Inspiração

Cocar na ciência: Índio pataxó é o primeiro mestre em química da UFBA

por: Vitor Paiva

“Agradeço à minha família pelo incentivo, apoio e por sempre acreditar no sucesso de minhas escolhas e ao meu povo por lutar e resistir para que possamos escrever histórias como essa”. Foi com essas palavras que Hemerson Pataxó se tornou o primeiro mestre de origem indígena na Universidade Federal da Bahia. Para se tornar mestre em química, Hemerson vestiu colar, cocar e, sobre seu rosto, a tinta tradicional e as lágrimas – que lembravam da força dos símbolos que vestia e vivia em sua conquista pioneira.

Aos 18 anos, Hemerson deixou sua tribo, localizada a 9 horas de ônibus de Salvador, ao ser aprovado no vestibular. O ensino médio foi todo cursado ainda na tribo, e muito por isso o novo mestre fez questão de trazer os símbolos das tradições indígenas para sua defesa de mestrado. O tema de sua dissertação foi o café da Chapada Diamantina.

Segundo todos os envolvidos, a origem de Hemerson foi somente um detalhe durante o curso – concluído com distinção. O futuro para o mestre será justamente levar de volta tudo que a química lhe trouxe para sua tribo. “Quero levar o conhecimento que a química me deu para o meu povo, juntar com o que sabem os meus anciãos e escrever algo que leve em conta os dois lados”, concluiu.

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Anaí - Associação Nacional de Ação Indigenista / Jurema Machado / Facebook


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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