Seleção Hypeness

Estes protestos pacíficos lembram que não há apenas uma forma de lutar

por: Mari Dutra

A palavra resistência pipoca nas redes sociais desde antes de o resultado da eleição ser anunciado. Há quem ache que o termo não faz sentido nos dias de hoje e não se adequa à proposta de uma revolução pacífica, mas a história mostra que isso está longe de ser verdade. Lá em 2013, nós já lembrávamos estas medidas para mudar o Brasil sem violência enquanto as ruas eram tomadas por protestos, que renderam até mesmo um documentário.

Mas será que a resistência não violenta já mudou os rumos da história alguma vez? Sim – e essa seleção é a prova concreta de que, por piores que sejam os tempos, o amor é sempre mais forte do que as armas.

1. Revolução dos Cravos

À meia-noite do dia 25 de abril de 1974, os soldados do exército português saíam dos quartéis para tomar as ruas de Lisboa, exigindo a deposição do então presidente Marcello Caetano e o fim da ditadura que assolava o país desde 1933. No mesmo dia, a população distribuiu cravos vermelhos e brancos aos soldados rebeldes como uma forma de agradecimento.

Militares rebelados colocaram cravos nas pontas de seus fuzis

2. Revolução de Veludo

Centenas de milhares de pessoas chacoalhavam suas chaves na Praça Venceslau, em Praga, no dia 21 de novembro de 1989, marcando o que ficaria conhecido como Revolução de Veludo. Liderado pelo escritor e futuro presidente Václav Havel, o movimento pedia o fim do regime comunista na então Tchecoeslováquia.

Václav Havel acena para uma multidão na Praça Venceslau, em Praga. Foto: Reuters

3. Marcha do Sal

Mahatma Gandhi ficou famoso por propagar a desobediência civil em casos de leis injustas – um direito assegurado desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Sua revolta mais conhecida foi a Marcha do Sal, em 1930, que culminou no processo de independência da Índia. Na época uma colônia britânica, os indianos eram proibidos de fabricar sal.

Como forma de protesto, Gandhi empreendeu uma caminhada de 200 quilômetros rumo ao mar. Ao longo de quase 24 dias, a manifestação foi ganhando adeptos e chegou à costa com cerca de 60 mil pessoas reunidas. Após a chegada ao local, os manifestantes extraíram o sal das águas. Embora muitos tenham sido presos com o protesto, a população obteve o direito a fabricar seu próprio sal já no ano seguinte.

Gandhi protestando durante a Marcha do Sal

4. Colombia Soy Yo

Em 2008, 50 mil colombianos foram às ruas protestar contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e pedir que a guerrilha libertasse seus reféns.Os manifestantes vestiam roupas brancas, algumas delas apresentando as palavras “Colombia Soy Yo” (“Colômbia sou eu”, em espanhol), e muitos estabelecimentos comerciais fecharam suas portas para que os funcionários pudessem participar da mobilização.

Manifestantes protestam contra as FARC vestidos de branco

5. Fazendeiros de Larzac

Quem passasse pela Torre Eiffel em 1972 se surpreenderia ao encontrar 60 ovelhas pastando sob o monumento. Tratava-se de uma manifestação contra a instalação de um campo militar no platô de Larzac, onde viviam diversos fazendeiros. A atitude chamou atenção da mídia e fez com que o projeto fosse abandonado anos depois pelo então presidente francês, François Mitterrand.

Ovelhas pastam sob a Torre Eifeel. Foto: AFP

6. Indignados

Milhares de pessoas tomaram a Puerta del Sol, em Madrid, em maio de 2011, contra a bipartidarização da política. Os protestos mostraram o poder da participação popular e mudaram o cenário das eleições espanholas.

Manifestantes na Puerta del Sol, em Madrid. Foto: Arturo Rodriguez/Associated Press

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Créditos sob as imagens


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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