Debate

Professor chinês decide dar nota de acordo com a quantidade de contatos online dos alunos

por: Vitor Paiva

É inevitável que os estudos tradicionais e a formação acadêmica cada vez mais se misture com o uso e a realidade das redes sociais e ferramentas virtuais através das quais a internet cada vez mais molda nossas vidas reais. De que forma tal mistura acontecerá, porém, é que parece ser a grande questão – e uma tarefa cobrada por um professor da Universidade de Economia e Direito de Henan, no centro da China, tem provocado intensos debates nessa justa intercessão. Para não perder pontos na média nem zerar o trabalho, os alunos têm de adicionar pelo menos 1 mil novos contatos no WeChat, o app chinês equivalente ao WhatsApp.

A disciplina é Internet e Mídia, e a tarefa designada pelo professor provocou uma enxurrada de reclamações por parte dos alunos, que ironicamente utilizaram as redes sociais chinesas para desabafar. No Sina Weibo, o Twitter chinês, a hashtag #GradedOnNumberOfWeChatFriends (em tradução livre, “Formado pelo número de amigos no WeChat”) já foi utilizada mais de 24 mil vezes. “Ter contatos no WeChat não é o mesmo que ter amigos reais. Não seria apenas um marketing maldoso?”, postou um dos alunos. Outros, porém, defenderam o professor, que foi também às redes para justificar a tarefa passada.

“A turma vai se formar em novas mídias e mídias online”, escreveu. “Essa é uma disciplina central. O que estamos dizendo é que depois, quando esses alunos procurarem trabalho, terão habilidades básicas para esse tipo de operação de mídia social”, argumentou o professor. Naturalmente que a habilidade de pesquisa nas redes é hoje uma qualidade determinante e essencial para uma carreira acadêmica – mas a quantidade de amigos em uma plataforma não costuma ser um elemento levado em conta. O WeChat possui 1 bilhão de usuários no país, e a nota será proporcional ao número de “adicionados”.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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