Esta empresária fez da geração de emprego para pessoas trans sua missão de vida
Matéria Especial Hypeness

Esta empresária fez da geração de emprego para pessoas trans sua missão de vida

por: Danilo Gonçalves

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Quem desceu a Rua Augusta, no centro de São Paulo, junto com o Bloco do Desculpa Qualquer Coisa durante o Carnaval deste ano pode não ter notado, mas enquanto a maioria desfilava suas fantasias e curtia a alegria que é o Carnaval, um grupo de pessoas estava literalmente “suando a fantasia” ajudando na organização da farra.

Nesse caso em especial – e em vários outros blocos que vão rolar nos próximos dias – a equipe de apoio do bloco foi encabeçada pelo projeto Transmissão, um coletivo idealizado pela empresária Rubi Delafuente e que atua na organização de festas e eventos, não apenas carnavalescos, mas também corporativos. 

“Nós não fazemos só baladas, já trabalhamos para a Uber, Unilever, Bayer, Itaú Social, Casa Natura Musical (…)”, conta orgulhosa. “Há três anos, tive a ideia de montar esse projeto pensando na necessidade dos homens e das mulheres trans se colocarem com dignidade no mercado de trabalho”, diz a ‘dona do negócio’, que conta com cerca de 60 pessoas cadastradas para jobs eventuais.

Aos 33 anos, Rubi é agente de saúde, já trabalhou como educadora e diz “gostar de entender muito o outro lado”. Mas apesar dos cases, como toda pessoa ~fora do padrão~, já sofreu preconceitos. “Os ‘nãos’ que já tomei me fortaleceram, e o Transmissão é um resumo de tudo o que já vivi. As pessoas estão vendo que eu existo”, diz.

Da dor nasceu a oportunidade

Rubi, orgulhosa, mostra a parceria com a Bayer

Rubi conta que foi só começar a pintar as unhas e a se mostrar como mulher que as oportunidades começaram a desaparecer. “Era triste participar de processos seletivos e perceber que a maioria passava e eu, sem muitas explicações, ficava para trás”, lembra.

Mas da dificuldade e chateação por não conseguir se estabelecer no mercado é que Rubi se reinventou e começou a pensar em criar a própria oportunidade – não apenas para ela, mas para seus iguais. “Minha felicidade hoje em dia é ver que eu, como mulher trans, estou gerando essa empregabilidade para quem vive ou viveu a mesma dor que eu”, conta alegre.

A empresária conduz seu negócio sozinha: aborda empresas, faz contato com organizadores de festas e eventos, vai a reuniões e, claro, apresenta seu negócio tendo como grande diferencial a oportunidade de empregar uma parcela da população ainda marginalizada, infelizmente.

“Incentivando outras pessoas, eu estou me incentivando”, continua a prosa empolgada sobre sua Transmissão que já empregou formalmente pelo alguns participantes do projeto. “As pessoas me perguntam se não fico chateada quando alguém da minha equipe é contratada para trabalhar em outro lugar e prontamente respondo que não, pois sempre tem pessoas trans buscando oportunidade e ver que estou conseguindo fazer diferença para elas é motivo de extrema satisfação para mim. É uma sensação de dever cumprido”, resume ao ser questionada sobre a realização de um negócio com impacto social direto.

Rubi faz questão de dizer que uma de suas grandes missões com o Transmissão é mostrar que as pessoas trans estão disponíveis para o mercado e precisam trabalhar. “A gente precisa apagar essa imagem ligada à prostituição. Nada contra, afinal ‘meus corpo, minhas regras’, mas a gente precisa mostrar que a gente é capaz e precisa trabalhar”, explica.

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Danilo Gonçalves
Chegar aos 30 foi revolucionário para o que vejo e sinto. Ainda assim, continuo o cara alegre, curioso e pronto para resolver problemas e atender demandas que surgem do nada. Pode mandar que estou aqui. Gosto de um bom som, de Michael Jackson e Beyoncé, mas não nego agudos e graves bem cantados e, claro, um bom pancadão.

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