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Catador que tentou ajudar família fuzilada por Exército morre após polêmica médica

por: Tarsila Döhler

O Brasil se comoveu no início desse mês, quando um carro com uma família que ia a um chá de bebê foi metralhado com 82 tiros, em Guadalupe, zona norte do Rio. O pai, Evaldo Santos Rosa, morreu na hora.

Luciano Macedo estava no local e tentou ajudar os ocupantes do veículo. O catador de lixo foi baleado no pulmão esquerdo e estava internado desde então. Ontem, ele passou por cirurgia da qual saiu em estado crítico e, segundo informações da secretaria de Saúde, morreu às 4h20.

Luciano passou os 11 dias desde que foi atingido internado no hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes. A advogada de sua família conseguiu duas ordens judiciais para transferência de unidade de saúde, o que não aconteceu.

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A primeira decisão ordenava que o paciente fosse transferido para o hospital municipal Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias. O não cumprimento da ordem previa multa de R$ 2.000 por hora e de R$ 5.000 após 24 horas, a partir do recebimento da notificação.

Uma nova decisão, emitida ontem, determinou que o catador fosse transferido para um hospital particular, com as despesas pagas pelo governo. A segunda ordem, porém, também foi descumprida e Luciano foi encaminhado para cirurgia.

Luciano foi baleado no pulmão esquerdo enquanto tentava ajudar a família a sair do veículo

A advogada da família, Maria Isabel Tancredo, acusou o hospital de ignorar a decisão judicial. Ao UOL, ela resumiu a situação: “Foi baleado pelo Exército, foi levado para hospital estadual sem condições de realizar todos os procedimentos necessários e foi impedido de ser atendido em hospital municipal por falta de vagas”.

A Secretaria de Saúde, por outro lado, afirma que “todos os esforços foram feitos para reverter o quadro“, porém não foi possível transferir o paciente devido a seu estado gravíssimo.

Através de uma nota, a Central Municipal de Regulação informou que contatou a direção do hospital Carlos Chagas, onde o catador estava internado, para viabilizar o transporte do paciente assim que ele estivesse em condições de ser transferido. O órgão, destacou que Luciano estava em estado “grave” e, por isso, internado no Centro de Tratamento Intensivo da unidade estadual, que avaliou a necessidade da cirurgia.

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Fotos: Reprodução


Tarsila Döhler
Jornalista, pisciana, apaixonada por brechó, cerveja gelada e livros. Natural do interior, com sonho na cidade grande. Divide a vida entre textos, diagramação, bordados e os 360 dias de espera pelo carnaval.

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