Desafio Hypeness

Fiquei um mês seguindo o veganismo. E o inesperado aconteceu…

por: Gabriela Alberti

Quando surgiu a oportunidade de fazer esse desafio, pensei comigo: Vai ser moleza! Afinal, não consumo carne bovina há mais de 15 anos, além de ter sido vegetariana por muito tempo.

Por algum motivo, pensei que o fato de tirar apenas ovos e laticínios – além do frango e peixe – da dieta seria simples. Na verdade, acho que deve realmente ser mais difícil para quem está acostumado a consumir carne bovina praticamente todos os dias, caso da maioria dos brasileiros – a média é de 38 kg consumidos por habitante/ano. Mas não foi tão simples assim.

Apesar de ter ficado animada com a ideia, já que há algum tempo gostaria de voltar ao vegetarianismo mas por comodismo/preguiça/falta de organização estava sempre adiando para o próximo ano, senti um pouco de receio. Afinal, teria que deixar de lado vários alimentos que gostava muito, como peixes, frutos do mar e diversos doces, cuja base quase sempre é o leite de vaca ou os ovos de galinha.

Os tipos de vegetarianismo

Então, para me ajudar nesta jornada, me muni de informação. Fui atrás de documentários, livros, blogs e associações que falassem sobre o assunto.

Aqui no Brasil, estima-se que 15 milhões de pessoas sigam o vegetarianismo, e 5 milhões de pessoas sejam adeptas do veganismo. Isso são dados de uma pesquisa realizada pelo IBOPE em 2012, então é provável que o número já tenha crescido, e muito.

Só em São Paulo, quase 10% da população é vegetariana. Em Curitiba, cidade considerada a capital vegana do país, estima-se que 11% dos moradores sejam ‘veggies’. No Rio de Janeiro são quase 700 mil pessoas que declararam não comer nenhum tipo de carne, e em Fortaleza, 350 mil.

Os números parecem pequenos, mas este estilo de vida vem atraindo cada vez mais e mais pessoas. E com isso, o mercado de produtos para veganos também tende a crescer. Na Europa, por exemplo, 14% dos produtos lançados em 2015 são vegetarianos ou veganos.

Os estabelecimentos veganos ou vegan friendly têm crescido rapidamente. Na foto acima, feijoada do Veg e Lev, em Curitiba

Esse sorvete de chocolate, do lado esquerdo, não deixa nada a desejar para um sorvete feito com leite

A Nutrikéo, empresa francesa de consultoria em estratégias alimentares, diz que o mercado de proteínas vegetais poderá superar os US$ 11 bilhões (R$ 35 bilhões) em 2018, o que significaria um aumento de 40% em cinco anos (dados da SVB).

Desde 2014, existe aqui no Brasil o Selo Vegano, uma certificação criada pela SVB que vem ajudando a regulamentar este tipo de produto, garantindo ao consumidor que o desenvolvimento e fabricação de um determinado produto não teve qualquer uso de animais. A maioria dos produtos certificados é do ramo da alimentação, mas há também alguns tipos de cosméticos já aprovados pelo selo.

Falando em cosméticos, este também é um mercado crescente no Brasil e no mundo. Cada vez mais pessoas prestam atenção em alguns detalhes que pouco tempo não eram motivo de preocupação, como o fato das marcas realizarem testes em animais, ou então se há algum produto de origem animal entre os componentes dos seus produtos.

Marcas de shampoo veganas facilmente encontradas no mercado

Na moda, a Insecta Shoes, de sapatos, a Zerezes, de óculos de sol, e a Svetlana, de roupas e acessórios, são empresas que vêm se destacando cada vez mais no mercado nacional.   

Apesar de ainda não existir um número exato do tamanho deste mercado no Brasil, pesquisas afirmam que a demanda por produtos vegetarianos e veganos é muito maior do que a oferta. “O número tem crescido nos últimos anos, mas acreditamos que ainda há uma demanda reprimida bastante significativa”, contou Guilherme Carvalho, secretário executivo da SVB, ao Abras Brasil.

