Ciência

Animais prosperam mesmo vivendo na zona de exclusão de Chernobyl

por: Vitor Paiva

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Depois que, em 26 de abril de 1986, a explosão no quarto reator da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, provocou o maior acidente nuclear da história, a região da usina e seus arredores foram isolados e transformados em uma Zona de Exclusão. Com cerca de 2600 km2, essa Zona é uma das regiões mais radioativas do mundo, com acesso restrito e diversas normas de segurança e tempos máximos de permanência.

Nada disso, porém, parece importar para os animais selvagens que, mais de 30 anos depois do acidente, e possivelmente se valendo da ausência de ação humana na região, cada vez mais se multiplicam e são encontrados mesmo dentro da Zona de Exclusão.

Os primeiros animais avistados foram os lobos, ainda há alguns anos, mas recentemente pesquisadores conseguiram fotografar diversos outros animais na região. À época da explosão, cerca de 100 mil pessoas foram removidas da permanentemente das vilas e cidades da região, especialmente ao redor de Chernobyl e Pripyat. O nível de radiação é ainda muito alto para a vida humana, mas certos animais selvagens, pelo visto, parecem estar se adaptando ao local novamente. Não há ainda, porém, maiores detalhes sobre a saúde dos animais.

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Há, no entanto, não só animais selvagens na região. Conhecidos como Samosely (algo como “autocolonos”, em tradução livre), cerca de 200 pessoas ainda vivem dentro da Zona de Exclusão. Em sua maioria idosos, essa população é composta ou por pessoas que se recusaram a ir embora, ou que retornaram após a tragédia – vivendo com muita dificuldade e estigmatização, quase que exclusivamente do que cultivam no solo contaminado da região.

Acima, uma das entradas à Zona de Exclusão de Chernobyl; abaixo, a icônica roda gigante, parada desde 1986

A volta da vida selvagem é, no entanto, um primeiro sinal de esperança para que quem sabe essa zona quase morta do planeta possa um dia voltar à vida como merece.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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