Sustentabilidade

Após 15 anos, ele largou o trabalho como açougueiro para ser vegano sem medo de piadas

por: Vitor Paiva

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A ignorância pode muitas vezes ser uma benção, especialmente para que possamos manter certos hábitos. O vegetariano Paul McCartney costuma dizer que se os matadouros tivessem paredes de vidro, ninguém comeria carne – e essa é de certa forma a metáfora por trás da história do escocês Brian Kavanagh, que desde os 16 anos trabalhou em um açougue da família na Escócia. Aos poucos, por influência da sua companheira, Brian foi se tornando vegano – e, segundo ele, “subitamente a ideia de colocar algo morto em meu corpo pareceu errada”. Inicialmente, porém, ele decidiu não contar no trabalho sua decisão.

“Eu guardei para mim mesmo. Não contei para ninguém porque fiquei com medo que eles fizessem piadas”, disse Brian, em entrevista. O medo do bullying e a incongruência de ser vegano e passar o dia cortando animais em pedaços foi o que fez com que Brian primeiramente decidisse não contar. Aos poucos, porém, as tais paredes de vidro (ao menos de sua consciência) tornaram a situação insustentável. “Antes eu só olhava (para os produtos) como pedaços de carne indo para a mesa do jantar. Mas depois você vê um animal, não apenas um bife. Eu estava um pouco deprimido, simplesmente não me sentia bem, então, tive que sair”, afirmou.

A solução encontrada por Brian foi, contudo, a melhor possível: ao invés de desperdiçar seus 15 anos de experiência, ele aproveitou seu conhecimento para trabalhar no açougue vegano Sgaia’s Vegan Meats, local especializado e carnes vegetais em Glasgow, maior cidade do país. O temor de que seu passado fosse impedir que ele fosse contratado tornou-se, em verdade, um incentivo a mais para que não só Brian se mantivesse empregado, como para que utilizasse sua experiência justamente no desenvolvimento de alternativas para as carnes animais.

Acima, uma das carnes vegetais produzidas por Brian hoje

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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