Debate

Bolsonaro admite não estar preparado para ser presidente

por: Redação Hypeness

Jair Bolsonaro (PSL) concedeu longa entrevista à revista Veja. Em duas horas de conversa, o presidente fez analogias com Super-Homem e criptonita, revelou ter passado noites sem dormir, que chorou e cobrou patriotismo “para algumas pessoas que decidem o futuro do Brasil.

Cinco meses depois, Bolsonaro sofre com acusações de falta de habilidade política e luta contra um Congresso aparentemente determinado em dificultar seus planos de aprovar a íntegra da proposta de reforma da Previdência.

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“Elas estão aí. Imaginava que ia ser difícil, mas não tão difícil assim. Essa cadeira aqui é como se fosse criptonita para o Super-­Homem. Mas é uma missão, entendo que Deus me deu o milagre de estar vivo. Nenhum analista político consegue explicar como eu cheguei aqui, mas cheguei e tenho de tocar esse barco”.

Jair Bolsonaro fez analogias como Super-Homem

O presidente não tem dúvidas, “consegui fazer aquilo que prometi durante a campanha, coisa que eu desconheço que qualquer outro presidente tenha feito: indicar um gabinete técnico, respeitar o Parlamento e cumprir o dispositivo constitucional da independência dos Poderes”.

Bolsonaro, no entanto, reclama da pressão sofrida dentro e fora de Brasília. Com aprovação inferior a Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff, o político precisa lidar com protestos contra cortes na educação e troca de farpas com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

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“A pressão aqui é muito grande, tem interesses dos mais variados possíveis, tem aquela palavra mágica que a imprensa fala muito, governabilidade. Me acusam muitas vezes de não ter governabilidade. Eu pergunto: o que é governabilidade? Nós mudamos o jeito de conduzir os destinos do Brasil. Hoje, cinco meses depois, eu sinto que a maioria dos parlamentares entendeu o que está acontecendo. Muitos apoiam a pauta do governo. E esse apoio está vindo por amor à pátria, por assim dizer. A gente não pode continuar fazendo a política como era até pouco tempo atrás. Estávamos no caminho da Venezuela”, conclui.

Jair Bolsonaro se considera mal interpretado e cita a questão dos radares. Recentemente, o presidente revelou planos de frear a implementação dos também chamados pardais.

“Não tem novos pardais em estradas federais. Teve uma pressão de uns pequenos grupos, ai e em local, de risco? Não, não tem local de risco. Ninguém é otário. Tem uma curva na frente, uma ribanceira, o cara entrar a 80, 90, 100 km por hora. Não é otário, não faz isso aí. Não precisa ter um pardal para multar o cara lá”, afirmou nas famosas lives do Facebook.

À Veja, Bolsonaro citou o Parlamento e explicou que não é bem compreendido.

“Veja a questão dos caminhoneiros. De vez em quando aparece aí o fantasma da paralisação que mexeu com a economia do Brasil. O que a gente tem de fazer para antecipar problemas? Por que não aumentar o limite na carteira para 40, 50 pontos? Alguns vão criticar: “Pô, o cara aí quer relaxar na questão do trânsito”. Mas eu fiz isso. Chamei o Tarcísio (de Freitas, ministro da Infraestrutura) e disse “não quero mais saber de novos pardais”. Isso, às vezes, é mal interpretado. Por outro lado, você vai ganhando a simpatia da população e ela acaba entendendo que você quer fazer a coisa certa. No macro, é a reforma da Previdência, que é a mãe das reformas, e depois a tributária, que está para ser discutida”, encerrou.

Sobre a reforma da Previdência, ele tentou explicar a posição contrária dos tempos de deputado federal, classificada por ele como “informação de orelhada”.

“A cabeça de um parlamentar era uma coisa, a cabeça de um presidente, agora com acesso aos números, é outra. Na Câmara, muitas vezes você tem uma informação de orelhada. Por isso, eu sempre fui contra a reforma da Previdência. O que faz a gente mudar? A realidade. O Brasil será ingovernável daqui a um, dois, três anos. Se a reforma da Previdência não passar, o dólar pode disparar, a inflação vai bater à nossa porta novamente e, do caos, vão florescer a demagogia, o populismo, quem sabe o PT, como está acontecendo na Argentina, com a volta de Cristina Kirchner. O Brasil não aguentaria outro ciclo assim”, refletiu.

E Olavo de Carvalho? O astrólogo e filósofo radicado nos Estados Unidos é apontado como guru do presidente. Ele, no entanto, nega.

“Qual é o nível de influência que o filósofo Olavo de Carvalho tem no governo? Nenhum. O Olavo foi uma pessoa importante na minha campanha. Ele vinha disseminando os ideais da direita havia muito tempo, uma visão que abriu a cabeça de muita gente. Então, de alguma forma, ajudou na minha eleição. Mas raramente eu converso com o Olavo. Ele tem a sua liberdade de expressão, e ponto. Quantas vezes eu fui chamado de ladrão, safado, sem-vergonha, homofóbico, racista. Eu fico quieto? Agora, se ele responde às agressões de lá… O Olavo não faz por maldade. Ele, pela idade talvez, quer as coisas resolvidas mais rápido. Talvez seja isso aí”.

A entrevista completa sai na próxima edição de Veja.

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Foto: EBC


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