Debate

Um mês após ciclone, casos de malária e cólera crescem em Moçambique

Vitor Paiva - 24/04/2019

Passado um mês do ciclone Idai, que destruiu partes de Moçambique, Malawi e Zimbábue, no continente africano, a situação de mais de 1,6 milhões de crianças na região segue calamitosa – as necessidades urgentes se dão em todas as frentes essenciais, da saúde à educação, do saneamento à segurança. Só em Moçambique são mais de 1 milhão de crianças em absoluta necessidade – no Malawi os números chegam a 443 mil, enquanto no Zimbábue a estimativa é de 130 mil crianças. Os número são do UNICEF, que alerta para outras potenciais consequências graves de tal situação.

Desabrigado pelo ciclone em Moçambique

Segundo a UNICEF, para além das consequências imediatas, a interrupção no acesso a tais serviços essenciais pode rapidamente provocar surtos de desnutrição e epidemias de doenças, colocando tais crianças em ainda maior exposição e risco. Em Moçambique os casos de cólera e malária saltaram desde a passagem do ciclone, chegando a 4.600 e 7.500 respectivamente. No país, mais de 200 mil casas foram destruídas, e centenas de milhares de crianças seguem deslocadas por conta dos estragos.

Crianças vítimas do ciclone, em abrigos ou entre escombros na região

A permanência em abrigos lotados ou locais improvisados também faz aumentar o risco de surtos de doenças – assim como de outros males, como abusos e explorações. O apelo lançado pela UNICEF é de conseguir arrecadar 122 milhões de dólares nos próximos meses, a fim de ajudar a recuperação dos países, e principalmente salvar a vida do máximo de crianças afetadas pela passagem do ciclone Idai.

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© fotos: divulgação/UNICEF


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutor em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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