Buddha Bowl do Greengo Vegetariano (para conferir mais fotos, me segue no Instagram)

Em janeiro deste ano, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha descobriu que 63% dos brasileiros gostariam de reduzir o consumo de carne, e que 35% se preocupam com a relação entre o seu consumo e a sua saúde. Segundo o IBGE, o consumo realmente vem caindo nos últimos anos, sendo que em 2015 atingiu seu menor nível desde 2001.

Já quanto aos tipos de vegetarianismo, são quatro os grupos principais:

> Ovolactovegetarianos

É o tipo mais comum. Não consomem nenhum tipo de carne, mas consomem laticínios e ovos. Quando alguém se diz vegetariano, quase sempre pertence a este grupo.

> Lactovegetarianos

Não consomem nenhum tipo de carne, além de excluírem os ovos da dieta. Consomem lacticínios.

> Vegetarianos estritos

Não consomem nenhum tipo de carne, laticínios ou ovos em sua alimentação.

> Veganos

O vegano não consome nada de origem animal em nenhuma área de sua vida. Isso inclui alimentação, vestuário ou qualquer outro tipo de atividade que envolva sofrimento animal. Produtos com qualquer ingrediente ou insumo de origem animal ou ainda testados em animais também ficam de fora.

Há ainda outras vertentes, como o crudivorismo, onde só alimentos crus são permitidos, o frugivorismo, onde só frutas fazem parte da alimentação, e o ovovegetarianismo, onde somente carne e laticínios são excluídos da dieta.

Fonte: Vista-se

Veganismo: Muito mais do que uma dieta

Então, nesse momento, descobri que o buraco era mais embaixo. Não poderia usar couro nem lã, comer gelatina ou mel, nem fazer depilação com cera feita de mel de abelha, por exemplo. Quanto ao vestuário, seria mais simples, já que por questões ideológicas não costumo comprar este tipo de produto faz tempo. Tirando uma bolsa que ganhei de uma tia no Natal, não tenho nada de couro no guarda-roupa. Nem de lã, seda ou pele de algum animalzinho.

Outro departamento que a gente não presta muita atenção na correria do dia a dia são os produtos de beleza. Após procurar na internet uma lista com empresas que testam e que não testam em animais, descobri que quase toda a minha necessaire deveria ir para o lixo. Por sorte, meu shampoo e condicionador são de uma marca que eu já sabia que era cruelty free e livre de produtos animais. Mas hidratante, rímel, blush e corretivo estavam na lista negra.

Há ainda os produtos de limpeza. Por incrível que pareça, a maioria é testado em animais e/ou possui produtos de origem animal na sua composição. As alternativas no mercado para este tipo de produto ainda não são muitas, e as que existem acabam tendo um custo um pouco elevado. Uma das opções que encontrei na internet é utilizar a popular mistura de vinagre com bicarbonato de sódio, mas ela não serve para tudo – não substitui o amaciante, por exemplo.

Marca de produtos de limpeza veganos que encontrei no mercado

Como você pode perceber até aqui, as mudanças na vida de alguém que quer aderir ao veganismo não são poucas. É preciso muita disposição, interesse, organização, força de vontade e compaixão. Não somente pelos animais, mas pelo mundo em que vivemos.

Números que assustam: Muito além do sofrimento animal

Ao assistir o documentário Cowspiracy, disponível no Netflix, diversos dados vieram à tona, me deixando muitas vezes com dor de cabeça de tanta informação. Você sabia, por exemplo, que a pecuária é responsável por 18% de todas as emissões de gases do efeito estufa no mundo? Que para produzir um hambúrguer de 114 gramas são utilizados 2.500 litros de água? E que isso é o equivalente a quase dois meses de banho?

Ou ainda que a criação de animais para alimentação é responsável por 30% do consumo de água do planeta? Há também estudos que garantem que, se não mudarmos a forma como consumimos peixe, até 2048 eles estarão extintos.

Isso sem falar no alarmante número de assassinatos de ativistas no Brasil. Desde o fim dos anos 90, mais de 1000 ativistas foram mortos, sendo que a grande maioria deles eram ligados a causa do desmatamento da Amazônia pela indústria agropecuária.

Pois é. Estes dados também me deixaram um pouco tonta. Isso que mencionei apenas fatores ambientais, pois se entrasse no mérito do sofrimento animal provavelmente faria você perder a fome. Mas se você deseja deixar carne e derivados para trás, é de extrema importância adquirir este tipo de informação. Quanto mais você aprende, com menos vontade de ingerir estes tipos de alimento você fica.

