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Políticos brasileiros milionários, pedofilia, nazistas no Exército dos EUA: As revelações de Assange ao ser preso

por: Kauê Vieira

Quase sete anos depois de viver abrigado na embaixada do Equador em Londres, Julian Assange foi preso pela polícia londrina. O co-fundador do WikiLeaks foi levado sob custódia e agora teme a extradição para os Estados Unidos.

– As implicações da prisão de Julian Assange para a transparência global de dados

Se enganaram os que pensam que Assange deixaria os holofotes em silêncio. Como prometido, o australiano publicou todos (aqui tem mais) os documentos de seu arquivo. Os dados secretos deixam expostos governos de inúmeros países, incluindo o Brasil, os bancos internacionais e outras multinacionais de grande porte. O pacote é completo com conspirações nazistas no exército dos EUA, patrimônio milionário da família Sarney e o suposto HIV de Steve Jobs. Desmentido na época da primeira publicação por alguns sites, em 2011, ano da morte do empresário.

Julian Assange cumpriu a promessa de divulgar todos os documentos

– Apple está construindo campus de 1 bilhão de dólares no Texas

Steve Jobs, fundador da Apple, morreu, oficialmente, de um câncer raro. De acordo com documento liberados pelo WikiLeaks, Jobs era portador do vírus da Aids. Os arquivos mostram um teste confidencial atestando o HIV.

É possível ver o nome completo do empresário, Steve Paul Jobs, a data de nascimento, 24 de fevereiro de 1955 e o número do documento de identificação. Há inclusive a assinatura de Jobs em uma guia do California Pacific Medical Center. Diversas apurações alegam a falsidade do documento pois o laboratório em questão teria sido fundado dois anos depois da data indicada.

A possível assinatura de Steve Jobs pode ser vista no teste de HIV

“Eu afirmo que meus exames podem conter informações sobre tratamento e diagnóstico de HIV/AIDS”, diz a receita, que pede a confirmação do paciente. É possível ver um visto ao lado.

Algo como uma receita atesta positivo para o vírus da Aids

Os Sarney também entraram no radar de Julian Assange. De acordo com os documentos liberados, Roseana Sarney tem mais de 150 milhões de dólares em offshores (contas abertas em países com menor tributação) pelo mundo. O nome do advogado José Brafman, amigo Jorge Murad, que é marido de Roseana, aparece nas denúncias.

“Autoridades brasileiras devem estar curiosas sobre a quantidade de companhias criadas por um advogado do Rio de Janeiro chamado José Brafman. Os arquivos mostram conexões via Brafman, Antrade para Roseana Sarney. Ela era provável candidata à presidência do Brasil em 2002, mas renunciou depois que a polícia encontrou US$ 570 mil em sua casa”.

WikiLeaks: Roseana Sarney tem US$ 150 milhões no exterior

Um dossiê de cerca de 22 páginas aponta a existência de gangues e simpatizantes do nazismo servindo o exército norte-americano. Os detalhes foram colhidos pelo departamento de inteligência do FBI e apontam a presença de membros da maior gangue dos Estados Unidos nas Forças Armadas, entre os soldados da reserva e na Guarda Nacional. O arquivo é embasado com trechos de reportagem de jornais.

“Soldado branco acusado de matar casal negro”, em recorte da edição de 1995 do Washington Post.

WikiLeaks: solados do exército dos EUA ligados ao supremacismo branco, nazismo e gangues

O relatório traz um parecer de um figurão importante da administração federal dos EUA. “O secretário de Defesa indica a presença de grandes números neonazistas e outros extremistas dentro do exército”.

Outro trecho dá mais detalhes sobre a morte do casal de negros.

“O incidente de Burmeister envolvendo a morte de um casal afro-americano em Fayetteville, na Carolina do Norte, foi cometido por soldados ligados aos supremacistas brancos em Fort Bragg. O crime abriu uma investigação que revelou 22 soldados em Fort Bragg com tendências extremistas”.

Ainda em 2007, Julian Assange tornou público um boletim de inteligência do FBI com símbolos usados por pedófilos para atrair vítimas.

“Pedófilos, os que abusam sexualmente de crianças e os que produzem, distribuem ou vendem pornografia infantil. Eles utilizam diversos tipos de identificação, logos ou símbolos para se reconhecerem e diferenciar preferências sexuais”, diz o documento.

A correspondência segue, “para indicar o gênero e a preferência sexual, membros de organizações pedófilas usam descrições como ‘amante de garotos’, ‘amante de garotas’ ou ‘amante de crianças’. Estes símbolos estão em aneis pingentes e impressos em moedas”.

Relatório do FBI sobre atuação de redes de pedofilia

O banco inglês Barclays pretendia investir mais e 300 milhões de libras no mercado brasileiro para fugir de impostos. Segundo o arquivo, o “investimento será feito por uma companhia tributária britânica específica. O portfólio permanece controlado pelo Banco Barclays”.

O caminho das pedras cita uma empresa das Ilhas Caimã, a NewCo. A ideia do banco era driblar os impostos e lucrar cerca de 19%.

O WikiLeaks divulga um estudo sobre cannabis do governo da África do Sul. Recentemente, o país regularizou o consumo de maconha. O artigo compara medidas em países como Nova Zelândia, Holanda e Reino Unido, além de apresentar estratégias para afastar os jovens da erva.

“Historicamente, a maconha é cultivada por muitas razões, incluindo medicinais. Na África do Sul, ela é fonte de renda para o mercado externo, preparada com mix de tabaco e fumada em um cachimbo ou enrolada como cigarro”.

Estes só são alguns dos centenas de milhares de relatos divulgados por WikiLeaks. Imagine o que vem por aí.

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Fotos: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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