Ciência

Cientistas chineses colocam genes do cérebro humano em macacos. E ele ficam mais inteligentes

12 • 04 • 2019 às 10:30 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Há milhões de anos, os seres humanos e os chimpanzés dividiram um ancestral comum. Ao longo do tortuoso processo de evolução, a inteligência humana é provavelmente a mais complexa e consequente transformação provocada por tal processo, que ampliou nossos cérebros e habilidades como em nenhum outro animal. Compreender a evolução da inteligência e de nossos cérebros é das tarefas mais importantes de toda a ciência, e um grupo de cientistas chineses decidiu por dar um passo extremo e polêmico em um novo experimento para tal objetivo: criar macacos transgênicos, com doses extras de alguns genes humanos que teriam sido determinantes no processo de evolução de nossa inteligência.

Exemplos de crânios antepassados em nossos processo evolutivo

De acordo com o experimento, os macacos geneticamente alterados de fato apresentaram resultados intelectuais mais elevados, especialmente em testes de memória envolvendo cores e imagens – e seus cérebros levaram mais tempo para se desenvolverem, como acontece com as crianças humanas. Não houve, porém, um aumento no tamanho dos cérebros. O experimento utilizou, no entanto, pequenas quantidades dos genes humanos, a fim de dar os primeiros passos para compreender melhor o que desconhecemos a respeito de nossa própria evolução.

Os chimpanzés, nossos primos evolutivos distantes

Os resultados foram significativos, porém ainda tímidos – em especial diante da polêmica que o experimento levantou. A ética por trás do experimento foi severamente questionada por membros da comunidade científica em todo o mundo, justamente pela semelhança genética profunda entre nós e os primatas – sugere-se que tal caminho de humanização dos macacos, em casos mais extremos, pode levar ao sofrimento profundo dos animais, por um experimento pouco confiável e sem propósitos científicos comprovados.

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