É caro ser vegano?

No começo, você fica meio perdido, é normal. Mesmo não consumindo carne bovina, o frango estava muito presente na minha rotina. Era meio que a base de todo o almoço. E agora? Ia viver só de salada?

Passei em um armazém vegan (dica: se você é daqui apareça por lá pra comer uma coxinha de jaca) aqui de Curitiba e fiz umas compras que chamei de “kit de sobrevivência”. Comprei manteiga, requeijão, queijo, leite, macarrão, pão e alguns congelados, como quibe de abóbora e pão de queijo. Tudo vegano. Na hora de pagar, veio o susto. Pensei: “caramba, é muito caro ser vegano!”.

Quase não usei essa manteiga. Apesar dela ser gostosa, não precisava ter comprado

Fui embora pensando que algo estava errado. Não podia ser tão caro levar uma alimentação mais natural. Foi então que lembrei de um livro que tinha em casa, com receitas 100% veganas. Comecei a folhar, e percebi que tudo que tinha comprado naquela tarde não era necessário, era supérfluo.

Claro, tem um item ou outro que acaba quebrando um galho. O quibe congelado, volta e meia ia pro forno junto com uns legumes e em poucos minutos tínhamos uma refeição pronta.

Esse requeijão, que de requeijão não tem nada, vai bem no pão do café da manhã, e também em receitas mais elaboradas, como uma abobrinha recheada, por exemplo. Mas depois também aprendi a fazer alguns requeijões (leia-se pastinhas) em casa mesmo, com ingredientes que nunca pensei que poderiam dar certo, como inhame.

Então, fui percebendo aos poucos que o segredo para ser um vegano feliz está em aprender a misturar (e a experimentar) novos alimentos, em ser organizado e em ser prático também. Afinal, hoje vivemos na correria, e ninguém tem tempo sobrando para gastar na cozinha.

Na pressa, joga tudo no forno que não tem erro

Arroz + feijão + salada + algum acompanhamento, como legumes ou grãos, são acessíveis, nutritivos e quebram o maior galho dentro e fora de casa

Saladona de legumes: rápido, prático, refrescante e gostoso

Um dos segredos de uma alimentação vegana equilibrada está no colorido do prato

Se você chegou até aqui e ficou curioso para saber como foi toda a minha experiência, confira a parte 2 deste desafio de um mês seguindo o veganismo, onde contarei sobre as minhas maiores dificuldades, como fica a vida social de um vegano e também sobre meus exames de ferritina e B12.

Mas… O que você come?

Acabei criando um perfil no Instagram (que não abandonei após o fim do desafio), que serviu como uma espécie de diário. Todo dia, postava o meu almoço, que foi desde o básico arroz e feijão até junk food (sim, vegano também enfia o pé na jaca de vez em quando).

Então, para responder a pergunta ali de cima (que foi, sem dúvidas, a que mais ouvi durante o desafio), vou postar algumas das refeições que fiz nesse mês:

E aí, ainda tem dúvida de que vegano come, e come muito bem?

E a proteína? Existem fontes vegetais de todas elas?

Geralmente, a maior dúvida entre as pessoas que têm interesse no vegetarianismo é com relação as proteínas. Por algum motivo, imagina-se que sua fonte seja apenas de origem animal, o que não é verdade.

Este é um tema bastante polêmico, e que acaba gerando muita confusão. De acordo com o Dr Eric Slywitch (falo do livro dele lá no final), proteínas são aminoácidos, e não existe nenhum aminoácido necessário ao organismo humano que não seja encontrado nos alimentos do reino vegetal.

Para não cair na cilada de uma alimentação deficiente em ferro e vitaminas do complexo B, basta que o vegetariano preste atenção no que põe no prato. Se puder contar com a ajuda de um nutricionista, melhor ainda.

