Arte

Erros e mentiras: a nova versão sobre o ataque de tigre que chocou Las Vegas

Redação Hypeness - 01/04/2019

Embora tradicional, sobretudo ao longo do século 20, o emprego de animais em shows de entretenimento se tornou alvo de críticas. Seja pela saúde dos bichos ou a segurança do próprio showman.

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Um caso ocorrido em Las Vegas em 2003 volta ao debate justamente por conflitos de versões, insegurança e mentiras. Em outubro daquele ano Roy Horn comemorava 59 anos. O domador de animais membro da Siegfried & Roy, famoso pelo ilusionismo, foi mordido por um tigre branco Mantacore de 180 kg.

Um dos domadores diz ter tido depoimentos ocultados

Os espetáculos com bichos sofreram danos irreparáveis e a Siegfried & Roy fechou as portas. No entanto, o próprio Horn criou uma versão, digamos, fora da realidade. Segundo ele, o animal o salvou de um derrame em plena apresentação. O tigre, segue o relato, o levou para os bastidores o arrastando pelo pescoço.

No entanto, o The Hollywood Reporter conversou com um dos cuidadores do tigre branco, que pela primeira vez deu detalhes sobre o que realmente aconteceu em um dos palcos do hotel Mirage no fatídico outubro de 2003.

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“Esse momento me assombra até hoje e é uma praga que me gera uma enorme culpa. Eu fui a pessoa a convencer Roy a usar o tigre que acabou atacando e fechou a atração de maior sucesso da história de Las Vegas”, recorda Chris Lawrence.

“Esse momento me assombra até hoje”, diz Lawrence

A ideia inicial de Horn era usar um filhote mais novo. Contudo, Chris levou alguns amigos e familiares para acompanhar o espetáculo e acabou convencendo o ilusionista de optar pelo Mantacore de mais de dois metros de comprimento.

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Lawrence, que acompanhava a performance de perto, explica que um dos fatores para o incidente foi o distanciamento de Roy Horn. Ele passava cada vez menos tempo com os bichos. Porém, durante o espetáculo propôs movimentos priorizando o contato próximo.

Roy estava distante do cotidiano dos animais

“Ele estava tratando os tigres mais como propriedades do que com o respeito que eles precisam”, acrescenta.

Dezesseis anos depois, Chris Lawrence aponta o erro crucial. “O que Roy fez, em vez de circular com Mantacore, como era sua rotina, foi usar seu braço para girá-lo, fazendo um movimento de pirueta. O focinho de Mantacore estava de encontro com o corpo de Horn e, sem seguir as normas de segurança com o animal, ele o levou à confusão e rebelião”.

O animal, em poucos segundos, se transformou. Pupilas dilatadas, orelhas levantadas e o bigode eriçado. Estava pronto para o ataque. De fato, já que mordeu o braço de Horn, que assustado bateu com o microfone na cabeça do tigre.

Foi o suficiente para o Mantacore morder o pescoço do domador e carregá-lo para fora do palco. Lawrence precisou colocar os dedos dentro da boca do animal para que Horn fosse solto.

Lawrence recorda que nem um pedaço de carne foi suficiente para distrair o tigre branco, que aproveitou a brecha para derrubar Roy Horn. “Eu caminhei. Nunca se corre com felinos. Poderia adicionar estresse à sua resposta. Me lembrei vividamente de experimentar tudo o que se fala de experiências antes da morte. Foi muito desesperador, parecia uma eternidade e eu só conseguir pensar que deixaria meus filhos”.

O Mantacore de 180 kg mordeu o pescoço do domador

Roy Horn sobreviveu ao ataque brutal, mas se locomove e fala com dificuldades. O Mantacore viveu até os 17 anos. Ele morreu em 2014.

Lawrence diz que seus depoimentos foram omitidos e que sofreu com alcoolismo e depressão. A Siegfried & Roy se mantém como zoológico no hotel Mirage, em Vegas.  

“Apesar de Roy infelizmente ter ficado com as sequelas físicas do ataque, não é só ele quem sofreu”, lamenta pouco mais de 15 anos depois do ocorrido que mudou a relação entre entretenimento, animais e seres humanos nos Estados Unidos.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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