Diversidade

‘O único lugar lugar onde mulheres têm liberdade sexual é na cadeia’, diz Drauzio Varella

por: Redação Hypeness

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Drauzio Varella tem trajetória marcada pela preocupação com a qualidade e realidade do sistema penitenciário brasileiro. Durante palestra em Lisboa, o médico foi enfático, “o único lugar onde as mulheres têm liberdade sexual é na cadeia”.

O oncologista está em Portugal para compartilhar experiências pessoais sobre voluntariado em duas penitenciárias de São Paulo. Há 13 anos atrás, Drauzio esteve na Penitenciária Feminina da Capital, onde segundo ele, precisou esquecer tudo o que havia aprendido em 17 anos estudando o ambiente de uma casa de detenção para homens.

“Estou absolutamente convencido de que o único lugar onde as mulheres têm liberdade sexual é na cadeia. Não tem outro lugar assim”.

Drauzio ressalta a diversidade sexual dentro de penitenciárias femininas

Em conversa com o PÚBLICO, Drauzio Varella citou elementos comuns do machismo, como violência, abandono parental e o cerceamento da liberdade sexual. O profissional de saúde não tem dúvidas, a sexualidade não é uma questão dentro de centros de detenção femininos.

“Não tendo o homem que toda a vida a oprimiu e lhe impôs regras, na cadeia a mulher pode ter um comportamento sexual completamente livre. Pode ter relação com homem, com mulher, cortar o cabelo, fazer o que ela bem entender. Ninguém critica”, ressaltou.

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A vivência de Drauzio rendeu livros. Em 2011, lançou Prisioneiras (Companhia das Letras), que encerra com perspectiva diferente a trilogia sobre prisões, que tem ainda Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2002).

No bate-papo, o médico analisa a diferença de comportamento das detentas com determinada orientação sexual em um espaço de convivência, no caso da penitenciária de São Paulo, de mais de 2 mil pessoas.

Mulheres negras respondem pela maioria das detentas no Brasil

“Sem amarras machistas, vê-se a mais profunda e complexa expressão da sexualidade feminina. São cerca de 10 a 15% da população presa. Têm o cabelo bem curtinho, com as riscas que jogador de futebol brasileiro faz, com um jeito de andar tipicamente masculino, usam um top bem apertado para esconder os seios e não se depilam.”

Já as ativas, de acordo com ele, “estabelecem as regras na relação de poder, as ‘passivas’ têm o papel complementar e as ‘relativas’ têm namorada na cadeia e recebem visitas íntimas de um companheiro homem”.

O Brasil é quarto país que mais prende no mundo. Os dados são do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias divulgado pelo Infopen. O número de mulheres com cerceamento de liberdade subiu 656%. A maioria delas são negras, 62%. Mães respondem por 74% do total. Outro dado assustador, 45% delas aguardam julgamento presas. O tráfico de drogas responde por 62% das incidências penais.

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Fotos: foto 1: Divulgação/foto 2: EBC


Redação Hypeness
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