Segundo a Dra. Marina Schneppendahl, vegetariana e nutricionista da Nutrição Avançada, existem muitos alimentos vegetais à nossa disposição que são ricos em proteínas e ainda possuem inúmeros nutrientes e vitaminas que os deixam muito mais completos do que a carne. “Muitas pessoas acreditam que uma alimentação vegana se limita à folhas e legumes, mas a realidade é muito diferente. Um prato saudável sem alimentos de origem animal pode possuir uma grande variedade de alimentos saborosos, ricos em nutrientes e de fácil acesso”, contou ao Hypeness.

Como eu paro de comer carne? Simples. Comece tirando a carne do prato que você costuma comer…O que sobra geralmente são grãos, legumes e salada, ricos em diversos nutrientes necessários ao corpo humano

A maior dificuldade para o vegano acaba sendo a vitamina B12, que realmente não é encontrada em nenhum alimento vegetal. Isso porque ela é produzida por bactérias, que são ingeridas pelos animais na água e nos alimentos.

Uma saída para os veganos é a suplementação, ou ainda procurar por alimentos que sejam enriquecidos com vitamina B12. Neste vídeo do site Vista-se, o Dr. Eric explica mais sobre o assunto.

Abaixo, a Dra. Marina separou uma lista com alguns alimentos essenciais para o vegetariano:

– Leguminosas: São o feijão, lentilha, ervilha e grão de bico. São ricos em proteínas, em ferro e em fibra.

– Sementes: As sementes, em especial a de abóbora, possuem uma grande quantidade de proteína em sua composição e ficam ótimas para deixar a salada mais crocante ou ainda podem ser um lanchinho da tarde.  A chia e a linhaça aproveitam para suprir o ômega 3, presente nos peixes.

– Quinoa: A quinoa é um grão que tem o dobro de proteínas quando comparado ao arroz integral. Pode ser consumida em forma de flocos nas saladas ou até mesmo preparada cozida, igual ao arroz.  

– Tofu: Existem também os alimentos produzidos a partir da soja, que são super proteicos, como o tofu. O tofu é super versátil e podemos utilizá-lo em várias preparações, como “ovos mexidos” (tofu refogado com cebola, alho e açafrão), tofu grelhado acebolado, patê de tofu e tofu defumado para temperar o feijão.

Imagem via Brasil Post

Isso sem falar nas folhas, legumes e verduras, encontradas facilmente nos quatro cantos do país. Aliás, aproveito aqui para falar sobre isso. Ouvi muitas pessoas comentaram a seguinte frase: Ah, mas você mora numa capital, assim fica fácil ser vegana! Então recomendo vocês conhecerem a Bruna, vegana que mora em Congonhal, cidade com pouco mais de 11 mil habitantes no interior de Minas Gerais, e que prova que é possível sim viver sem alimentos de origem animal em qualquer lugar.

COMO FICA A VIDA SOCIAL

Quando topei o desafio, imaginei que minha maior dificuldade seria para comer fora de casa, em eventos sociais e na casa de amigos.

Logo no segundo dia, tive um aniversário para ir. O jantar era mexicano, e para a minha surpresa havia chilli de soja no cardápio (obrigada Isa <3). Já no primeiro fim de semana, fui para o interior visitar meus sogros (carnívoros convictos). Geralmente, todas as refeições na casa deles giram em torno da carne bovina. Com a correria, acabei não me preparando, e não levei nenhuma marmitinha. Mas me virei super bem, sempre havia o básico disponível, como arroz, legumes e salada. Não passei fome nem vontade!

Jantar mexicano com chilli de soja é muito <3

Na metade do desafio, fizemos uma hamburgada lá em casa para os amigos. Entre a turma, havia mais uma vegetariana. Comprei hambúrgueres sem carne, maionese vegana e também me certifiquei que o pão não havia leite nem ovos na sua fabricação. Mas na hora da sobremesa, uma amiga levou brigadeiros, e aí confesso que o bicho pegou. Passei vontade sim, Brasil. Mas tudo bem, não morri também. Afinal, a vida é feita de escolhas, não é mesmo?

Expectativa x Realidade

Quanto aos restaurantes, quando não eram vegetarianos, geralmente tinham pelo menos uma opção no cardápio, ou então sempre conseguia fazer algum tipo de adaptação de algum prato. Claro que algumas vezes não foram tão simples assim, mas no geral não senti dificuldade. E no fim, acabei descobrindo que minha cidade é cheia de lugarzinhos vegetarianos/veganos pra lá de charmosos e gostosos.

