, o cúmplice, o arranjador de date mais rápido do Oeste

2. Rolou? E agora? Bem, eu caí na risada

Quando me dei conta de tudo isso, quando veio a confirmação que realmente iria rolar, confesso que a primeira reação foi começar a rir.

Mas era de nervoso. É, óbvio.

Me lembro que desde muito jovem tinha um certo bloqueio com as mulheres. Nunca fui o cara popular, muito menos o galanteador. Pelo contrário, até os 20 anos sempre estive acima do peso e isso dificultava bastante essa missão. Talvez, por conta do sobrepeso e todos preconceitos e até mesmo das malditas pizzas que ficavam marcando a blusa de tanto suor, eu tenha desenvolvido essa dificuldade com o galanteio. Dá medo até hoje.

Sempre tive apoio dos amigos que me encorajavam e me davam conselhos. Muitas vezes me disseram que o máximo que se pode ouvir é um não. Mas, amigos, é mentira. Uma vez ouvi: “Se enxerga, otário”. Talvez ela estivesse num dia ruim. Posso ter errado na investida também. Vai saber, né?

3. É hora de ouvir as amigas

Além disso, a complexidade das mulheres também é um fator que me atrapalha. Pode parecer clichê, mas às vezes não sei como agir pelo simples fato de não conseguir entender a mulher. Um exemplo: elas criaram um sistema de pontos que até hoje não compreendi. Certamente você já ouviu ou disse frases do tipo “ah, hoje você ganhou muitos pontos comigo”. Eu queria muito entender onde que resgato isso aí. Tem local de troca? Cartão fidelidade? Eu não sei…

Mas, voltando ao encontro, pra me sentir um pouco mais confiante decidi consultar algumas amigas e perguntar como elas acham que eu deveria me comportar, o que elas esperam de um cara no primeiro encontro e aproveitar pra pegar umas dicas, que nunca é demais. Fui aconselhado, por unanimidade, a falar mais do que ouvir.

Parece que essa é uma crítica muito comum entre as mulheres. Não fazer muitas perguntas, tipo interrogatório, foi reforçado. “Seja você mesmo”, “tenha senso de humor”, “não escolha o que ela vai comer” e “não use cueca vermelha” também foram advertências levantadas nessa conversa. No geral, elas esperam que o cara seja educado, que a conversa flua. Eu? Espero que seja divertido.

Valeu, meninas. Agora é hora de pensar como me vestir.

4. Com que roupa eu vou?

Hora de escolher a roupa. Muita gente pensa que isso é um problema exclusivamente feminino. Não é nem nunca foi! Causar boa impressão e não errar no look são preocupações que muitos homens têm. Se não têm, deveriam ter.

Afinal, estou muito arrumado ou muito “largado”? Difícil analisar quando você nem conhece a pessoa. De maneira geral, o casual, o básico, sempre funciona para mim. Primeiro porque eu gosto de me vestir confortavelmente. Segundo porque esse sou eu e se ela não gostar, melhor que seja logo no começo. Terceiro porque, por mais que eu compre roupa nova, que eu passe um tempão escolhendo qual usar, sempre, acredite: SEM-PRE, vou acabar escolhendo entre as três que mais gosto.

Além da roupa, a gente até pode fingir que não, mas os homens também têm seu ritual de beleza. Principalmente antes de um encontro. Um encontro às cegas então? Socorro!

Lá fui eu para um banho demorado enquanto testava a falsa sensação de relaxamento embaixo do chuveiro. Um shampoo legal, sabonete nos trinques, perfume sem exageros e o principal: um desodorante que fosse capaz de segurar meu suor excessivo de nervoso.

Escolhi o Rexona Clinical para não precisar me preocupar com as pizzas na camisa e focar apenas na comida do jantar. E claro, em não deixar meu nervosismo estragar o date.

5. ‘Alô, queria uma mesa para dois, por favor…’

Onde ir? Também tenho meus lugares preferidos e quase sempre acabo escolhendo os mesmos para um primeiro encontro. Me passa confiança saber onde estou.

Já que seria à noite, optei por um restaurante que costumo frequentar: o espanhol “Carmen La Loca”, na zona sul de São Paulo. Bom preço, comida típica e sabores marcantes. É importante um restaurante que não cobre em exagero. Principalmente pra quem come como um javali, como eu. Novamente sigo o pensamento: se for pra chocar, que seja na primeira vez.

Por que, afinal, ninguém merece ficar passando fome pra causar boa impressão.

Chegado o momento do encontro. Por sorte ela mora perto do lugar escolhido. Combinamos de nos encontrar no local. Chegar no horário era uma preocupação. Ainda mais pra quem mora em São Paulo. Por isso, meia hora antes já estava lá. Ela apareceu pontualmente, então a primeira sensação que tive foi de alívio.
Sabe o que é maluco? Eu sempre fico pensando que meu date pode ter uma voz super engraçada, eu não me aguentar e começar a rir. Mas isso nunca aconteceu. Mas sempre crio essas situações constrangedoras na minha cabeça: tipo engasgar com um pedaço de carne e ela ter que me executar a Manobra de Heimlich (quando se abraça a pessoa por trás, pressionando o abdômen forçando a saída do alimento).

6. ‘Cara, ela é gente fina demais’

O papo começou a fluir naturalmente. Por sorte ela também tem senso de humor e a conversa começou divertida. A noite era propensa para o vinho. Mas nós dois acabamos concordando em experimentar uma cerveja espanhola. De entrada, uma tradicional porção de camarão.

Na escolha do prato principal, admito, escolhi mal. Por já conhecer o restaurante, pedi um prato que me agrada: “Rabo de Toro”. A famosa rabada é servida ao vinho e o sabor é sensacional. Mas a apresentação não é das melhores. E eu só lembrei disso quando vi a cara estranha que ela fez ao ver o prato chegando à mesa.

Mesmo sem conhecer o local ela mandou bem no pedido: costela bovina ao molho de gengibre e shoyu, acompanhada com fritas. Acabamos experimentando os pratos um do outro. Ninguém aguentou a sobremesa.

Mas ela está ansiosa para experimentar o recomendado Tiramisu no nosso próximo encontro (ah, moleque!).

7. Resumão da tensão total do blind date

A experiência de um encontro às cegas pode ser muito boa e te dar confiança para outras situações. Foi mais ou menos como eu esperava. Claro que não dá pra prever o que vai acontecer, principalmente quando você não sabe nada sobre a pessoa.

Mas o melhor jeito de diminuir a tensão e a ansiedade, é estar preparado pra tudo. Tudo mesmo.

Nesse tudo, está, claro, as reações do corpo. Minha escolha pelo Rexona Clinical foi certeira. Ele protege três vezes mais do que os antitranspirantes comuns e segurou até mesmo meu suor desenfreado de nervoso. Pude me concentrar apenas no que era mais importante e minha blusa azul – prato cheio para marcas de pizza – ficou intacta!

Procurar conselhos femininos também pode te ajudar bastante.

É legal saber como elas pensam, faz você enxergar tudo com outra perspectiva e não cometer gafes. Funcionou pra mim. Fui natural, autêntico… Acho que agradei… Espero ter ganho muitos pontos com ela.

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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