Inovação

Uso de dados, transparência e privacidade: Mais perguntas do que respostas

por: Mariana Novaes

Em um mundo em que as grandes mudanças culturais se dão a partir do incessante desenvolvimento de novas tecnologias, como projetar o futuro sem cair em um otimismo inocente ou em um pessimismo imobilizante?

Essa pergunta ficou na minha cabeça durante o SXSW, onde estive pela terceira vez neste 2019.  Ouvindo diagnósticos e projeções de futuro, pergunto-me o que restou do “romantismo” que um dia nos fez acreditar que “a tecnologia só havia produzido coisas boas, pois aquilo que não era útil para a humanidade morria rápido”, como bem lembrou Roger McNamee, ex- mentor de Mark Zuckeberg.

Afinal, qual utilidade pode ter para a humanidade a atual epidemia de fake news?  Quando Nick Cohen e Hazel Baker, jornalistas da Reuters, descrevem os sofisticados suportes tecnológicos que permitem as “deepfakes”, não há como não indagar:  A que ponto chegamos?

Frente à criação de falas falsas perfeitamente superpostas a imagens de um vídeo, não há como evitar que o pessimismo se imponha. Há ainda os terríveis vídeos pornôs criados a partir das deepfakes.

De fato, vivemos em tempos de mentiras cada vez mais elaboradas.  No mesmo painel, os jornalistas da Reuters apontaram que a tecnologia evoluiu tão rápido que não tivemos tempo para pensar na “alfabetização” online das gerações. Todos sabem consumir conteúdo, mas poucos foram educados com senso crítico, cada vez mais raro e relevante.  Para enfrentar essa realidade, eles propõem uma “educação digital”. Na educação estaria um horizonte otimista. Mas, quando lembramos as persistentes desigualdades educacionais de um país como o Brasil, concluímos rapidamente que se trata de uma saída a longo prazo.

É a curto prazo que os temas Uso de dados, Transparência e Privacidade são urgentes. Não por acaso, Roger McNamee, ao falar sobre o uso indiscriminado de dados (no qual as empresas de tecnologia fazem sem permissão dos usuários), fez uma instigante provocação: “E o que as empresas estão fazendo com esses dados?”. Pouco se sabe sobre isso, pois não há exigência social suficiente para garantir transparência.

Não há dúvida. A falta de transparência no uso dos dados torna a discussão sobre privacidade uma das mais quentes do momento. Amy Webb, futurista e fundadora do Future Today Institute, radicalizou ao dizer que “a privacidade está morta”. Porém, após essa frase impactante, além de apresentar um cenário neutro e um catastrófico, apresentou também um cenário otimista (infelizmente com probabilidade de apenas 10%) no qual a coleta de dados ganha transparência. Nesse caso, as pessoas entenderiam como, quando, onde e por que elas estariam sendo reconhecidas e monitoradas. Se isso fosse possível, talvez estivesse em jogo a construção de uma nova noção de privacidade.

Roger McNamee quer saber como as empresas usam nossos dados

Roger McNamee quer saber como as empresas usam nossos dados

Mas essa busca por transparência não pode ser feita isoladamente. Margrethe Vestager, comissária de competição da União Europeia, foi bastante aplaudida ao afirmar que só podemos confiar na tecnologia se acreditarmos que seu lado sombrio pode ser colocado em cheque pela sociedade.  Ou seja, ao trazer essa discussão para dentro da sociedade, será possível refletir e encontrar meios legais que garantam um ambiente com mais confiança.

A meu ver, um clima de mais confiança poderia ser estabelecido a partir de fóruns que envolvam representantes da sociedade, das empresas e do poder público. Interesses específicos e divergências de concepções não deveriam impedir o debate.

Enfim, a partir da minha atuação como profissional de marketing, fiz “o meu SXSW ” buscando assistir painéis que me ajudassem a refletir sobre como lidar com este mundo complexo e tecnologicamente mutante.  Volto sem respostas conclusivas.  Mas volto acreditando na força do diálogo entre diferentes atores da sociedade que estão interessados em ampliar a transparência e redefinir os sentidos da privacidade. Essa é minha aposta.

Mas, confesso que ainda estou tentando fugir do meu romantismo inocente que deposita suas esperanças “na humanização do ser humano”.

Hypeness no SXSW 2019, a melhor tecnologia do mundo é a empatia

Pelo segundo ano consecutivo, o Hypeness vai ao SXSW. Esse ano, a Dell embarcou conosco nesse projeto de ir atrás do melhor conteúdo para você. Nossa missão: O que levar do SXSW para melhorar a minha vida e das pessoas que dividem o mundo comigo? 

Que não nos ouçam as ultramáquinas de Inteligência Artificial, mas a única inovação possível é nos humanizarmos cada vez mais. 

Vale muito mais um ser humano que conhece suas potencialidades e seus limites do que qualquer inovação futurística. 

Em nossa nova estadia em Austin, no Texas, queremos abrir ainda mais a cabeça e transformar não só o que o Hypeness entrega para vocês, amigas e amigos leitores. Mas também nossas vidas.

Nossa cobertura é um oferecimento da Dell, que promete inovar a maneira que vemos filmes, séries e esportes com a tecnologia Dell Cinema em seus notebooks.

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Reprodução e Divulgação (SXSW)


Mariana Novaes
Mariana possui uma sólida carreira na empresa com experiência em todas estas frentes. Começou no SporTV, passou pelo Premiere e Playboy e nos últimos seis anos liderou o Marketing do GNT e, em seguida, assumiu também as marcas +Globosat e Viva. Ao longo desta jornada atuou nas áreas de comunicação, inteligência de mercado, desenvolvimento de produto, relacionamento mercado publicitário e operadoras.

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