Diversidade

Ensinar história afro-brasileira nas escolas eleva autoestima dos alunos

por: Vitor Paiva

Derrubar padrões impostos e essencialmente racistas de beleza, de cor da pele e ampliar a representatividade, em especial em um país como o Brasil – no qual mais da metade da população é negra – é não só corrigir uma miopia e uma inverdade em termos de qualquer coisa que se pareça com um padrão, como também oferecer um importante espelho para a autoestima dos jovens e crianças. Na cidade mais negra fora da África do mundo, uma escola oferece todo seu ensino através de ênfase especial na cultura e na história negra e indígena.

As dependências da Maria Felipa

Localizada em Salvador, na Bahia, a Escolinha Maria Felipa procura resgatar e sublinhar grandes feitos e a história dos antepassados negros a fim de criar valores e orgulho nas crianças sobre sua ascendência. O propósito é atravessar o ensino de modo geral lembrando a história de grandes filósofos, artistas, reis e rainhas negros e negras – e explorar o conhecimento ameríndio como tão avançado e importante quanto o conhecimento moderno e de origem europeia. Não é preciso, porém, abandonar a história e o conhecimento eurocêntrico, mas sim, valorizar tudo – e complementar tal conhecimento com essas outras histórias. Os números são apresentados às crianças, por exemplo, através de uma tábua de contar egípcia, com direito à história por trás da tábua.

A escola oferece um currículo bilíngue, incluindo capoeira, danças latinas, circo, com aulas em espanhol e inglês em complemento às aulas mais tradicionais. A escola viralizou recentemente na internet após a publicação nas redes revelou o questionamento de uma mãe em busca de uma escola, a respeito da presença de um professor transexual na Maria Felipa. “Quem acha que uma pessoa trans, apenas por ser trans, não pode educar seu filho não merece a nossa escola”, respondeu a escola.

Hoje a Maria Felipa, em atividade há alguns meses, recebe 33 crianças de 2 a 5 anos de idade, se tratando da justa época em que a construção da autoimagem e autoestima se estabelece – e, através de uma arrecadação online, procuram agora conceder dez bolsas para crianças em situação social vulnerável. Além de oferecer esse espelho virtuoso para a construção do “eu” de cada uma de tais crianças, a escola procura combater a construção de preconceitos e descriminações em seus alunos, lembrando o sentido mais profundo e imediato para o futuro das pessoas e do país que a educação pode nos oferecer.

Aluno na Maria Felipa

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Maju Coutinho inspira e jornalista comanda noticiário ao lado de fã de 9 anos