Debate

Bento XVI culpa revolução sexual por pedofilia na Igreja

por: Tarsila Döhler

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Em um documento de 18 páginas, com título A Igreja e os Abusos Sexuais, Joseph Ratzinger, o papa emérito Bento XVI, apontou causas possíveis para os famosos casos de abuso sexual de menores por membros da Igreja Católica. O texto é resultado da cúpula aberta pelo papa Francisco em fevereiro, em que, durante três dias, 190 líderes religiosos se reuniram para tratar do assunto no Vaticano.

No documento, Bento XVI ultrapassa os portões da Igreja: atribui parte do problema à mudança de costumes sexuais pela qual a sociedade passou, originada com a revolução sexual da década de 1960, além de apontar a impunidade que os abusadores tiveram por anos. Segundo ele, a pedofilia atingiu “essas proporções” devido à “ausência de Deus”.

Bento XVI, o primeiro papa a abdicar do posto desde 1415

O material está dividido em três partes. O primeiro apresenta o contexto histórico dos anos 60, focando no colapso espiritual que a revolução de Maio de 68 teria causado. Segundo o papa emérito, nesse período,a pedofilia também foi diagnosticada como permitida e apropriada. Ratzinger foca em sua própria experiência enquanto jovem na Alemanha e cita “clubes de homossexuais” formados “em vários seminários, que atuavam mais ou menos abertamente“, que “mudaram significativamente o clima que se vivia neles“. Por fim, aponta que a decadência moral daquele momento impactou negativamente os sacerdotes e apresenta uma proposta para lidar com a situação.

A Igreja Católica busca soluções para os casos de pedofilia na instituição

A importância da Revolução de 1968 na história da humanidade é inegável. O momento acarretou grandes mudanças sociais e culturais, gerou novas discussões, como métodos contraceptivos, por exemplo, e certamente propiciou bases para uma sociedade mais livre como a que vivemos hoje.

Para Bento XVI, porém, a época tem outro significado: “Pode-se dizer que nos 1920 anos entre 1960 e 1980 os padrões até então vinculativas em relação à sexualidade entraram completamente em colapso e surgiu uma nova normalidade, que até agora tem sido objeto de várias tentativas laboriosas de disrupção“.

O documento, vazado pelo The New York Post e, segundo Joseph Ratzinger, escrito de acordo com a Secretaria de Estado do Vaticano e com o próprio papa Francisco, não apresenta, no entanto, soluções práticas para esses casos que marcam profundamente a história da Igreja Católica.

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Fotos: Reprodução


Tarsila Döhler
Jornalista, pisciana, apaixonada por brechó, cerveja gelada e livros. Natural do interior, com sonho na cidade grande. Divide a vida entre textos, diagramação, bordados e os 360 dias de espera pelo carnaval.

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