Debate

Coleção com rosto de Marielle e tiros na SPFW gera debate nas redes sociais

29 • 04 • 2019 às 11:55
Atualizada em 29 • 04 • 2019 às 12:00
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O 47° São Paulo Fashion Week (SPFW) aconteceu no último fim de semana. No evento, o estilista Ronaldo Fraga apresentou duas peças com a imagem de Marielle Franco: um sapato, com o rosto da vereadora com um alvo na testa, e uma camisa com círculos vermelhos, que representavam tiros. O conceito, segundo o estilista, era imaginar o que Cândido Portinari faria se os painéis ‘Guerra e Paz’ fossem pintados nos dias de hoje. A alusão a Marielle, vereadora assassinada no ano passado, foi feita na intenção protestar contra a morte de negros no Brasil.

A homenagem, no entanto, gerou debate nas redes. A discussão se dividiu entre quem compreendia a intenção das peças e defendia a moda enquanto instrumento de protesto e, por outro lado, quem julgava as peças como um desrespeito à família e à imagem da ex-vereadora.

Peças foram interpretadas como um desrespeito à memória de Marielle Franco

De acordo com a Marie Claire, com a repercussão negativa, o estilista entrou em contato com Anielle Franco, irmã de Marielle. Para o Ronaldo, a conversa “Foi uma ótima acolhida, estamos no mesmo barco, na mesma luta. Estamos defendendo e lutando pelas mesmas causas”.

Segundo ele, o país não está habituado ao uso político da moda. “Obviamente eu entendo quando as pessoas se sentiram agredidas. Não existe no Brasil o costume de ver a moda como vetor político. Me surpreendeu toda a história porque foi fogo amigo, veio justamente de grupos com os quais eu compactuo“, explicou.

Anielle se manifestou pelo Instagram, expressando o incômodo de ter a imagem da irmã usada mais uma vez sem o consentimento da família, embora entenda que sua irmã representa uma luta muito grande para o Brasil. “Eu entendo que ela é gigante e sempre será. Mas as pessoas precisam entender que a morte da Mari vai muito além de ideologia política e que por trás dessa morte existe uma FAMÍLIA DESPEDAÇADA que ainda hoje sofre com essa violência. Essa guerra de valores que estamos vivendo tem lado, e quase sempre o lado esquecido, é o lado do negro, pobre, homo, trans e etc! Isso sim me incomoda mais do que qualquer outra coisa. E com toda essa indignação, eu não medi esforços para postar, falar, fazer stories e comentar sobre esse caso“, desabafou.

https://www.instagram.com/p/BwzoR8SpzSa/

A irmã da vereadora também explicou que na conversa com Ronaldo, ele deixou claro que as peças não serão comercializadas, mas entregues a seus pais.

Nas redes sociais, porém, a discussão se aprofundou muito mais. Através do Instagram, Stephanie Ribeiro, colunista da Marie Claire Brasil, afirmou que não viu sentido na homenagem e que, se o objetivo era político, havia outras medidas mais efetivas que poderiam ser tomadas. “Acho que é possível denunciar o racismo estrutural, a violência e repudiar esse assassinato que marcou todos nós, de uma forma que não seja essa. Muitas marcas estão no @spfw trazendo profissionais negros, seja nas equipes de produção, beleza, etc… seja entre modelos que deixaram de ser apenas um na passarela e passaram a ter presença mais significativa”, contestou.

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