Arte

5 lugares que inspiraram alguns dos quadros mais incríveis de Van Gogh

por: Vitor Paiva

Se a inquietação e loucura moveram a produção de um dos mais importantes artistas da história da pintura e da arte, aparentemente elas também o levaram a literalmente se mover. Ao longo de sua curta vida o pintor holandês Vincent Van Gogh residiu em mais de 15 cidades da Europa, e a maioria delas se tornou tema e paisagem em seus quadros. Como todo grande artista, Van Gogh era diretamente impactado pelo contexto ao seu redor para criar e, principalmente entre a Holanda e a França, as cidades, vilarejos, seus povos e costumes se tornaram parte do repertório de referências com o qual solitariamente o pintor viria a revolucionar a arte moderna.

As viagens e mudanças de Van Gogh, mas principalmente sua relação artística e visceral com os locais onde vivia servem de pano de fundo e combustível para uma nova biografia recém-lançada fora do Brasil pelo professor e curador Martin Bailey. “Living with Vincent van Gogh: The homes and landscapes that shaped the artist”  (Vivendo com Vincent Van Gogh: As casas e paisagens que moldaram o artista, em tradução livre) explora justamente a vida volátil e apaixonada do holandês em sua relação com os lugares – e principalmente as paisagens – onde viveu.

A partir de tal recorte, separamos 5 dos mais importantes locais onde os olhos de Van Gogh pousaram sobre seus cenários – e seu pincel, sobre a tela.

1. Haia (Holanda)

Vista do mar em Scheveningen (1882)

Aos 16 anos, em 1869, Van Gogh deixou sua cidade natal de Zundert, para viver em Haia, uma cidade maior e mais cosmopolita. Ele voltaria ao local em 1881, e lá pintaria algumas de suas primeiras obras-primas.

2. Nuenen (Holanda)

Paisagem de Outono (1885)

Aos 30 anos o pintor seguiu com sua família para viver no vilarejo de Nuenen. Apesar de sua relação familiar turbulenta, por lá ele estabeleceu seu ateliê na propriedade da família e, em um contexto mais calmo e estável, pôde investir intensamente no aprimoramento de seu trabalho. Foi lá que pintou sua primeira grande obra-prima, “Os Comedores de Batata”, de 1885.

Os Comedores de Batata (1885)

3. Paris (França)

Terraço no Jardim de Luxemburgo (1886)

Van Gogh viveu por dois anos na capital francesa, entre 1886 e 1888, mas essa estadia iria transformar sua vida e seu trabalho. Apresentado ao Impressionismo na cidade-luz, essa influência iria ser definitiva em seu estilo. Os autorretratos parisienses marcam a solidificação do neo-impressionismo característico do artista.

Autorretrato com chapéu de feltro cinza (1887)

4. Arles (França)

A Colheita (1888)

As brigas com seu irmão Theo e custo de vida em Paris levaram Van Gogh a se mudar da capital para Arles – quando as perturbações mentais e o alcoolismo começaram a cobrar da saúde do pintor. As incríveis paisagens de Arles, porém, lhe levaram a criar mais de 200 quadros por lá – incluindo sua icônica casa amarela. Foi lá, porém, que Van Gogh brigou com seu amigo e pintor Paul Gauguin, no episódio que o levaria a cortar sua orelha esquerda.

5. Saint-Paul-de-Mausole, Saint-Rémy-de-Provence (França)

Campo de trigo verde com ciprestes (1889)

Depois de uma série de distúrbios psicóticos, Van Gogh voluntariamente se internou no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy-de-Provence, ao norte de Arles. Apesar do momento perturbador, o cenário ao redor era espetacular, e pela janela do quarto e em excursões ao campo ele seguiria em sua intensa produção nos últimos anos de sua vida. Sua obra-prima maior, “Noite Estrelada”, foi pintada nessa época e nesse local.

Noite Estrelada (1889)

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© artes: Vincent Van Gogh


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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