Greengo, em Curitiba, ganhou meu coração <3

Já os lugares que mais sofri, sem dúvidas, foram as padarias e confeitarias. Na padoca, você meio que fica só com o cafézinho, ou então com uma salada de frutas, já que nem a margarina pode-se garantir que é 100% de origem vegetal.

Já na confeitaria, esqueça. Se você, assim como eu, é uma formiguinha, esse é o tipo de lugar que, pelo menos nos primeiros dias, quando você ainda está se adaptando, é melhor evitar. Dificilmente você vai encontrar uma opção sem leite ou ovos. Aqui em Curitiba, pelo menos, esse milagre não aconteceu comigo. Mas fiquei sabendo que em breve isso vai mudar, já que a Goodies – lembra dela?lançará uma linha de doces para a turma dos alérgicos ao leite/glúten e veganos, em parceria com o site Fru-fruta, da Pati Bianco, que também é cheio de receitinhas veganas.

Resumo dos 30 dias

Olha, vou te contar que esses 30 dias passaram voando. É claro que não foi fácil, mas também foi muito menos difícil do que eu imaginava. Veganismo, até então, sempre foi um mundo muito distante. Como falei lá no início, há tempos queria voltar para o vegetarianismo, mas quando pensava em me tornar vegana, logo vinha a minha cabeça: ISSO É IMPOSSÍVEL! E acabei descobrindo que não é não, pelo contrário, nos dias atuais isso é bastante viável.

“Hábitos não são necessidades”

Claro que é preciso um período de adaptação. Eu mesma, durante o desafio, “fracassei” algumas vezes. Tiveram dias que não comer nada com leite ou ovos (mais especificamente um docinho) foi muito difícil. E em algumas vezes, comia até mesmo sem saber.

Teve um dia que comi umas batatinhas daquela marca Pringles, por exemplo, e quando fui ler o rótulo…continha leite. Descobri inclusive que até na batatinha do McDonald’s vai leite (entre diversas outras substâncias que a gente nem imagina). Pois é. Você começa a ler os rótulos dos produtos, e descobre que é difícil encontrar algo sem leite, ovo ou algum produto de origem animal que nem fazemos ideia que existia. É uma loucura como nossa alimentação – e o mundo – gira em torno disso.

“Por que raios isso leva leite?” – Todo vegano, sempre

De qualquer maneira, não posso dizer que fui vegana neste mês, mas sim que fui uma vegetariana estrita. Mesmo me esforçando para utilizar a menor quantidade possível de produtos de origem animal no dia a dia, eles não foram 100% abolidos da minha vida.

Não joguei minhas maquiagens fora, por exemplo, mas fiquei encantada (e com muita vontade de tentar fazer em casa) com o trabalho da blogueira Sunny Subramanian no livro Beleza Feita em Casa, onde ela ensina a fazer desde cremes e sabonetes até blush e rímel, tudo natural e vegano, além de ter sentido uma grande necessidade de comprar produtos de marcas veganas assim que os meus acabarem.

Livro maravilhoso da blogueira Sunny Subramanian

Então, para seguir o veganismo, você precisa sair da sua zona de conforto, e descobrir novos sabores, novas misturas, novas possibilidades. Durante esse mês, passei a ir ao hortifruti ou a feira uma vez por semana, e escolhia legumes e verduras que estavam mais em conta no dia. Passei a criar receitas com produtos que muitas vezes nem imaginava que poderiam combinar.

E um dos segredos para não estourar o orçamento é você descobrir lugares alternativos para fazer suas compras. Nada de comprar a quinoa naquele pacotinho bonitinho que vende no mercado, por exemplo. Aqui em Curitiba, dou preferência ao Mercado Municipal, ou então a um outro lugar, bem pertinho do MM, chamado Pop House, que tem preços imbatíveis.

Outro detalhe que facilitou muito a minha vida foi deixar o básico, como o arroz, feijão e grãos já prontos para a semana. E então no dia só precisava me preocupar com os complementos. Outra coisa que também facilita muito é jogar vários legumes no forno. Bem temperadinhos, ficam uma delícia. A proteína texturizada de soja é outra mão na roda no dia a dia. Com ela, fazia desde abobrinha recheada até macarrão “a bolonhesa”. Você pode cozinhá-la no domingo à noite, em uma maior quantidade, e ir variando durante toda a semana.

