Diversidade

’80 tiros? Esse país deveria estar pegando fogo’. Emicida explica genocídio negro como ninguém

por: Redação Hypeness

Emicida colocou o dedo na ferida do silêncio ensurdecedor de parte da sociedade brasileira depois que o carro de uma família foi atingido por 80 tiros. Todos disparados por soldados do exército.

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Evaldo dos Santos Rosa tinha 51 anos. O homem negro, músico e pai de família morreu a caminho de um chá de bebê. Para os autores do disparo, mais um negro que poderia ser bandido. Emicida deu o tom durante o programa Papo de Segunda, do GNT.

Emicida criticou a passividade diante de mais uma pessoa negra assassinada

“80 tiros? Este país deveria estar pegando fogo”, cobrou o rapper autor de Mandume.

Não está. O caso estampou a capa dos principais jornais, no entanto, não teve uma palavra do presidente da República e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, preferiu não fazer juízo de valor.

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“Não é um engano. Se você der um Google agora [tem] de ‘polícia confunde uma determinada coisa como uma arma na mão de uma pessoa preta e pobre”, completa Emicida.

O governador do Rio não sabe opinar sobre os 80 tiros

Evaldo, morto a tiros na Estrada do Camboatá, no bairro de Guadalupe, escolheu o trajeto a pedido da esposa, que se sentia segura justamente pela presença dos militares.

“A gente tem um processo de extermínio das pessoas pretas no Brasil. Isso não é um ponto fora da curva, infelizmente, principalmente no Rio de Janeiro, onde a maioria dos casos populares aconteceram”.

O paulista classifica a ocorrência como um ‘assassinato cometido pelo Estado brasileiro’ e cita alguns casos emblemáticos de pessoas negas mortas pela polícia. 

“Eu não penso nisso de uma maneira distante, penso que posso ser o próximo, porque essas pessoas parecem comigo. Podia ser o carro da minha família”.

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Emicida critica a insistência da sociedade brasileira em justificar mortes com atos ilícitos. O famoso ‘bandido bom, é bandido morto’. 

“Se o Brasil tivesse respeito por seus cidadãos, era para o país estar pegando fogo hoje. Oitenta tiros no carro de uma família que tava indo para um chá de bebê. Um pai morreu na frente da filha de 7 anos. O militar que atirou debochou quando a mulher saiu do carro. A gente é do país em que o segurança do mercado se sente livre para asfixiar e assassinar o cara e não acontece nada. Isso é um soco no estômago, um tapa na cara do brasileiro. Para mostrar como o nosso Estado é genocida. E a gente precisa, urgentemente, fazer alguma coisa com respeito a isso”.

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Foto: Reprodução


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