Arte

Festival Path terá show gratuito da Banda Carne Doce em São Paulo

por: Redação Hypeness

Do EP Dos Namorados, em 2013, para o álbum Tônus, em 2018, a banda Carne Doce passou por uma metamorfose. O rock melancólico tomou espaço e as letras transbordam verdades, daquelas necessárias de se ouvir. Salma Jô, dona de uma das vozes mais particulares da música brasileira, é de Goiânia, cidade em que a banda foi formada e se consolidou com a linguagem simples e, por vezes (muitas delas), sentimental.

Embora a gente fale da cena de Goiânia, ela não é como um lounge onde vamos todo fim de semana encontrar outros músicos para criar, esta cena orgânica não existe. Ser e ficar aqui significa um certo isolamento que é desvantajoso em muitos sentidos: na logística, no volume da nossa agenda, nas oportunidades. Partir é sempre uma conversa, mas ao mesmo tempo eu mesma sou uma pessoa solitária e não tenho muita vontade de morar em São Paulo e de me tornar parte dessa cidade”, completa Salma.

Salma Jô em apresentação no Lollapalooza 2019 (Foto: Felipa Aurélio)

O sucesso é tamanho que, em 2018, Tônus foi eleito o 3º melhor disco do Brasil, segundo a revista Rolling Stone. Considerado viciante, cheio de libído como as trocas de olhares antes de uma transa, o álbum que arde amores carnais, apaixonados, profundos e leves é pra dançar chorando e se hipnotizar com a instrumentalização, que traz uma leve lembrança da intensidade emocional de The XX, banda indie britânica.

A liberdade de composição e de arranjos coloca Carne Doce no topo da cena musical independente brasileira. Um caminho não tão fácil de ser percorrido, segundo Salma. “É incerto e instável, e além de um privilégio, também é um sonho. Agora ainda mais, já que o atual governo despreza o investimento público em cultura”.  O Festival Path está preparado pra receber Carne Doce e toda a sua potência, então confira o bate papo com a artista e vocalista Salma Jô abaixo.

Salma Jô em apresentação no Lollapalooza 2019 (Foto: Felipa Aurélio)

Festival Path: Carne Doce passou por uma metamorfose ao longo de sua história. Hoje sentimos a banda mais intensa, politizada, o que casa muito com o momento do Brasil. Como é levar isso para as músicas e engajar o público?

Salma Jô: Na verdade não estamos mais politizados e nem sinto que engajamos o nosso público. Nesse momento tão polarizado e de uma militância performática na internet, essa é uma leitura que se faz dos artistas do nosso nicho que escreva sobre temas políticos. Existe uma expectativa de que todo ato carregue um aceno de afinidade e fidelidade ideológica, de manutenção desse tribalismo. E até por isso mesmo, por essa polarização, e por sentir que é óbvio de que lado estamos, e de saber que a nossa estética define a nós e ao nosso público como “esquerdistas”, que penso nessa performance de “pregar para convertidos”. O momento do Brasil na verdade me deixou ainda mais descrente com a eficiência desse tipo de engajamento artístico. Nas eleições, a classe artística e suas músicas não tiveram efeito político real, a impressão que ficou é que nos desprezam e não nos enxergam como parte importante da sociedade e da economia, e que se quisermos ter algum impacto precisamos fazer política institucional. Acho que também por isso as minhas letras estão menos politizadas, mais introspectivas, mais individuais.  

FP: Uma das pautas mais intensas nas artes hoje é o empoderamento feminino. Como é ser artista, representar e inspirar essa legião de jovens brasileiras?

SJ: Sinto que é uma pauta que me define além ou antes mesmo da minha obra, das minhas letras. O fato de eu ser frontwoman já me coloca em uma posição privilegiada e empoderada e crítica, e essa posição de poder pode inspirar outras mulheres, mas não acho que por si só torna minha arte empoderadora ou me torna uma boa representante para as jovens brasileiras. Tenho certa descrença na ideia de representatividade porque não me vejo como porta-voz, ou líder, ou pioneira, ou militante apenas por ser mulher. Acho que essa ideia é condescendente comigo, porque acabo sendo superestimada por ser mulher, e não pela qualidade das minhas letras e da minha performance, não pela minha competência artística e intelectual. Mas quando percebo que emociono outras mulheres e que represento essa aspiração que elas também podem ter de criar e cantar suas próprias histórias, ou quando vejo que signifiquei uma espécie de consolo ou de beleza para alguma ferida ou angústia delas, isso sim é uma das coisas mais bonitas e grandiosas que a gente experimenta fazendo música. Ver o nosso sentimento, que a gente elaborou em forma de arte, ser reelaborado por outras pessoas em suas obras como já vimos… Inspirar e sensibilizar pessoas, isso transcende a ideia de representatividade, é transferência.

Salma Jô em apresentação no Lollapalooza 2019 (Foto: Felipa Aurélio)

FP: Vocês vêm numa toada incrível de apresentações, ano passando no Bananada, em Goiânia… agora no Lolla, o friozinho na barriga de se apresentar em festivais é diferente dos demais shows?

SJ: Um pouco. A pressão é maior, mas estamos cada vez mais seguros, temos boa experiência em festivais nas mais diversas condições (de dia, noite, com passagem de som, sem passagem de som, lugares abertos e fechados, como a primeira banda ou a última, com sono ou sem sono, haha) e aprendemos a fazer um espetáculo.

FP: O que podemos esperar do lineup pro Festival Path?

SJ: Vamos apresentar alguns arranjos novos e vamos tocar umas músicas que não tocamos há algum tempo. Mas vamos tocar hits dos três discos, e vai ser aquele show explosivo que a gente gosta de fazer.

Quer fazer um esquenta pro Festival Path 2019? É só dar o play!

Texto: Ana Carolina Mora

Fotos: Felipa Aurélio

Serviço:

Show Carne Doce

Onde? Praça Alexandre de Gusmão

Quando? Sábado, 01 de junho, às 18h00

O melhor? O acesso aos SHOWS do Festival Path é GRATUITO \o/

 

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