Purê de batata com “soja moída”

O fato é que passei a prestar muito mais atenção na minha alimentação, e a apreciar muito mais as minhas refeições. De repente, o almoço era muito mais saboroso, não só pela comida em si, mas porque a sensação era de que eu estava “ingerindo vida”. É meio inexplicável, mas acredito que os veganos me entenderão!

Um resultado bastante interessante deste desafio é com relação aos meus exames de sangue. Logo após acabar os 30 dias, fiz o exame de ferritina e vitamina B12. O de ferritina nunca esteve tão bom! Veja na imagem abaixo a comparação com os últimos realizados. O resultado é incrível!

Com a vitamina B12 também veio a agradável surpresa. De 260 para 325. Como ela não é encontrada no reino vegetal, imagino que o aumento se deva as algas chlorella e a spirulina que passei a ingerir (você pode encontrar mais informações sobre os benefícios delas aqui.)

Então aquela história de que vegano não ingere ferro nem proteína e fica com a saúde debilitada, para mim, foi comprovada que é puro mito. Isso sem falar no peso. Foram 2 kg a menos na balança e, muito mais do que isso, perdi muitos centímetros na região da barriga/cintura. Acredito que seja por conta do leite e derivados, que são altamente inflamatórios. E o curioso foi que passei a comer muito mais do que comia antes. Principalmente durante as 3 refeições principais do dia.

“Meu único arrependimento sobre o veganismo é não ter feito isso antes”

Agora, você deve estar se perguntando se eu vou continuar. Como disse no título deste post, o inesperado aconteceu. Euzinha, que nunca me imaginei vegana, quero muito entrar pra esta turma! Por enquanto, sigo vegetariana. Adeus frango e peixe. Mas meu objetivo é me tornar vegana sim, e estou trabalhando para isso. Sempre que posso, estou dando preferência as opções sem nada de origem animal, e aos poucos vou sentindo que meu corpo “precisa” cada vez menos de ovos, laticínios e afins. Resumindo: hoje me sinto mais leve, cheia de saúde e cada vez mais feliz por fazer a minha parte (por menor que seja) para ajudar o mundo a se tornar um lugar mais sustentável e humano.

LIVROS, BLOGS E DOCUMENTÁRIOS PARA SE INSPIRAR

Para encerrar, reuni alguns livros, sites, blogs, documentários e perfis do Instagram e que me inspiraram durante este mês. Espero que inspirem você também <3

Livro Alimentação Sem Carne

Livro Comer Animais

Livro Porque amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas?

Blog Presunto Vegetariano

Blog Tempero Alternativo

Blog Fru-fruta

Blog Flor de Sal

Blog Bora Veganizar

Site Vista-se

Site SVB

Site Escolha Veg

Doc Cowspiracy

Doc Terráqueos

Doc Farm To Fridge (Da Fazenda à Geladeira) | A verdade atrás dos produtos de origem animal

Canal Entrevista-se

TED Talk Além do Carnismo, Melanie Joy

Instagram Ser Vegana

Instagram Vegan Destination

Instagram Verde Life Style

Instagram Vegan Beauty Review

Instagram Virando Vegana

Instagram Diário Vegano

Instagram Vegan Nutri

Instagram Vegana Prática

Instagram Veganize-se

ATENÇÃO! Se você se animou e está pensando em adquirir um novo estilo de vida, não esqueça de consultar um médico e/ou um nutricionista. E quando começar o desafio, divide com a gente usando a #desafiohypenessvegan no Instagram 🙂

E para ler tudo que a gente já falou sobre veganismo no Hypeness, é só entrar aqui.

Imagens © Gabriela Alberti/Reprodução/Brasil Post/Pinterest

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Gabriela Alberti
Aquariana, curitibana, canhota e (só um pouco) teimosa. Curiosa desde o berço, tô sempre em busca de novidades, da senha do wi-fi, de novas séries para virar o fim de semana e de passagens promocionais para, quem sabe um dia, dar a volta ao mundo.

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