Debate

Franceses doam R$ 2,6 bilhões à Notre Dame. Brasileiros doaram R$ 15 mil ao Museu Nacional

por: Tarsila Döhler

O incêndio da Catedral de Notre Dame, um dos pontos turísticos de Paris, entristeceu o mundo na última segunda-feira (15). O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir o tempo em até 5 anos e já conta com aliados na tarefa. Milionários franceses, uma empresa e até uma cidade húngara se comprometeram a ajudar na reconstrução da Catedral. Uma fundação já conseguiu arrecadar 2 milhões de euros (8 milhões de reais) e o total já ultrapassa 590 milhões de euros (2,6 bilhões de reais), segundo o UOL.

Presidente francês prometeu reconstruir a Catedral e já conta com apoio financeiro

Entre os doadores, estão François-Henri Pinault, presidente do conselho e diretor-presidente da Kering, que controla a grife Gucci, e seu pai, Francois Pinault, a família Arnault, dona do conglomerado de moda LVMH (Louis Vuitton Moet Hennessy) e a empresa de cosmético L’Oréal.

A comparação é inevitável. O Brasil passou por um trauma parecido ainda no ano passado, com o incêndio que assolou o Museu Nacional do Rio de Janeiro. A instituição abrigava mais de 20 milhões de itens, de relevância mundial. No entanto, sete meses depois da tragédia, não arrecadou mais que 15 mil reais dos empresários brasileiros. As doações feitas por pessoas físicas somaram 142 mil reais.

Incêndio no Museu Nacional ocorreu em setembro do ano passado

De acordo com o Jornal do Estado de Minas, a maior quantia veio do exterior: o governo alemão destinou ao museu até o momento 180 mil euros – ou 793 mil reais. A promessa é de que a doação chegue a 1 milhão de euros, o equivalente a 4,4 milhões de reais. O consulado da Inglaterra também contribuiu, com 27 mil reais. No site da Associação Amigos do Museu Nacional, responsável por captar as doações, a entidade pede ajuda, via conta, bancária para passar pelo “momento de emergência”.

Lado a lado, as situações talvez ilustrem a diferença entre França e Brasil no que diz respeito à valorização de seus patrimônios histórico-culturais.

Há, claro, a questão de relativizar as doações frente o total descaso dos afortunados e empresas brasileiras ou francesas com as tragédias de Moçambique.

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Fotos: Divulgação


Tarsila Döhler
Jornalista, pisciana, apaixonada por brechó, cerveja gelada e livros. Natural do interior, com sonho na cidade grande. Divide a vida entre textos, diagramação, bordados e os 360 dias de espera pelo carnaval.

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