Meu Guarda Roupa é Hype

A moda com afeto e colorida da personal stylist Lalá Cunha

por: Brunella Nunes

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Cada vez mais, as pessoas vêm buscando propósito em cada cantinho de suas existências, do trabalho ao estilo de vida. Na busca por identidade, surge um novo conceito: a moda com afeto. A colorida e estampada personal stylist Lalá Cunha, batizada Laís, explica para o Hypeness que essa escolha vai muito além da roupa.

Nascida em Belo Horizonte, a mineira de 30 anos mora em São Paulo, onde atua no mercado fashion trabalhando para marcas, tanto em pesquisa de identidade de moda quanto para a imagem e produção em si, e também na curadoria de marcas para lojas, feiras e marketplaces.

Lalá faz sucesso os looks pessoais, que têm uma boa medida, são cheios de informação, mas sem arder os olhos! No Instagram, ela ganhou outras profissões: a de modelo para editoriais e digital influencer. Com 28 mil seguidores, serve como inspiração para pessoas com os mesmos interesses que os dela. “Apesar de achar esse termo um tanto quanto pesado, a vida me trouxe esse trabalho de forma bem orgânica e leve”, pontuou.

Dividindo seu dia entre postagens, pesquisas, aulas de dança, cuidado com seus pets adotados, programas ao ar livre e taças de vinho, ela falou com a gente sobre seu estilo divertido e despojado.

– Você sempre se vestiu assim, cheia de cores e com looks confortáveis?

Sempre vesti roupas confortáveis, nunca aceitei algo que me incomodasse. Agora, sobre as cores, elas sempre estiveram presentes no meu lado criativo, mas na forma de vestir veio depois dos meus 25 anos. Apenas nessa idade consegui entender melhor meus gostos e melhorar minha auto-estima a ponto de saber que a roupa que carrego pode ser linda, mas bonita mesmo sou eu.
A roupa é apenas uma forma de expressar. Tendo isso bem definido na minha cabeça, me dei a liberdade de usar o que realmente eu estou a fim, e de me achar bonita mesmo quando estou dentro ou fora do padrão.

-Você mistura muitas estampas. Quais são suas dicas para fazer as combinações?

Se a pessoa quer usar algum tipo de mix de estampas, significa que ela já está querendo sair um pouco do padrão. O erro na hora de se vestir está no medo de assumir essa mistura. Tem que assumir e segurar ela, gente!

Pra facilitar, gosto de brincar dizendo que listra não é estampa, ou seja, vai com qualquer estampa, inclusive com outra listra. Oncinha também não é: vai bem com praticamente qualquer estampa. Uma outra dica é encontrar uma cor em comum nas estampas para ajudar no mix.

Contudo, deixo bem claro que não existe regras, moda é feita pra brincar e se expressar. Temos que fugir das regras que limitam a nossa liberdade de expressão.

– Quais são as suas referências de estilo?

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Gosto de ver misturas inusitadas, procuro sempre o diferente. As minhas principais referências de estilo hoje são: Sarah Jane Adams, Iris Apfel e Isaac Silva

– Como você define a “moda com afeto”?

Moda com afeto pra mim é aquela moda que pensa no próximo. Uma moda sem julgamentos, que apenas inclui e não exclui ninguém, que não escraviza nem prejudica nenhuma pessoa ou nenhum ser.

Então existe uma preocupação sua com o que você compra, com a origem das suas roupas?

Sim. Hoje procuro saber sobre a marca que vou comprar, afinal, quem fez aquela roupa? Se você está pagando muito barato em uma peça, eu afirmo com certeza que alguém está pagando muito caro no processo de produção - pessoas deixam de receber um salário digno ou são até escravizadas para fabricar aquela blusinha barata.

Eu não compro mais de fast fashion, procuro marcas de pequenos produtores ou que conheço a confecção. Eu adoro garimpar em brechós: não há nada mais sustentável do que o reuso de roupas que já existem. O que visto é produzido em pequena escala, que tenha uma ética pensada durante todo o processo: desde o trabalhador que faz a roupa, passando pela comunicação da marca, até o descarte daquele produto.

– Qual é a sua relação com os brechós?

Tem muitos anos que sou consumidora de brechós. No começo eu comprava em brechós apenas pelo fato de serem mais baratos. Depois comecei a entender a importância do reuso de peças, da exclusividade das peças existentes neles, e toda relevância do trabalho que os brechós fazem para a sociedade.

Já temos roupas no mundo para vestir toda a população mundial durante mais de um século. É muita roupa! Lembrando que essas roupas um dia vão parar nos lixões. Ou seja, tudo o que for produzido de “novo” no planeta tem que ser muito bem pensado. Não dá mais para consumir uma moda fast.

– Na sua visão, quais são os maiores desafios que o mercado fashion (fast e slow) têm atualmente?

O maior desafio pra mim será fazer a mudança de pensamento e hábito da população e das grandes empresas. Isso é extremamente difícil, principalmente para as pessoas com menos instrução e oportunidades. Adotar métodos e materiais mais éticos nunca é, economicamente falando, mais interessante para as empresas, mas é o certo a ser feito. Só de pensar que daqui a 50 anos, se não mudarmos nosso sistema de consumo, teremos mais plástico do que peixes nos oceanos. Já dá pra entender que passamos da hora de olhar com atenção para esse futuro próximo.

– Você é viciada no Instagram? A presença de likes e fãs e a coisa toda fez você se gostar mais ou te deixam mais preocupada com a sua autoimagem?

Ás vezes acho que sim, às vezes acho que não. Meio doido isso, né?! No meu dia a dia o Instagram está sempre presente. Mas hoje tenho muito a visão dele como um “trabalho”. Sendo assim, eu gosto dos meus dias “out”, meus momentos de descanso.

– Já deixou de usar alguma peça por medo de assédio?

Infelizmente, muitas vezes. O machismo impregnado na nossa sociedade é um dos mais graves problemas sociais que enfrentamos. Portanto, acho que a única solução é revindicando nossos direitos como mulher. Temos o direito de sair de casa com a roupa que quisermos sem medo. Se quisermos, vamos sair de shortinho, top e minisaia sim!

 

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Fotos: Lalá Cunha


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.


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