Debate

Este bilhete de uma mãe preocupada expõe a dura realidade do racismo no Brasil

por: Redação Hypeness

O racismo no Brasil é estrutural. Isso significa que esse preconceito costuma ser mais velado, muitas vezes imperceptível para aqueles que não o sentem na pele. Nas leis do país falam muito sobre igualdade, mas, quem está minimamente atento ao que acontece ao seu redor, sabe que a realidade é muito diferente.

As favelas e periferias vivem esse racismo cotidianamente. Lá, mora uma camada mais pobre da população e, não por coincidência, negra.

Bruno Rico, morador de Madureira, Zona Norte do Rio, compartilhou um bilhete deixado por sua mãe, que diz “Meu filho, não bota roupa preta”. Para ele, o significado do recado é claro: “Este bilhete simboliza a preocupação de uma mãe que tem um filho morando em área de guerra e deixa um recado de alerta para que ele possa reduzir as chances de ser morto quando voltar pra casa.

Bilhete gera discussões importantes sobre as periferias do país

O relato de Bruno traz luz a uma realidade tão cruel mas tão comum que até sua mãe, que não vive na bolha de problematização e de discussões teóricas, enxerga nitidamente. É uma questão de sobrevivência.

No Rio de Janeiro, em especial, o racismo é institucionalizado há muito tempo. É histórico. Em 2019, porém, as coisas estão mais às claras do que nunca. Em áudio divulgado em março, o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, afirmou que o Rio é “uma esculhambação completa” . O governador do estado, eleito em 2018, defendia em campanha o uso de snipers para abater criminosos. A promessa era bem clara: “A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”. A política abre margem para falhas irreparáveis.

No ano passado, Rodrigo Alexandre da Silva Serrano, residente da favela Chapéu Mangueira, foi morto enquanto esperava sua família na rua. Segundo moradores, os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Comunidade (UPP) teriam confundido o guarda-chuva que ele carregava com um fuzil.

Pelo facebook, Bruno contou um pouco da realidade do negro no Brasil

Esse ano, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, pessoas foram baleadas em locais que tranquilos, livre de conflitos no momento dos disparos. Os moradores acreditam que os tiros tenham vindo de torres da Cidade da Polícia, o principal complexo da Polícia Civil.

Segundo dados do G1, o Rio de Janeiro é o estado com o maior número absoluto de mortos por policiais (em 2017, foram 1.127) e de policiais mortos (119, também em 2017).

Os dados são alarmantes, porém, a sociedade em geral pouco os discute, já que para boa parte, trata-se de uma realidade distante.

Para esses, Bruno deixa o lembrete: “Se sua mãe não tem ou nunca teve esse tipo de preocupação, sinta-se privilegiado; o problema é que quanto mais privilégios a pessoa tem, menos ela liga pra esse tipo de coisa e mais ela nega os próprios privilégios. Sabem o mimimi que vocês vivem falando que preto faz? Mimimi significa choro, e minha rainha só escreveu este bilhete pra que ela não precise chorar em um velório sem honrarias e condolências das autoridades.

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Imagens: Reprodução/Facebook


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