Ciência

No aniversário da morte de Albert Einstein mergulhe na vida e obra da mente mais brilhante da ciência moderna

por: Vitor Paiva

Ninguém na modernidade encarnou de forma mais clara e definitiva a ideia do “gênio” como o físico alemão Albert Einstein. Assim como Sigmund Freud subitamente explicava aspectos e padrões profundos e até então intocáveis da psique humana, Einstein se mostrou capaz de responder as questões mais complexas não sobre nós, mas sobre o universo como um todo.

A figura do cientista tornou-se de tal forma símbolo de brilhantismo e inteligência, e seu reconhecimento e carisma o transformou em celebridade internacional em um nível que até hoje alcança vultos de ícone pop. Antes de morrer aos 76 anos, em 18 de abril de 1955, o cientista foi reconhecido por seus pares como o mais importante físico de todos os tempos, e eleito pela revista Time como “a pessoa do século XX”.

Dentre, porém, os mais de 300 trabalhos científicos que publicou ao lado de outras 150 obras não científicas, nenhuma parece ter impactado mais e de forma mais complexa a ciência e nossa maneira de ver o mundo como a lei que ficou conhecida como “Teoria da Relatividade”. Trabalhando praticamente sozinho, Einstein se dobrou sobre três forças das mais familiares mas que, em verdade, funcionam de forma muito mais complexa – e estranha – do que pensávamos: gravidade, tempo e espaço.

Revelada ao mundo em novembro de 1915, a Teoria Geral da Relatividade nos permitiu, com elegância e contundência inéditas, compreender a evolução do universo e seu funcionamento, nos levando ao início de tudo, diante do Big Bang, e a explorarmos os buracos negros – e muito mais. Uma única teoria, formulada por uma única mente, capaz de nos fazer compreender tudo de forma nunca antes vista – como um poema.

Einstein em 1915, quando revelou ao mundo sua teoria

Enquanto o mundo desmoronava nas trincheiras da primeira guerra mundial, Einstein sozinho encontrava o sentido do universo: a gravidade como a sentimos é, na verdade a contração e a dilatação do espaço e do tempo. Trata-se de uma daquelas explicações em princípio simples, nas quais compreendemos objetivamente o que está sendo dito, mas que, quanto mais pensamos sobre, mais nossa própria cabeça para se contrair e se expandir, e o enigma do universo a pesar sobre nós como a própria gravidade faz. Reza a lenda que, ao ser questionado por uma explicação simples e fácil de sua grande teoria, Einstein teria respondido: coloque sua mão no fogo, e um segundo irá parecer uma hora; sente-se ao lado da pessoa amada, e uma hora irá parecer um segundo. Isso é a relatividade.

Uma das mais famosas imagens de todos os tempos

O físico diante da escadaria do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 1925

Daí para a compreensão das leis do universo, porém, há um salto e tanto – que Einstein deu com sua mente e sua incrível capacidade de transformar as mais complexas e abstratas equações em imagens visíveis, e que só agora a tecnologia parece enfim à altura para conseguirmos explorar o que ele viu e previu, desde ondas gravitacionais distorcendo o espaço e o tempo, até a origem e o futuro do universo. Em um século dominado pela ciência como foi o século XX, a mão e a mente de Einstein tocaram em cada um de seus principais pilares (formando assim os próprios pilares da ciência moderna): a bomba atômica, o Big Bang, a física quântica e os eletrônicos.

Einstein lecionando

Logicamente que para compreender em toda sua profundeza o trabalho do físico – ou mesmo simplesmente sua mais famosa contribuição – é necessário a dedicação de uma vida inteira. Ainda assim, certos atalhos podem facilitar esse processo e, para o aniversário de 64 anos de sua morte, a plataforma Philos.TV irá disponibilizar de forma gratuita e livre, para ser assistido por todos, o documentário “A Mente de Einstein”, que justamente mergulha na mais brilhante cabeça da ciência moderna, como atravessa de perto os bastidores do desenvolvimento e entendimento da Teoria da Relatividade.

Einstein ministrando uma aula na universidade de Lincoln, nos EUA

Vencedor do Emmy, o filme não só perpassa o início da trajetória do cientista, como também os primeiros lampejos intuitivos que o levaram a começar o desenvolvimento da Relatividade somente através de seus próprios pensamentos. Como isso foi possível? Como uma única mente pôde compreender o universo de tal forma, trabalhando praticamente sozinho, e assim criar a base para a ciência de hoje e que ainda está por vir? Como Einstein gostava de pensar em imagens, o filme é também uma viagem visual sobre todo esse processo, de sua jovem mente, passando por seus experimentos e insights, até alcançar o topo e os extremos da física moderna.

A equação da “Equivalência Massa-Energia”, uma de suas mais famosas fórmulas

Em seus últimos anos de vida, Einstein se juntou ao escritor Bertrand Russell para declarar suas preocupações com a corrida armamentista entre EUA e a União Soviética, e principalmente o uso de armas nucleares em conflitos – exigindo que a comunidade científica assumisse sua responsabilidade de alertar ao mundo sobre o perigo de tais usos. Einstein morreu em 17 de abril de 1955, recusando-se a se submeter a mais uma cirurgia contra um aneurisma abdominal. “Quero ir quando quiser ir. É de mal gosto prolongar a vida de forma artificial. Já fiz minha parte; agora é hora de ir – quero ir com elegância”, ele teria dito. Durante sua autopsia, o legista responsável, sem autorização de ninguém, decidiu retirar seu cérebro para conservação, a fim de que, quem sabe um dia, sejamos capazes de compreender o que fez de um único ser humano uma inteligência tão singular, impressionante e simples – a definição da elegância que procurou por toda sua vida e trabalho.

O cérebro preservado de Albert Einstein

O Manifesto Russell-Einstein contra a bomba atômica foi publicado poucos meses após sua morte, como sua última declaração pública oficial.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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